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16 junho 2021

Um registo de cadastro do pessoal cheio de informações


 

Este é um caderno que o meu avô começou a usar no dia 1 de junho de 1964 (Ditadura Salazarista/Guerra colonial) na sua oficina e deixou de o usar nos finais de 1971. Este caderno tem 49 páginas e dentro dele podemos encontrar categorias como: “Evolução de categorias a vencimento”, “Compensação de feriados”, “Férias remuneradas” e “Faltas ao Serviço”.

Um facto interessante que este livro aponta é que alguns trabalhadores tiveram de deixar a oficina para cumprir serviço militar na Guerra Colonial.

 Esta Guerra teve enormes consequências para Portugal como: 7% da população ativa teve de cumprir serviço militar; 40% do orçamento geral do Estado foi gasto na Guerra; Morreram 8000 portugueses e cerca de 100000 feridos ou incapacitados.

Miguel Lopes 9º A


27 março 2020

A "Guerra" do Bacalhau


     O meu avô materno chamava-se António Soares Baptista, nasceu a 28 de dezembro de 1939 e faleceu a 17 de setembro de 2014.
        Aos 18 anos de idade o meu avô teve de fazer uma escolha muito importante na sua vida: cumprir o serviço militar ou ir para a pesca do bacalhau.
       A sua opção foi ir para a pesca do bacalhau onde andou durante 9 anos em vários navios passando por grandes tormentas.
       Atualmente, o meu avô, o meu bisavô e outros familiares encontram-se nos registos dos “Homens e Navios do Bacalhau” no Museu Marítimo de Ílhavo e no Museu da Marinha.


Ainda antes do Estado Novo, em 1927, foi promulgada a primeira legislação pelos Governos da Ditadura Militar que isentava de serviço militar os pescadores que fizessem seis campanhas consecutivas na Terra Nova.
Mais tarde, a forte vaga de emigração dos anos 60, a natureza obsoleta da pesca à linha, no período coincidente com as guerras coloniais em África, fizeram com que surgissem sérios problemas de recrutamento. Era difícil formar as tripulações por falta de mão-de-obra. O decreto de 1927 voltou a ser importante e “proporcionou a muitos homens um dilema humano que hoje nos impressiona: embarcar num bacalhoeiro e escapar ou ir para a guerra de África.





“Naquele tempo, quem fosse para o bacalhau não ia para Angola, havia lá a guerra”.

          Nas palavras de Zé Miguel, antigo pescador da pesca do bacalhau: “A bordo iam cerca de 65 homens”. As viagens ao bacalhau eram campanhas sazonais, cerca de seis meses, entre abril e outubro. “Dormíamos dois a dois e a comida era sempre a mesma coisa: chá ou leite feito de pó, grão, feijão e batatas. Foi assim a vida”, desabafa. 
        Era no rancho, à proa do navio, onde se comia e dormia. Os pescadores dormiam vestidos, dois a dois normalmente por relações de parentesco e o fogão estava sempre acesso para aquecer os homens. Havia falta de água potável, “tínhamos uma caneca de água por dia, para lavar a cara, as mãos e para beber”.
     Os problemas de saúde eram frequentes e os homens trabalhavam “até aos limites quando havia peixe e o tempo o permitia, era um esforço sobre-humano”, afirma Álvaro Garrido(consultor do Museu Marítimo de Ílhavo). 
   Esse trabalho permitia-lhes “a possibilidade de um rendimento fixo e regular que as outras pescas não davam”, explica-nos. Para a economia e vida social das comunidades marítimas portuguesas, “foi um modo de vida importante que reflete bem o atraso do país, a miséria social que grassava nas comunidades dos pescadores”.
     Zé Miguel ainda se lembra do seu primeiro ordenado, “foi 20 escudos por um quintal de bacalhau” ou seja, 12 mil quilos de bacalhau.

                    David Calado 9º G


07 junho 2018

"Amor em tempo de guerra"





Esta é uma carta de amor trocada entre a minha avó e o meu avô que se encontrava na Guerra Colonial em Moçambique em 1969.
Esta carta suscitou-me interesse de entre todas as outras pelo facto de ter sido enviada pela altura do natal . Tinha o objetivo de ser diferente como um presente, tendo um formato tridimensional ao abrir, formando um ramo de flores.




No corpo de texto da carta demonstra-se a dor e a saudade que ambos sentiam nesses tempos muito difíceis.

Achei bastante engraçado pois o meu avô era bastante carinhoso e delicado perante a minha avó.




