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19 março 2020

O pote de ferro da minha bisavó





Este pote pertence à minha bisavó Maria Augusta.
Durante muitos anos ela cozinhou nestes potes. Eles eram colocados sobre as brasas ou lume e era onde se cozinhavam os alimentos.

Os meus bisavós, do lado meu pai, viviam no interior do país, na Beira alta, a 20 km do rio Douro.

Conta o meu avô (nascido a 1947) que base da confeção  alimentar naqueles anos passava por estes Potes. Numa região em que havia muita lenha, eles eram um dos utensílios principais numa cozinha. 
Como não havia frigoríficos, os alimentos eram cozidos, fritos, fumados ou salgados. Havia ainda alguns que eram conservados em vinagre e ou gordura.





Nos estratos sociais mais pobres, muitas casas não tinham cozinha.

No inicio do seculo XX e talvez antes, existia um canto aonde era possível uma lareira, que servia não só para cozinhar os alimentos, a maior parte das vezes com esta panelas, mas também para fumá-los.
 O fumo permitia conservar alguns alimentos, como a carne.
As panelas de ferro eram muito utilizadas no século passado para confeção dos alimentos ao calor da lareira.

A minha bisavó já não está em condições de contar estórias sobre o pote, por isso recorri aos meus avós.

 Questionei também o meu avô alentejano sobre se se utilizava estes utensílios na cozinha. Este disse-me que não, que no Alentejo eram usadas, ao contrário do centro e norte, panelas de barro e panelas de fogo e que os potes serviam para apanhar água, azeitona, servindo raramente como  um auxiliar na cozinha.

Francisco Pereira 9ºG


23 outubro 2016

Uma motorizada casal dos anos 70 no alentejo





Nesta foto podemos ver o ambiente no Alentejo nos anos 70, podendo observar que também as mulheres andavam de motorizada, escreve a Joana Pereira do 9º A que também encontrou a foto.
Ou, uma vez que seria mais comum a bicicleta, será que foi só para a fotografia? perguntam os outros. De qualquer modo, olhando atentamente, verificamos que o veículo está parado e assente no suporte...
                                                                                                                                    Joana Pereira 9ºA

20 outubro 2016

Alentejo anos 70





Nesta fotografia, tirada no coração do Alentejo, podemos ver bem patente o vestuário típico dos anos 70 : os cabelos compridos, as calças à “boca de sino”, as cores, as golas…
                                                                                                                      
                                                                                                                           Joana Pereira, 9º A




29 abril 2015

Santa Susana, Alentejo, década de 50.


Uma rua da aldeia alentejana de Santa Susana no início da década de 50,  por altura dos santos populares.
Vejam  se adivinham quem é a menina da foto....

24 abril 2015

O 25 de Abril através do olhar de Sebastião Salgado


Conheço relativamente bem a obra do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado e tinha a ideia de ter visto umas fotografias suas a propósito da revolução de Abril em Portugal. Com o tempo deixei de ter a certeza à força de não as encontrar.

Fazendo “escavações” na biblioteca, acabei por descobrir onde estavam. Trata-se de um pequeno livrinho intitulado “Um Fotógrafo de Abril”, da editorial caminho, editado em 1999 e destinado a comemorar o 25º aniversário do 25 de Abril. Contém algumas fotografias de Salgado em 1974 e 1975, ao serviço da agência fotográfica Sygma, precisamente com a missão de documentar o que se passava em Portugal com a “Revolução dos cravos”.

Das várias fotos escolhi esta porque sempre me perturbou. Trata-se da ocupação de um latifúndio por trabalhadores agrícolas, em Alcácer do Sal em outubro de 1975.

O que me fascina nesta fotografia é a invulgar capacidade do fotógrafo em captar a essência humana, neste caso, julgo eu, materializada na ideia de existirem sempre duas formas de ver a mesma coisa.
Os ocupantes parecem o resultado de um erro de “Casting”. Parecem vitoriosos mas ao mesmo tempo desconfortáveis nessa vitória quando, contrariando tudo o que aprenderam, tomam posse de coisas alheias.
Na realidade o que Salgado captou foi a incomunicabilidade desta espécie de duplo erro de casting. O cavaleiro, que protagoniza os anteriores proprietários, também está desenquadrado.

19 dezembro 2014

Foto de casamento


Esta fotografia, encontrada pelo Daniel Alves, do 9ºD, diz respeito ao casamento de uma tia-avó.  Decorria o ano de 1962 em Montemor-O-Novo, Alentejo.

