04 junho 2020

O RÁDIO DOS MEUS AVÓS






Este rádio foi fabricado por uma marca alemã (Schawb  lorenz) e pertenceu durante muitos anos à madrinha da minha avó.


 Após a morte dela, esta relíquia foi entregue à minha avó que pouco tempo depois casou com o meu avô que trabalhava no banco desde os seus 13 anos e foram morar para um apartamento no bairro da Madre Deus situado em Lisboa.

 Passados alguns anos quando os meus pais casaram, vieram morar para Azeitão e o rádio veio também. Apesar de já não funcionar é uma relíquia na nossa família.

Esta máquina fantástica é constituída por um rádio e um gira discos. Eu gostava muito que o rádio funcionasse porque gosto muito de gira discos e sempre quis ouvir alguma música que “saía” de um disco de vinil.
                                                                Diogo Lopes 9ºF


27 março 2020

A "Guerra" do Bacalhau


     O meu avô materno chamava-se António Soares Baptista, nasceu a 28 de dezembro de 1939 e faleceu a 17 de setembro de 2014.
        Aos 18 anos de idade o meu avô teve de fazer uma escolha muito importante na sua vida: cumprir o serviço militar ou ir para a pesca do bacalhau.
       A sua opção foi ir para a pesca do bacalhau onde andou durante 9 anos em vários navios passando por grandes tormentas.
       Atualmente, o meu avô, o meu bisavô e outros familiares encontram-se nos registos dos “Homens e Navios do Bacalhau” no Museu Marítimo de Ílhavo e no Museu da Marinha.


Ainda antes do Estado Novo, em 1927, foi promulgada a primeira legislação pelos Governos da Ditadura Militar que isentava de serviço militar os pescadores que fizessem seis campanhas consecutivas na Terra Nova.
Mais tarde, a forte vaga de emigração dos anos 60, a natureza obsoleta da pesca à linha, no período coincidente com as guerras coloniais em África, fizeram com que surgissem sérios problemas de recrutamento. Era difícil formar as tripulações por falta de mão-de-obra. O decreto de 1927 voltou a ser importante e “proporcionou a muitos homens um dilema humano que hoje nos impressiona: embarcar num bacalhoeiro e escapar ou ir para a guerra de África.





“Naquele tempo, quem fosse para o bacalhau não ia para Angola, havia lá a guerra”.

          Nas palavras de Zé Miguel, antigo pescador da pesca do bacalhau: “A bordo iam cerca de 65 homens”. As viagens ao bacalhau eram campanhas sazonais, cerca de seis meses, entre abril e outubro. “Dormíamos dois a dois e a comida era sempre a mesma coisa: chá ou leite feito de pó, grão, feijão e batatas. Foi assim a vida”, desabafa. 
        Era no rancho, à proa do navio, onde se comia e dormia. Os pescadores dormiam vestidos, dois a dois normalmente por relações de parentesco e o fogão estava sempre acesso para aquecer os homens. Havia falta de água potável, “tínhamos uma caneca de água por dia, para lavar a cara, as mãos e para beber”.
     Os problemas de saúde eram frequentes e os homens trabalhavam “até aos limites quando havia peixe e o tempo o permitia, era um esforço sobre-humano”, afirma Álvaro Garrido(consultor do Museu Marítimo de Ílhavo)
   Esse trabalho permitia-lhes “a possibilidade de um rendimento fixo e regular que as outras pescas não davam”, explica-nos. Para a economia e vida social das comunidades marítimas portuguesas, “foi um modo de vida importante que reflete bem o atraso do país, a miséria social que grassava nas comunidades dos pescadores”.
     Zé Miguel ainda se lembra do seu primeiro ordenado, “foi 20 escudos por um quintal de bacalhau” ou seja, 12 mil quilos de bacalhau.

                    David Calado 9º G


19 março 2020

O pote de ferro da minha bisavó





Este pote pertence à minha bisavó Maria Augusta.
Durante muitos anos ela cozinhou nestes potes. Eles eram colocados sobre as brasas ou lume e era onde se cozinhavam os alimentos.

Os meus bisavós, do lado meu pai, viviam no interior do país, na Beira alta, a 20 km do rio Douro.

Conta o meu avô (nascido a 1947) que base da confeção  alimentar naqueles anos passava por estes Potes. Numa região em que havia muita lenha, eles eram um dos utensílios principais numa cozinha. 
Como não havia frigoríficos, os alimentos eram cozidos, fritos, fumados ou salgados. Havia ainda alguns que eram conservados em vinagre e ou gordura.





