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30 janeiro 2017

Um "eminente sábio" ... na arte de bem propagandear...




O Estado Novo foi um regime autoritário e repressivo cujo funcionamento dependia de órgãos como a polícia política, a censura e a propaganda.
Com a criação do secretariado de propaganda nacional, procurava-se a divulgação de grandes eventos e de grandes obras públicas, para enaltecer o papel do Estado e do chefe.
Este livro escolar contém propaganda a Salazar com o objetivo de passar aos alunos a imagem de Salazar como “Salvador da Pátria”.
Nos dias de hoje é impensável e difícil de imaginar os manuais de História fazerem propaganda política de forma tão descarada.

Maria Leonor Alves, 9º F



(clicar na imagem para ampliar)

05 junho 2015

Anos 70, sem qualquer dúvida


- Quando foi esta foto tirada?
- Janeiro 1974.
- Que idade tinha nesta foto?
- 18 Anos.
- Na altura, sabia da existência da PIDE ou conhecia casos da intervenção desta?
- Sim, sabia que existia, apesar de os jornais não publicarem estes casos. Ou seja, tudo o que sabia vinha de conversas que ouvia.
- Para além destas situações, sentia a ação da censura?
- Sentia-se bastante a censura...não só nos jornais como na rádio. Por vezes as canções ou artigos eram publicados e só eram retiradas mais tarde quando se davam conta do seu verdadeiro significado ,como as canções do Zeca Afonso.

- Quais foram as maiores diferenças que sentiu com o 25 de abril?
- Esta foi uma revolução fundamental para o desenvolvimento económico e social de Portugal. Foi com o 25 de Abril que passámos a poder dizer aquilo que pensávamos e a defender aquilo que achávamos justo.
- O seu marido chegou a ir para a Guerra Colonial?
- Não...Ele entrou para a tropa em Março de 1974, pouco antes do25 de Abril e, visto que a Guerra Colonial ainda permanecia nesta altura, foi por sorte.


-  Há algo de que sente falta do antigo regime?
- O respeito é o  que faz mais falta...Tudo isto melhoraria um bocado se também fosse melhorada a educação, na qual se tem apostado cada vez mais, mas não tem dado muito bom resultado.


- Para a atual situação, considera que “faz falta alguém como Salazar”?
- Ainda continua a haver muitos erros no país. Mas não nos podemos esquecer que
Salazar amordaçava as pessoas, retirava-lhes a liberdade de expressão e isso é um erro injustificável.
- Por fim o que foi a revolução para si?
- Foi a mudança de um regime e, o mais importante, o fim da guerra do Ultramar para onde seguiria o meu marido.

Esta entrevista foi feita a minha avó Maria de Lurdes ,no mês de abril de 2015.

                 Catarina Vedor 9ºD

20 junho 2014

Ensino Primário, 1937


Em 1937, este livro único, aprovado oficialmente, assumia sem complexos a mistura entre história e propaganda - (...) de harmonia com os princípios de orientação educativa do Estado Novo". Sem mais.

22 junho 2012

“Numa família digna, o chefe, que é o pai (…)”

     
No Estado Novo a família modelo era assim constituída: a mãe, ficava em casa a tratar das tarefas domésticas; o pai, ia trabalhar durante o dia para sustentar a família; os filhos iam à escola, onde os rapazes eram educados para mais tarde serem como os pais e as raparigas eram educadas para serem como as mães (domésticas). Por isso, o chefe de família, que era quem a sustentava, era o pai. Este devia ser respeitado com obediência e carinho, assim como o chefe de estado, como uma espécie de pai da nação.
Neste livro da 3º classe de 1958, Américo Tomaz, presidente da República durante a ditadura, ocupa uma página inteira do livro único e obrigatório. Para que não houvesse dúvidas…


Mariana Vinhas, 9º F

14 março 2012

Caderneta escolar, anos 40

                                                                                                                           
                                                                                                                                                       (clicar para ampliar)


A Mocidade Portuguesa (MP) foi criada em 1936 e tinha como objetivos educar os jovens de acordo com os valores do regime: “Deus, Pátria e Família” associados ao gosto pelo militarismo e pela disciplina num verdadeiro culto de veneração da autoridade.
Era obrigatória para os jovens entre os 7 e os 14 anos. Todos os sábados, as crianças que pertenciam à Mocidade tinham que realizar tarefas tais como içar a bandeira, saudação à romana, marchas militares, exercícios físicos, palestra patriótica e cantar o hino da organização.
O uniforme da Mocidade Portuguesa era constituído por uma camisa verde (com distintivo no lado esquerdo), calções ou calças bege e umas botas pretas.
O primeiro comissário nacional foi Francisco José Nobre Guedes, que se inspirou na juventude hitleriana dadas as suas simpatias pelo regime alemão.
Em 1937 nasceu a sua versão feminina que tinha como objetivos formar uma nova mulher, boa católica e portuguesa, futura esposa obediente.
Quer a MP quer a sua versão feminina acabaram depois do 25 de Abril de 1974.

Ana Marta, 9º F


10 junho 2009

O "Dia da Raça"





Em 10 de Junho de 1969, o regime, ao gosto da época, celebra o então chamado “Dia da Raça” com uma grandiosa demonstração de ginástica protagonizada pela Mocidade Portuguesa Feminina.
Neste caso no Porto, com a curiosidade de se ver o estádio do F.C.P. dessa altura.