31 março 2014

"À la minute" para sempre


 Cedidas pela D Edviges, apresentamos hoje três fotografias “à la minute” dos anos vinte e trinta, tiradas na feira de Alcácer-do-Sal. Assinale-se que bastava a rua e uma cortina por trás com a inevitável floreira em madeira a servir de cenário. Para mais tarde recordar.


Não perca sobre esta arte esta interessante reportagem elaborada pelo jornal O Público : http://static.publico.pt/20Anos/20Historias/VianaCastelo

Apresentamos também imagens destes fotógrafos numa colagem feita a partir de fotografias recolhidas na net. Na impossibilidade de agradecer e referir todos os créditos das fotos, o nosso muito obrigado pela partilha.


12 fevereiro 2014

Descobrimos um S. Valentim genuinamente português


Cansados da celebração de efemérides alheias que nos soam forçadas e estranhas, descobrimos, graças à D. Edviges, esta peça extraordinária que vos apresentamos.
E tem a ver com namorados, como verão…

Na aldeia alentejana de S. Cristóvão, perto de Montemor-o-Novo, realizava-se uma atividade própria dos bailes da aldeia que consistia em tirar umas rifas onde estavam escritos os nomes dos rapazes e raparigas.
Caso um rapaz tirasse o nome de uma rapariga, teria de arranjar maneira de lhe oferecer uma saia ou uma camisa. Caso lhe saísse a ela o nome de um moço, teria de bordar um lenço com o nome dele e que seria utilizado pelo próprio para limpar a lâmina de fazer a barba.


No presente caso, este lenço, com a data de 1891, foi bordado pela D. Júlia Carvalho. Resta acrescentar que viria a casar com o rapaz a quem o lenço foi oferecido, após o correspondente período de namoro.

29 janeiro 2014

O abegão e os seus aprendizes


Ao olharmos para esta fotografia, cedida pela D. Edviges, colaboradora deste blogue e nossa consultora privilegiada para assuntos alentejanos, dificilmente imaginaríamos que o ofício de abegão , conforme  aqui  pode ser lido, está na moda e as carroças também.
Regra geral o termo abegão designa no Alentejo o responsável pela lavoura que dirigia os ganhões. Por vezes, fazia trabalho de carpinteiro, consertando as alfaias agrícolas.
Também considerado carpinteiro de obra grossa, dedicava-se aos trabalhos em madeira, de modo a construir e reparar carros puxados por animais ou mesmo outros utensílios agrícolas.
Estes nossos abegões foram fotografados a trabalhar na sua oficina perto de Montemor-o-Novo no final dos anos 40.



16 janeiro 2014

"As serviçais"



Esta fotografia, cedida pela D. Edviges, foi tirada no início dos anos 50 na herdade Vale de Reis, perto de Alcácer do Sal.
Dado o número de atividades de caráter lúdico a que se dedicavam os donos da casa e convidados, era preciso um reforço da criadagem, vendo-se aqui as internas da herdade e as criadas que vinham da cidade (Setúbal). Uma das patroas, no canto inferior direito, decidiu posar com elas.
Familiares e convidados sazonais deliciavam-se com as caçadas, a matança do porco e as “agarras”, uma espécie de tourada em que o divertimento era tentar agarrar o gado.


03 dezembro 2013

Cortejo de oferendas, Vidigueira, 1946


Esta fotografia, que nos foi cedida por uma antiga aluna, retrata o pormenor de um cortejo de oferendas realizado na Vidigueira em 1946. Não foi possível apurar a favor de que instituição se realizou este angariar de fundos tão ao gosto popular...

27 novembro 2013

Roupas domingueiras


Nesta fotografia vemos duas jovens senhoras em plena pose, junto ao cenário montado pelo fotógrafo “à la minute”.
Nos seus trajos domingueiros elas não quiseram deixar de registar a sua ida à feira de Alcácer-do-sal, no Alentejo.
Deste dia provavelmente soalheiro – não se tiram fotografias em cenários montados ao ar livre quando chove… - sobrarão promessas, corações derretidos e compras. Afinal de contas sempre é uma feira.
Esta foto, que data dos anos 40, foi-nos cedida pela D. Edviges, assistente operacional na nossa escola de Azeitão. Com muitos risos e informações às torrentes. Bem haja!




10 junho 2012

Alentejo, anos 60. Memórias - 2º parte.




"Da zona do Algarve, mas propriamente de Odeceixe, Rogil, Aljezur, Maria Vinagre, também chegavam mulheres, que permaneciam na Herdade entre Maio e Junho, mas neste caso para trabalharem apenas na apanha do arroz e na monda. Ao contrário do povo do norte, estas trabalhadoras, instalavam-se em grandes casarões, e dividiam o espaço entre elas.
Também tinham por hábito efectuarem as refeições ao lar livre, e por vezes chegavam a ser perto de uma centena de fogueiras a arder, pois cada uma delas confeccionava individualmente os seus alimentos.

