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03 maio 2018

Uma época de experiências e de procuras





Esta imagem foi retirada da capa da revista alemã  “Der Spiegel”, mais particularmente na revista número 23 lançada em 2 de junho de 1975, em mais de 50 países. Nesta edição podemos observar, na capa da revista, uma manifestação comunista e o título da revista diz “O estado membro da NATO, Portugal, é comunista ?”.

Na capa podemos encontrar também o meu avô que estava presente na manifestação e que é o segundo a contar da esquerda na fila de baixo.
Esta era uma época de experiências e de procuras. Mais tarde, desiludido com o estalinismo e a ortodoxia comunista, continuaria a ter uma sensibilidade de esquerda na forma de olhar as coisas.

Duarte Bruschy, 9º C







05 junho 2015

Anos 70, sem qualquer dúvida


- Quando foi esta foto tirada?
- Janeiro 1974.
- Que idade tinha nesta foto?
- 18 Anos.
- Na altura, sabia da existência da PIDE ou conhecia casos da intervenção desta?
- Sim, sabia que existia, apesar de os jornais não publicarem estes casos. Ou seja, tudo o que sabia vinha de conversas que ouvia.
- Para além destas situações, sentia a ação da censura?
- Sentia-se bastante a censura...não só nos jornais como na rádio. Por vezes as canções ou artigos eram publicados e só eram retiradas mais tarde quando se davam conta do seu verdadeiro significado ,como as canções do Zeca Afonso.

- Quais foram as maiores diferenças que sentiu com o 25 de abril?
- Esta foi uma revolução fundamental para o desenvolvimento económico e social de Portugal. Foi com o 25 de Abril que passámos a poder dizer aquilo que pensávamos e a defender aquilo que achávamos justo.
- O seu marido chegou a ir para a Guerra Colonial?
- Não...Ele entrou para a tropa em Março de 1974, pouco antes do25 de Abril e, visto que a Guerra Colonial ainda permanecia nesta altura, foi por sorte.


-  Há algo de que sente falta do antigo regime?
- O respeito é o  que faz mais falta...Tudo isto melhoraria um bocado se também fosse melhorada a educação, na qual se tem apostado cada vez mais, mas não tem dado muito bom resultado.


- Para a atual situação, considera que “faz falta alguém como Salazar”?
- Ainda continua a haver muitos erros no país. Mas não nos podemos esquecer que
Salazar amordaçava as pessoas, retirava-lhes a liberdade de expressão e isso é um erro injustificável.
- Por fim o que foi a revolução para si?
- Foi a mudança de um regime e, o mais importante, o fim da guerra do Ultramar para onde seguiria o meu marido.

Esta entrevista foi feita a minha avó Maria de Lurdes ,no mês de abril de 2015.

                 Catarina Vedor 9ºD

24 abril 2015

O 25 de Abril através do olhar de Sebastião Salgado


Conheço relativamente bem a obra do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado e tinha a ideia de ter visto umas fotografias suas a propósito da revolução de Abril em Portugal. Com o tempo deixei de ter a certeza à força de não as encontrar.

Fazendo “escavações” na biblioteca, acabei por descobrir onde estavam. Trata-se de um pequeno livrinho intitulado “Um Fotógrafo de Abril”, da editorial caminho, editado em 1999 e destinado a comemorar o 25º aniversário do 25 de Abril. Contém algumas fotografias de Salgado em 1974 e 1975, ao serviço da agência fotográfica Sygma, precisamente com a missão de documentar o que se passava em Portugal com a “Revolução dos cravos”.

Das várias fotos escolhi esta porque sempre me perturbou. Trata-se da ocupação de um latifúndio por trabalhadores agrícolas, em Alcácer do Sal em outubro de 1975.

O que me fascina nesta fotografia é a invulgar capacidade do fotógrafo em captar a essência humana, neste caso, julgo eu, materializada na ideia de existirem sempre duas formas de ver a mesma coisa.
Os ocupantes parecem o resultado de um erro de “Casting”. Parecem vitoriosos mas ao mesmo tempo desconfortáveis nessa vitória quando, contrariando tudo o que aprenderam, tomam posse de coisas alheias.
Na realidade o que Salgado captou foi a incomunicabilidade desta espécie de duplo erro de casting. O cavaleiro, que protagoniza os anteriores proprietários, também está desenquadrado.

08 outubro 2014

A "Sorte Grande"


Este documento foi provavelmente uma das melhores coisas que já aconteceu ao meu pai – a “Sorte Grande”.
Nele vemos que tinha sido apto para ir para a tropa, sendo a data do documento de 15 de março de 1974. Felizmente, um mês e pouco depois deu-se o 25 de Abril e ele livrou-se do serviço militar e mais que provavelmente da Guerra Colonial.