29 maio 2009

Deus Pátria Autoridade

Esta fotografia, tirada numa escola Primária do Pinhal Novo em 1960, documenta uma exposição alusiva à comemoração dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique.
Se retirarmos de cena os trabalhos dos alunos e imaginarmos a sala repleta de cadeiras com tampo inclinado, fica-nos uma sala de aula típica do Estado Novo.
O crucifixo, ao centro, e as fotografias de Salazar e do Presidente da República, Américo de Deus Tomás, completam a tríade omnipresente. Deus, Pátria, Autoridade no seu melhor.

09 dezembro 2008

Transportes...


Em 1938, para assinalar a obra feita, são editados e distribuídos por todas as escolas primárias do país os sete cartazes da série “A Lição de Salazar”.Ontem como hoje nem sempre realidade e propaganda andam de par a par…

01 dezembro 2008

Meninos e Meninas Anos 50



Aparentemente, no Ensino Primário durante o Estado Novo, meninas e meninos aprendem o mesmo.
Na realidade, os papeis que se espera que venham a desempenhar são diferentes. A elas espera-as idilicamente um marido, os filhos, o lar… e as tarefas daí decorrentes. As mais abonadas terão criadas vindas geralmente da província, mas a todas compete zelar obedientemente pela harmonia familiar. Eles é o que se sabe.
Esta oitava edição de 1958 do livro (único) da 1ª Classe, encarrega-se logo de o explicar nas folhas interiores da capa e contra-capa.
O resto é feito na sala de aula, lá fora, em quase todo o lado…

26 novembro 2008

Escola Primária, Setúbal 1937

Da proibição do ensino religioso nas escolas oficiais (uma das medidas da laicização do Estado na 1ª República) à obrigatoriedade do crucifixo nas salas de aula pelo Estado Novo (Deus, a par da Pátria e da Família, é um dos pilares da Educação Nacional), podemos dar graças por as paredes das actuais salas estarem na maior parte das vezes decoradas com trabalhos dos alunos…

19 novembro 2008

Trabalhadores rurais, Quinta do Conde,1951

“A mulher casada, como o homem casado, é uma coluna da família, base indispensável de uma obra de reconstrução moral (…). Nos países ou nos lugares onde a mulher casada concorre com o trabalho do homem (…), a instituição da família pela qual nos batemos como pedra fundamental de uma sociedade bem organizada, ameaça ruína…Deixemos portanto o homem a lutar com a vida no exterior, na rua…e a mulher a defendê-la, a trazê-la nos seus braços, no interior da casa(…)” Salazar.
Estaremos portanto na presença de duas anarquistas, de duas intelectuais revolucionárias?

11 novembro 2008

O Valor Moral da Educação Física










O Estado Novo por vezes brinda-nos com pérolas inesperadas.
Este livro, editado nos anos 40 e com prefácio do Prof. Doutor Marcello Caetano, destina-se a associar a ginástica com aparelhagem à transmissão dos valores nacionalistas e do amor à Pátria.
Por exemplo, subir espaldares ajuda os jovens a fortalecer os braços, coisa normal não fosse o fortalecimento dos membros superiores estar relacionado com atacar os sarracenos ou ganhar vantagem no combate aos inimigos da Pátria …

05 novembro 2008

Cadernos escolares com motivos nacionalistas








Prova de passagem da 1ª para a 2ªclasse


Poderá parecer estranha esta fixação no tema dos pobrezinhos...
O Estado Novo, assente nos pilares Deus, Pátria, Autoridade, fazia também questão em formar os seus jovens na ideia de concórdia social, pelo que era dever ajudar os menos favorecidos de forma a que estes encarassem o facto agradecidos e com respeito...


28 outubro 2008

Mocidade Portuguesa


1944 Acampamento nacional da MP Alfeite

Em 1936 foi criada a Mocidade Portuguesa, organização juvenil que se tornou obrigatória para todos os jovens dos 11 aos 14 anos, com o objectivo de desenvolver a devoção à Pátria, o respeito pela ordem, o culto do chefe e o espírito militar.
Ao observar esta fotografia, ocorre que estes aspectos mais sérios entrariam sem que os rapazes dessem por isso…Da mesma forma que aprendiam as primeiras letras pronunciando naturalmente Salazar, Salvador…
Os miúdos sempre gostaram de fardas e de brincar às guerras. O Regime sabia isto perfeitamente. Desengane-se quem queira ver dor e sofrimento nesta aprendizagem.
A 10 de Agosto de 1944, o Chefe de Estado visita no Alfeite o acampamento da MP, sendo recebido pelo Professor Marcello Caetano, Comissário Nacional da Organização.
É provável que essa foto de grupo tenha saído um pouco diferente.

27 outubro 2008

Censura








O aspecto mais “bucólico” da Censura é o seu lado beato, ou seja, para além da compreensível supervisão em assuntos políticos e militares, estendeu o seu manto de vigilância às questões de conduta, decoro, escândalos amorosos, ao sabor do estabelecido e do não muito cosmopolita intelecto dos censores.
Em 1974, o jornal República exibirá com uma justificada pontinha de vingança uma faixa inferior afirmando “ESTE JORNAL NÃO FOI VISADO POR QUALQUER COMISSÃO DE CENSURA”.

Correspondente jornalístico,1955

Sobre que escreverá um correspondente do Diário de Lisboa na província em 1955?
Pode ter redigido uma nota sobre a pesarosa reacção da população do Pinhal Novo em resultado da expressiva derrota da Selecção Portuguesa frente à Suécia por 6-2 no dia 20 de Dezembro de 1955.
Seguramente já não lhe foi possível fazer qualquer referência aos cem indianos que atacaram um posto fiscal no distrito de Goa, ocorrido a 26 do mesmo mês.