No mês de Agosto, para o final das mondas e início das ceifas, chegavam mais ranchos de gente, oriundos de Grândola e Santo André. Também estes se instalavam em grandes casarões, mas a sua forma de estar em comunidade era diferente dos restantes. O dormitório era dividido por biombos, e para a confecção dos alimentos recorriam a uma única fogueira em que cada um deles, colocava a cozinhar os alimentos numa panela de barro.  

Toda esta diversidade de culturas trazia uma grande animação á Herdade, e apesar do trabalho duro, aos sábados e domingos à noite, havia sempre baile, no qual todos participavam.
As sementeiras dos viveiros começavam em Março, e em Junho começavam as plantações em grandes canteiros com muros de 100 em 100 metros. As condições de trabalho eram muito difíceis, pois trabalhava-se com água e lama por cima dos joelhos, e na água, para além de conchas, existia uma grande variedade de bichos, desde cobras a saltérios, que por vezes provocam mordeduras dolorosas. Ainda me recordo de uma espécie de liquido, em pequenas garrafas, que utilizávamos para pôr nas pernas, ás vezes já em ferida."

D. Maria Edviges, assistente operacional

10 maio 2012

Alentejo, anos 50. Memórias - 1º parte.



Naquela altura (anos 50), apenas a minha mãe e o meu padrasto, já sabiam ler, logo quando alguém queria escrever uma carta, ou ler alguma notícia, deslocavam-se até à nossa casa. Para além disso éramos os únicos com telefonia, e por vezes a casa enchia-se de gente ávida por ouvir a rádio. Recordo-me do episódio, ocorrido nos anos 60, em que o Henrique Galvão, roubou o barco “Santa Maria”, e da enchente de gente que chegou para ouvir a notícia.
(…)
Perto da Herdade da Terça, junto à estrada de acesso a Alcácer do Sal, existiam duas tabernas e uma mercearia, local onde nos íamos abastecer de todos os bens necessários. Este local era conhecido por “Estalagem de Alberges”, e era ai onde se realizavam as festas, bailes, e até mesmo circos, frequentados por todos os habitantes dos montes vizinhos.
(…)
A Herdade era também povoada, no período de Inverno, por gente vinda do norte do país, para efectuarem trabalhos de cava das lamas. Estes trabalhadores chegavam em Outubro, e partiam para as suas terras em Junho. A maioria chegava sozinho, apenas quem trazia a família, era o homem que os chefiava, denominado de “moiral”. Tinham hábitos diferentes dos nossos, e tomavam as refeições ao ar livre, através da utilização de grande caldeira de cobre, suspensa por um ferro, onde por baixo da mesma era efectuado lume, para a cozedura dos alimentos. Também faziam o seu próprio pão de milho, pois não gostavam do nosso que era elaborado à base de trigo.

      D. Maria Edviges, assistente operacional

_________
A foto retrata as costureiras da aldeia de S. Cristóvão, Montemor-O-Novo, nos anos 50.
A menina é a autora destas memórias.

24 abril 2012

Um D.Quixote português



Esta fotografia, cedida pela D. Edviges, tem uma história muito engraçada. Este senhor, seu bisavô, era o homem mais alto da aldeia de S. Cristóvão, Montemor-O-Novo. Terá sido o seu tamanho lendário que fez deslocar-se de Évora propositadamente um fotógrafo. A imagem tem datação imprecisa, situando-se nos primeiros anos do século XX.

08 fevereiro 2012

Fotografia com duas cadeiras e pano de fundo




À sua maneira, esta é uma fotografia de estúdio, cerimoniosa como todas as fotografias de estúdio.
Olhando atentamente para o chão, verificamos que ela foi tirada ao ar livre (como o eram no século XIX todas as que eram feitas fora do ateliê por causa da luz) , bastando duas cadeiras e um pano colocado atrás para que o cenário se construísse.
Data de finais do século XIX, desconhecendo nós o motivo que justificou a ida do fotógrafo para registar toda esta pompa e circunstância. A senhora que aparece atrás ao centro é a progenitora desta considerável prole, tendo enviuvado não há muito tempo. Coube-lhe gerir com mão firme os pertences da família, coisa digna de memória no Alentejo dessa altura, mais concretamente em S. Cristóvão, Montemor- O- Novo.
(fotografia gentilmente cedida pela D.Edviges)