Diana Mota, 9ºE

08 maio 2014

Esclarecer o Povo


A seguir à revolução de abril de 1974, a palavra de ordem era esclarecer e educar o povo. São inúmeros os livros saídos com esse propósito.

Este exemplar, escrito pelo Prof. Doutor Jorge Campinos, viu a luz do dia em Janeiro de 1975.



Livro pesquisado pela aluna Cristiana Marto do 9ºD

24 abril 2014

Os 40 anos do 25 de Abril nas pequenas grandes coisas - 2


Em 1975 e 1976 tudo se partilhava, emprestava, cedia. Com a música e os discos do José Afonso era também assim. Circulavam de mão em mão, como quase tudo.
Este LP veio ter comigo já não me lembro como… descobri-o há uns meses bem aninhado entre os outros discos de vinil de que nunca me desfiz.

Vamos ao que interessa. Trata-se de um disco da cantora luso-francesa Catherine Ribeiro com os Alpes e data de 1975. É difícil de catalogar Catherine, como pode aperceber-se aqui.



 (clicar na imagem para ampliar)
Este LP tem no seu interior uma interessantíssima dedicatória a José Afonso que partilho. (pode consultar uma nota biográfica clicando aqui.)
Curiosa também a parte da letra da canção Poème Non Épique nº3 onde se faz referência ao Portugal revolucionário e ao Portugal salazarista. Portugal era um tema inspirador e apaixonante.

PS – a referência a Cuba dirá respeito  à participação nesta ilha em 1970  num Festival Internacional de Música Popular



23 abril 2014

Os 40 anos do 25 de Abril nas pequenas grandes coisas


 Comparemos estas recomendações impressas em dois passaportes.
A primeira dos anos 50 e a segunda de Maio de 1974.



Parecem-lhe idênticas para além de mais ou menos carimbos? Observe melhor.
Na primeira, e citamos, “A mulher casada, quando não viajar em companhia do marido, deve ir munida da sua autorização, com letra e assinatura reconhecidas pelo notário.”

Significativo da condição feminina durante o Estado Novo….

Recomendamos que se dê também uma olhadela comparativa às aventuras burocráticas de um funcionário público para sair do país.


Por fim a receção. Seguramente devia ser acolhedor ser recebido pela PIDE ao desembarcar em Portugal vindo do Brasil por mar…

25 abril 2012

Um grande susto




Esta fotografia é, das que foram tiradas nos dias imediatos à Revolução, das que mais equívocos tem alimentado - encontra-se com alguma facilidade em jornais e um pouco por toda a parte na net  sempre que se pretende ilustrar a prisão de um agente da polícia política na sequência da revolução de abril de 1974.
Acontece que o indivíduo que aparece na fotografia com as armas apontadas suspeitando-se ser da PIDE afinal não era. É de Setúbal e tratou-se de um engano e de um enorme susto (para ele, claro).Nem toda a gente sabe que esta foto não corresponde à verdade. Assim fica dito, para “memória futura”, como agora se usa.



25 abril 2011

Uma missão heróica e vital



                                                             clicar nas imagens para ampliar
Com exageros, sem exageros, com disparates e sem disparates, o meu muito obrigado a todos os que tornaram possível o 25 de Abril de 1974.
Tinha exactamente 15 anos e andava no equivalente ao 9º ano actual. O meu pai, perplexo perante as notícias que iam chegando, encarregou-me de uma missão que na altura me pareceu heróica e vital – ir comprar o primeiro jornal que encontrasse…

25 abril 2010

A Química revolucionária



Nos anos imediatamente a seguir à Revolução de 1974 os sinais de Abril encontravam-se por todo o lado, desde o vocabulário do dia a dia até às paredes com os célebres murais revolucionários… Viemos encontrá-los inesperadamente colados num antigo livro escolar de Química em uso na altura. Atente-se no carácter amador do desenho e da própria concepção gráfica…a paixão não dava tempo e falava mais alto…
A Cooperativa dos Deficientes das Forças Armadas é uma referência triste no meio dos sonhos e das alvoradas permanentes. Foram inúmeros os que regressaram física e psicologicamente destroçados.

jmv

27 outubro 2008

Censura








O aspecto mais “bucólico” da Censura é o seu lado beato, ou seja, para além da compreensível supervisão em assuntos políticos e militares, estendeu o seu manto de vigilância às questões de conduta, decoro, escândalos amorosos, ao sabor do estabelecido e do não muito cosmopolita intelecto dos censores.
Em 1974, o jornal República exibirá com uma justificada pontinha de vingança uma faixa inferior afirmando “ESTE JORNAL NÃO FOI VISADO POR QUALQUER COMISSÃO DE CENSURA”.