Maria Marta 9º D

15 abril 2018

Amor em tempos de Guerra




Ao desfolhar o álbum de retratos da guerra do ultramar do meu avô, encontro estas fotos que mostram o namoro entre eles durante a guerra. Cada vez que uma carta chegava a minha avó podia ler sobre as saudades e o desejo de voltar para casa brevemente. A minha avó respondia lhe e contava- lhe sobre as notícias da terra, os eventos de família e as saudades que sentia dele. Durante muitos meses, este era o meio através do qual namoravam. Foi muito engraçado folhear o álbum de fotografias que têm dessa época, e mais ainda sobre o tempo que passei a falar com os meus avos sobre estas recordações.








O meu avô ainda hoje se sente muito orgulhoso sobre as experiencias que viveu na mata e com os animais selvagens.





Após uma longa conversa como meu avô, fiquei a saber que estas chapas serviam para identificar os soldados e em caso de morte estas eram partidas ao meio, pelo picotado, ficando metade para a família e a outra metade ficaria junto do corpo. 




Marta luís  9ºF

11 janeiro 2018

Cercados pela àgua...

 Tinha chovido muito na noite anterior, a chuva arrastou os carros da picada.
Para retirarem os carros abriram uma passagem no mato para que quando o caudal da água baixasse pudessem empurrar os carros para a estrada novamente.



Naquela altura os carros eram de uma marca chamada Berliet Francesa.

Neste período de 48 horas, uma avioneta foi ao local para os abastecer com mantimentos, mas os soldados pensavam que iam sair dali rapidamente então não os aceitaram.



No momento seguinte arrependeram-se, pois, viram que estavam a demorar mais tempo que o esperado.

A situação agravou-se e os soldados ficaram sem comer e beber durante as mesmas 48 horas.

Margarida Pinta, 9º A


08 abril 2017

Diário da Guerra Colonial : 23 de março de 1965 - uma página marcante.



António Paulo Bastos, meu avô, nasceu a 29 de setembro de 1943. Foi recrutado para participar na Guerra Colonial na Guiné. Saiu de Portugal a 15 de julho de 1964 permanecendo lá até 1966.
 Conto assim um dos seus episódios que mais o marcou e que li no seu diário de guerra



A 23 de março de 1965 o meu avô acordou às 4:00 da manhã em Farim e preparou-se para a grande operação Canjambarin.
 Saiu em direção a uma povoação chamada Jumbembem, onde se encontravam mais tropas portuguesas, que se juntaram e seguiram para a missão.

Por volta das 6:30 deu-se um rebentamento de uma mina debaixo de uma viatura
 "Começou o festival”, segundo escreveu no diário. O pelotão de morteiros português começou a disparar para a retaguarda do inimigo. A fox (carro blindado) passou para a frente e disparava com as suas duas metralhadoras e pessoas no terreno. A mistura de barulhos e um intenso cheiro a pólvora fê-lo pensar: "É desta que não te escapas".


Perto das 8:30 horas, o inimigo parou de fazer fogo, pois deviam estar a retirar os feridos e mortos.
 Aproveitando-se da situação, as tropas portuguesas avançavam com o objetivo de chegar a Canjambarin. De repente o adversário ataca com morteiros 82, de longe, e ninguém sabia de onde vinha. Por volta das 14:00, o comandante chama os bombardeiros aéreos que largam 4 bombas sobre o inimigo.

Ás 16:00 chegam as tropas portuguesas a Canjambarin e fica assim concluída uma das missões. Não houve baixas portuguesas mas por parte do inimigo houve bastantes mortes e feridos pois via-se o rasto de sangue pelo chão.


                                                                                                                Inês Bastos 9ºF

26 outubro 2014

Rua de Luanda nos anos 60





 Esta fotografia, pesquisada pela Catarina Amaro, do 9ºE,despertou-nos desde logo a atenção graças aos marinheiros e ao “carocha” estacionado numa rua de Luanda nos anos 60.
Lá ao fundo, no topo do edifício, o anúncio à SACOR fez-nos encontrar este outro, publicado no Jornal do Exército n.º 1, em Janeiro de 1960 e obtido aqui .  De qualquer forma, só em  Fevereiro de 1961, com a revolta em Luanda, com os ataques à Casa de Reclusão, ao quartel da PSP e à Emissora Nacional, se considera o início da luta armada em Angola.



Catarina Amaro, 9ºE

08 outubro 2014

A "Sorte Grande"


Este documento foi provavelmente uma das melhores coisas que já aconteceu ao meu pai – a “Sorte Grande”.
Nele vemos que tinha sido apto para ir para a tropa, sendo a data do documento de 15 de março de 1974. Felizmente, um mês e pouco depois deu-se o 25 de Abril e ele livrou-se do serviço militar e mais que provavelmente da Guerra Colonial.

