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07 junho 2018

"Amor em tempo de guerra"





Esta é uma carta de amor trocada entre a minha avó e o meu avô que se encontrava na Guerra Colonial em Moçambique em 1969.
Esta carta suscitou-me interesse de entre todas as outras pelo facto de ter sido enviada pela altura do natal . Tinha o objetivo de ser diferente como um presente, tendo um formato tridimensional ao abrir, formando um ramo de flores.




No corpo de texto da carta demonstra-se a dor e a saudade que ambos sentiam nesses tempos muito difíceis.

Achei bastante engraçado pois o meu avô era bastante carinhoso e delicado perante a minha avó.




Maria Marta 9º D

03 junho 2011

Fim de tarde


Ao meu coração um peso de ferro
Eu hei de prender na volta do mar.
Ao meu coração um peso de ferro... Lançá-lo ao mar.
Quem vai embarcar, que vai degredado,
As penas do amor não queira levar...
Marujos, erguei o cofre pesado, Lançai-o ao mar.
E hei de mercar um fecho de prata.
O meu coração é o cofre selado.
A sete chaves: tem dentro uma carta...
(...)

Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'

20 maio 2010

Quando vida queria dizer aventura...

Enquanto conversava com os meus avós, vim a descobrir que o meu trisavô, José Alves Cabral Sacadura, foi um dos heróis de Chaimite que ajudou a derrotar o Gungunhana.
Interessei-me tanto pela sua (minha também) história, que procurei mais fotografias e informação.
Vim assim a apurar que nasceu em Celorico da Beira em 1862. Como era o 2º filho (era a época do Morgadio, em que só o filho mais velho herdava as propriedades da família) foi destinado ao exército.
Formou-se na escola de Artilharia de Vendas Novas.
Foi um dos fundadores da cidade da Beira em Moçambique.
Fez parte da missão contra o Gungunhana, como 1º Tenente, sob o comando do Major Caldas Xavier, e mais tarde de Mouzinho de Albuquerque.




Após a vitória, foi armado Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, por feitos na campanha de Moçambique em 1895, tendo recebido do Rei D. Carlos a faixa que ele mesmo usava (a minha trisavó contava que o Rei tirou a sua faixa do pescoço para pôr no do Trisavô!).
Recebeu também as medalhas Militares da Rainha D. Amélia e outras por bons serviços à Coroa.
A carabina por ele usada na campanha de África está exposta no Museu do Exército





Após a implantação da República (como é de calcular, era monárquico), passou à reserva (reformou-se), mas durante a 1ª Guerra Mundial, foi chamado para comandar o Quartel de Brancanes em Setúbal.
Espero não ter maçado o leitor, mas é que os pormenores me despertaram tanto a vontade de saber mais…

Francisco Cunha Rêgo ,9ºE

24 abril 2010

Tão longe da esperança



Sempre me entristeceu olhar para esta fotografia. Não é pela guerra, pela pobreza, pela humilhação. É pela distância. Pela distância a que ela se encontra da esperança.
Foi tirada em Moçambique em 1971. Podia ser de 24 de Abril de 1974.

jmv

30 março 2009

É quase impossível deixar de olhar


Esta é, por razões óbvias, uma fotografia rara de uma família da classe média/alta da sociedade moçambicana dos anos 30.
É visível, da parte masculina, a influência oriental que a ex-colónia portuguesa sempre teve. O cavalheiro, oriundo da assim chamada Índia Portuguesa, era à altura em que a foto foi tirada, gerente de um importante banco em Moçambique.
A fotografia é tão bonita que é quase impossível deixar de olhar para ela.

22 novembro 2008

Aerograma

Militares portugueses escrevendo à família, Moçambique, 1967
Os aerogramas militares, correspondência de modelo padronizado com o objectivo de isentar de franquia postal as missivas de carácter familiar entre a metrópole e as “Províncias Ultramarinas” (para militares, familiares e Madrinhas de Guerra – cerca de 24.000 em 1965), foi uma das ideias mais faladas do Movimento Nacional Feminino, criado em Abril de 1961 com o objectivo principal de “ (…) sem carácter político (…) congregar todas as mulheres portuguesas interessadas em prestar auxílio moral e material aos que lutam pela integridade do território Pátrio.”