Nos estratos sociais mais pobres, muitas casas não tinham cozinha.

No inicio do seculo XX e talvez antes, existia um canto aonde era possível uma lareira, que servia não só para cozinhar os alimentos, a maior parte das vezes com esta panelas, mas também para fumá-los.
 O fumo permitia conservar alguns alimentos, como a carne.
As panelas de ferro eram muito utilizadas no século passado para confeção dos alimentos ao calor da lareira.

A minha bisavó já não está em condições de contar estórias sobre o pote, por isso recorri aos meus avós.

 Questionei também o meu avô alentejano sobre se se utilizava estes utensílios na cozinha. Este disse-me que não, que no Alentejo eram usadas, ao contrário do centro e norte, panelas de barro e panelas de fogo e que os potes serviam para apanhar água, azeitona, servindo raramente como  um auxiliar na cozinha.

Francisco Pereira 9ºG


17 março 2020

Os modernos sacos da Casa Joel


A Casa do Joel, de Joel da Cruz Perdigão, inaugurada em 14/1/1951, ficava em Brejos de Azeitão e vendia de tudo um pouco.
Depois de 1974 começou só a vender roupa e foi nessa altura que foram encomendados 25.000 sacos para a loja, 15.000 com asas e os restantes sem estas pegas maiores.

Em 1981 a mercearia deu lugar a duas lojas, uma de roupa e outra de calçado, encerradas em 2.000 por reforma do proprietário.






Miguel Perdigão 9º F

04 dezembro 2019

Lutar contra o analfabetismo


Na primeira década do século XX, a taxa de analfabetismo era altíssima, rondava os 77%. Como se pode constatar pelo bilhete de identidade, em cima apresentado, o meu trisavô era uma das muitas pessoas analfabetas da altura.

 Na 1ªrépública (1910-1926) foram implantadas várias medidas para resolver este problema, pois os republicanos acreditavam na importância da educação como forma de promover o desenvolvimento do ser humano e do país.
Em baixo estão algumas das medidas implementadas:
-Foram criadas escolas primárias
-A escolaridade passou a ser obrigatória e gratuita para crianças dos 7 aos 10 anos
-Foram fundadas escolas agrícolas, industriais e técnicas , e escolas para a formação de professores do ensino primário.
-Fundação das universidades de Lisboa e do Porto.
-Os republicanos apoiaram as associações recreativas e culturais. Em muitas delas existiam bibliotecas, salas de leitura infantil, etc…

Com todas as medidas implantadas pelos republicanos a taxa de analfabetismo baixou. No entanto continuou elevada. Em 1920, 70% da população portuguesa era analfabeta, em 1930, 67% da população continuava analfabeta.




                 Carolina Camões, 9º G

21 outubro 2019

Mulher e taxista








Entrevista com Sónia Saldanha

1. Como foi ser mulher e taxista?
Foi bom. Uma profissão diferente. Ser mulher e taxista foi uma experiência agradável já que ser taxista é visto como uma profissão de homens e há que combater o preconceito. Há 20 anos atrás, quando comecei nos táxis acabava sempre por ser discriminada por muitos colegas.

2. Na tua opinião, quais eram as vantagens e as desvantagens?

Desvantagens:
- O facto de ser mulher;
- Ser frágil;
- Estar exposta.

Vantagens:
- Não vejo nenhuma além de ter trabalho/lutar contra o preconceito.

3. Sofreste algum tipo de discriminação?
Fui desrespeitada por outros homens, a nível de tentarem ´´passar a perna´´ a nível de serviços e também tentarem aproveitar de ser mulher.

4. Aconteceu algum episódio machista?
Como disse há pouco, ultrapassarem-me para apanharem um cliente a seguir e eu como mulher não podia fazer nada, ficava calada. Há sempre receio.
5. E episódios curiosos?
Transportar algumas vezes o saudoso Nicolau Breyner sempre muito amável e transpirava simpatia.

Débora Cardoso, 9º F

01 fevereiro 2019

 Cartão de identidade de Sócio aprendiz de Tanoeiro em 1957
                                                                                                      Alexandre 9º B

14 janeiro 2019





Esta foto representa a passagem do ano de 1965-66, festejada a bordo da lancha LDM304 na Guiné-Bissau no tempo da Guerra colonial.