Diana Mota, 9ºE

23 maio 2014

Partilhas em tempo de guerra




Correspondência entre os meus avós, durante a Guerra Colonial em Angola.
                                                                                    Catarina Simões - 9.º B

07 fevereiro 2014

Soldados e cavalheiros


Meu tio avô ,Manuel Nunes, no dia do seu casamento  em Cuimba ,Angola, em 1964, em plena Guerra Colonial.
O meu tio avô casou-se por procuração com a minha tia avó Fátima que estava em Portugal devido à sua filha estar quase a nascer e ele não querer ser pai sem estar casado.

Gonçalo Camacho, 9ºD

26 janeiro 2014

Aerograma de 1973

Correspondência entre o meu pai, que se encontrava na Guiné (1973) e a minha mãe que se encontrava em Portugal.
                              Iúri Guerreiro - 9º B

14 janeiro 2014

Bazuca...uma arma da guerra

Fotografia do meu pai, durante a Guerra Colonial, em 1973, na Guiné.
                                                                                                                                                             


                                                                                                                                           Iúri Guerreiro - 9º B

13 outubro 2013

Guerra Colonial



Como se pode ver, duas carrinhas com um atrelado, não serão o veiculo mais adequado para transportar um a embarcação, mas a necessidade aguça o engenho e os nossos soldados nenhuma outra solução encontraram para movimentar o navio.
 Esta caricata situação aconteceu durante a guerra colonial, em Angola, num desembarque das tropas portuguesas.          
 
Iuri Pereira

07 novembro 2012

A "Peluda"



Quando o tempo parecia não avançar, criavam-se simples brincadeiras, capazes de alegrar os soldados e quem à volta se encontrasse. Data de 23 de Maio de 1972 (Ilha do Sal)





“A Peluda”, significava para esta companhia um marco de 100 dias para o fim da missão e para o regresso a casa. Era então realizada uma grande festa durante todo o dia, de modo a festejar este momento de contagem decrescente para o regresso às famílias. Data de 13 de Outubro de 1972

Fotos e anotações às mesmas de Ana Ermida, antiga aluna.

13 maio 2012

Fotografias de guerra.


Durante a guerra colonial muitas foram as mulheres, namoradas e até amigas que se correspondiam com os soldados que encontravam longe e saudosos da pátria e da família. Esta fotografia é uma das muitas enviadas a esses soldados, a originalidade está na montagem feita, onde se vê a jovem, pensativa e um pouco acima  o alvo de todos esses pensamentos.

Cristiana Silva, 9º B


08 março 2012

As amadas dos soldados




Era difícil a vida dos soldados, mas também a das suas amadas que muitas vezes não tinham novidades e temiam pelo pior. Deste modo enviavam fotografias suas para os namorados como que dizendo: “Não te esqueças que continuo aqui à tua espera”.

Ana Ermida, 9ºC

Assenta que nem uma luva no dia internacional da Mulher este texto sobre as amadas dos soldados que partiam para a Guerra colonial, não acham?

13 dezembro 2010

Olhares sobre a Guerra




Estas duas fotos retratam José Teixeira, com 20 anos, um de muitos que ingressaram na viagem para a guerra colonial em Angola, mais precisamente em São Salvador do Congo.
A primeira imagem mostra, José Teixeira, num cenário de guerra. Na segunda imagem, bem diferente, vêmo-lo num momento de repouso a almoçar com um habitante angolano.

Trabalho realizado por
André, Diogo e Zé

23 abril 2010

"Orgulhosamente sós"





Guiné,1968-69

Contra ventos e marés, “Orgulhosamente Sós”, Salazar como que contraria a própria História, fechado numa teimosia que vai ao arrepio da descolonização que a comunidade internacional e a ONU incentivavam após a II Guerra.
Esta política irá custar milhares de vidas quer aos jovens portugueses quer aos que nas “Províncias Ultramarinas” lutavam pela independência. Este beco sem saída em que Marcello ainda teimará foi seguramente uma das causas da queda do regime e da Revolução de Abril de 1974.

DJ / jmv

13 abril 2009

Saudades



Na areia da praia, para a fotografia, escreve-se o nome, ou amo-te, um coração com setas, sabendo-se Inglês, e não é preciso muito, I Love You.
Esta fotografia de 1973, banal, não fosse a extraordinária e inimitável cor Kodak dos anos 70 e a beleza da criança, não teria mais nada a assinalar.
Atente-se contudo na areia e no que lá está escrito. Nesta outra forma de dizer eu amo-te, ou tenho saudades tuas. Mais triste, talvez, porque fala de uma guerra e porque para chegar ao destinatário terá que atravessar dois continentes…