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02 março 2021

1945- migração para a grande cidade procurando melhores condições de vida

 

Apresento-vos o meu avô.

Esta fotografia foi tirada quando o meu avô se preparava para migar para lisboa, em busca de emprego por melhores condições de vida.

Nesta época, a industrialização e os serviços aumentavam exponencialmente e concentravam-se nas grandes cidades. Isto significava uma maior oferta de emprego para os que procuravam uma oportunidade.



 

A idade mínima legal para trabalhar iniciava-se aos 12 anos (idade que o meu avô tinha quando lhe foi tirada esta foto). Nesta idade qualquer criança podia trabalhar, desde que não excedesse as 10 horas diárias das 60 horas semanais, o trabalho fosse considerado “leve” e tivesse completado o exame do 1ºgrau.

O meu avô, que reunia todas as condições descritas anteriormente, viu-se obrigado a deixar Alcoutim (vila onde nasceu) para ser aprendiz numa leitaria, na qual, mais tarde, passou a ser proprietário.

Como o meu avô, muitos outros, naquela época, tiveram de abdicar das suas infâncias, famílias e propriedades pela necessidade de sustento, para melhor qualidade de vida e aprendizagem de um ofício.


Simão Baptista 9ºF(2019-20)

21 agosto 2020

A Historia do meu Avô – percurso de vida no século XX

 

O meu avô paterno chama-se Ângelo Pereira dos Reis, nasceu em 13 de fevereiro de 1928, em Águeda, mas passou a maior parte da sua vida em Lisboa.

Aos 5 anos de idade, veio de Águeda para trabalhar numa quinta em Lisboa, na freguesia de Carnide, onde trabalhou até ir para a tropa em 10/04/1949. O racionamento de comida e a más condições sociais, em Portugal, sentidos a seguir à 2ª guerra mundial e a miséria imposta pelo regime de Salazar durante a sua governação nesses anos, obrigaram muitas pessoas, como a família do meu avô, a procurar trabalho e aceitarem a “escravatura” por um prato de comida e cama para dormir.


Casou com a minha avó em 1950.


Foi sócio do Clube de Futebol os “UNIDOS”, num bairro camarário, Bairro Padre Cruz, em Carnide, Lisboa. O clube de futebol os “UNIDOS” é anterior ao Bairro do Padre Cruz. Fundado a 1 de Junho de 1940, noutro bairro camarário da cidade, na Quinta da Calçada. Teve por fundadores Edmundo Reis, José Lima Alves e Fernando Matos Martins. Quando aquele bairro começou a ser demolido alguns moradores foram transferidos para o Bairro Padre Cruz e levaram nessa transferência o seu clube.  O nome os “UNIDOS” nasceu de uma reunião para se escolher a direção. Uns queriam Unidos da Quinta da Calçada, mas um "rapaz" que vinha de Alcântara simpatizava com o Clube de Futebol do Belenenses sugeriu Clube de Futebol Unidos. E o símbolo ficou muito parecido ao do Belenenses, só as cores são diferentes.


Foi também um membro ativo do Partido Comunista Português, criado nos fins de 1921, a edição dos primeiros órgãos comunistas em Portugal. Ainda em 1921, inicia-se a publicação de O Comunista, órgão do Partido, e de O Jovem Comunista, órgão da Juventude.

Com a criação e ação do PCP acelerou-se a tendência do movimento operário. É dado um importante impulso à consciencialização e desenvolvimento político das massas trabalhadoras. Mas as dificuldades desta luta são grandes. O nível de preparação política, teórica e prática dos militantes é ainda baixo. Falta ainda ao Partido uma formação marxista-leninista e uma direção de militantes politicamente experientes.

O meu avô distribuía de forma ilegal, na Câmara Municipal de Lisboa onde trabalhava, o jornal “O AVANTE”.




O meu avô adorava, também, pombos e fazia disso seu desporto favorito “COLUMBOFILIA”. E ganhou alguns prémios. Columbofilia é a uma modalidade desportiva relacionada com a corrida entre pombos-correioColumbófilos  (criadores de pombos-correio) potencializam capacidades físicas e de orientação para participação de campeonatos. Dec. Lei 36767 de 26 de Fevereiro de 1948 (Lei de proteção ao pombo-correio): Determina que é necessário estar inscrito na Federação Portuguesa de Columbofilia para poder ter pombos-correio ou comprar anilhas oficiais.


Na foto de família, abaixo, ainda não tinha nascido o meu pai, eram uma família típica de Lisboa em plenos anos 60, onde o meu avô era trabalhador da Câmara Municipal de Lisboa e a minha avó era florista.


Trabalho realizado por: Tomás Reis, 9.º H