Jorge Costa 9º C

07 junho 2018

"Amor em tempo de guerra"





Esta é uma carta de amor trocada entre a minha avó e o meu avô que se encontrava na Guerra Colonial em Moçambique em 1969.
Esta carta suscitou-me interesse de entre todas as outras pelo facto de ter sido enviada pela altura do natal . Tinha o objetivo de ser diferente como um presente, tendo um formato tridimensional ao abrir, formando um ramo de flores.




No corpo de texto da carta demonstra-se a dor e a saudade que ambos sentiam nesses tempos muito difíceis.

Achei bastante engraçado pois o meu avô era bastante carinhoso e delicado perante a minha avó.




Maria Marta 9º D

06 junho 2018

Dyane Nazaré








Citroën Dyane foi um veículo produzido entre 1967 e 1983 pela Citroën.
Com um total de 1 443 583 exemplares comercializados, este modelo teve a sua produção interrompida em 1983.

A fábrica portuguesa da Citroën, localizada em Mangualde, produziu naquela época 27 660 automóveis deste modelo.
Foram produzidas para o mercado português duas versões exclusivas: a Dyane Dyanissima e a Dyane Nazaré. Na fotografia temos uma Dyane Nazaré.

Ana Cortes 9º D

03 maio 2018

Uma época de experiências e de procuras





Esta imagem foi retirada da capa da revista alemã  “Der Spiegel”, mais particularmente na revista número 23 lançada em 2 de junho de 1975, em mais de 50 países. Nesta edição podemos observar, na capa da revista, uma manifestação comunista e o título da revista diz “O estado membro da NATO, Portugal, é comunista ?”.

Na capa podemos encontrar também o meu avô que estava presente na manifestação e que é o segundo a contar da esquerda na fila de baixo.
Esta era uma época de experiências e de procuras. Mais tarde, desiludido com o estalinismo e a ortodoxia comunista, continuaria a ter uma sensibilidade de esquerda na forma de olhar as coisas.

Duarte Bruschy, 9º C







15 abril 2018

Amor em tempos de Guerra




Ao desfolhar o álbum de retratos da guerra do ultramar do meu avô, encontro estas fotos que mostram o namoro entre eles durante a guerra. Cada vez que uma carta chegava a minha avó podia ler sobre as saudades e o desejo de voltar para casa brevemente. A minha avó respondia lhe e contava- lhe sobre as notícias da terra, os eventos de família e as saudades que sentia dele. Durante muitos meses, este era o meio através do qual namoravam. Foi muito engraçado folhear o álbum de fotografias que têm dessa época, e mais ainda sobre o tempo que passei a falar com os meus avos sobre estas recordações.








O meu avô ainda hoje se sente muito orgulhoso sobre as experiencias que viveu na mata e com os animais selvagens.





Após uma longa conversa como meu avô, fiquei a saber que estas chapas serviam para identificar os soldados e em caso de morte estas eram partidas ao meio, pelo picotado, ficando metade para a família e a outra metade ficaria junto do corpo. 




Marta luís  9ºF

11 janeiro 2018

Cercados pela àgua...

 Tinha chovido muito na noite anterior, a chuva arrastou os carros da picada.
Para retirarem os carros abriram uma passagem no mato para que quando o caudal da água baixasse pudessem empurrar os carros para a estrada novamente.



Naquela altura os carros eram de uma marca chamada Berliet Francesa.

Neste período de 48 horas, uma avioneta foi ao local para os abastecer com mantimentos, mas os soldados pensavam que iam sair dali rapidamente então não os aceitaram.



No momento seguinte arrependeram-se, pois, viram que estavam a demorar mais tempo que o esperado.

A situação agravou-se e os soldados ficaram sem comer e beber durante as mesmas 48 horas.

Margarida Pinta, 9º A


10 novembro 2017

É fascinante o que um livro antigo tem dentro




Este livro de contos de Fialho D`Almeida intitulado “O Paiz das Uvas”, foi editado pela sexta vez em 1922.


Tem colado na contracapa um ex libris com o lema “vincit qui se vincit”, lema escolhido pelo proprietário, Eduardo Brazão, e que quer dizer “Tudo acontece por uma razão”.

Foi dedicado por Fialho D´Almeida a Maria Amalia Vaz de Carvalho, falecida cerca de um ano antes.




                  Mariana Santos, 9ºF

06 novembro 2017

A arte de bem engomar




Estes ferros de engomar estão na família desde o inicio do sec. XX. O ferro maior tem um deposito onde se colocavam as brasas para aquecer o ferro, o mais pequeno é um ferro de viagem e aquecia-se colocando em cima do fogão a lenha.

A origem do ferro de engomar é atribuída aos chineses no sec. VIII.


 No sec. XIII, na Europa, também se colocava carvão em brasa numa caixa fechada, com pega em cima, para passar a roupa. Foram varias as alternativas que apareceram, mas a que se tornou mais popular foi a de aquecer, externamente, uma peça de ferro com pega e colocar sobre a roupa. Foi neste objeto que teve origem a expressão “ferro de passar”.

     Guilherme Cardoso, 9º E


18 outubro 2017

Uma prenda para ir provando...




Botija de whisky escocês. Edição limitada, foi oferecida ao meu avô por um casal de ferroviários escoceses que vieram passar férias em sua casa em 1950.
Bilha feita à mão pela empresa Thom & Cameron fundada em 1888.
Terá entre 108 e 117 anos.







                             

                                Guilherme Cardoso, 9º E

01 maio 2017

Maio de 68




Um postal editado em 1988 pelo bar “Fora de Moda”, de Setúbal,  alusivo aos vinte anos do Maio de 68.

28 abril 2017

"Carros de luxo"



Este carro sem rodas, feito em vime e madeira e puxado por bois, deslocava-se como um trenó.
Até ao primeiro quartel do século XX era um meio muito usado no Funchal, para fins turísticos, casamentos, funerais ou fins mais vulgares do transporte diário.

Postal cedido pela antiga aluna Andreia Monteiro

08 abril 2017

Diário da Guerra Colonial : 23 de março de 1965 - uma página marcante.



António Paulo Bastos, meu avô, nasceu a 29 de setembro de 1943. Foi recrutado para participar na Guerra Colonial na Guiné. Saiu de Portugal a 15 de julho de 1964 permanecendo lá até 1966.
 Conto assim um dos seus episódios que mais o marcou e que li no seu diário de guerra



A 23 de março de 1965 o meu avô acordou às 4:00 da manhã em Farim e preparou-se para a grande operação Canjambarin.
 Saiu em direção a uma povoação chamada Jumbembem, onde se encontravam mais tropas portuguesas, que se juntaram e seguiram para a missão.

Por volta das 6:30 deu-se um rebentamento de uma mina debaixo de uma viatura
 "Começou o festival”, segundo escreveu no diário. O pelotão de morteiros português começou a disparar para a retaguarda do inimigo. A fox (carro blindado) passou para a frente e disparava com as suas duas metralhadoras e pessoas no terreno. A mistura de barulhos e um intenso cheiro a pólvora fê-lo pensar: "É desta que não te escapas".


Perto das 8:30 horas, o inimigo parou de fazer fogo, pois deviam estar a retirar os feridos e mortos.
 Aproveitando-se da situação, as tropas portuguesas avançavam com o objetivo de chegar a Canjambarin. De repente o adversário ataca com morteiros 82, de longe, e ninguém sabia de onde vinha. Por volta das 14:00, o comandante chama os bombardeiros aéreos que largam 4 bombas sobre o inimigo.

Ás 16:00 chegam as tropas portuguesas a Canjambarin e fica assim concluída uma das missões. Não houve baixas portuguesas mas por parte do inimigo houve bastantes mortes e feridos pois via-se o rasto de sangue pelo chão.


                                                                                                                Inês Bastos 9ºF

27 março 2017

Noivos em Azeitão nos anos 60




Os meus avós maternos nasceram em 1938 e 1941. Quando casaram teriam por volta de vinte anos, pelo que esta fotografia data dos anos 60.
O casamento realizou-se na zona de Azeitão.
                                                                                                                                  Sofia Monteiro 9ºA

30 janeiro 2017

Um "eminente sábio" ... na arte de bem propagandear...




O Estado Novo foi um regime autoritário e repressivo cujo funcionamento dependia de órgãos como a polícia política, a censura e a propaganda.
Com a criação do secretariado de propaganda nacional, procurava-se a divulgação de grandes eventos e de grandes obras públicas, para enaltecer o papel do Estado e do chefe.
Este livro escolar contém propaganda a Salazar com o objetivo de passar aos alunos a imagem de Salazar como “Salvador da Pátria”.
Nos dias de hoje é impensável e difícil de imaginar os manuais de História fazerem propaganda política de forma tão descarada.

Maria Leonor Alves, 9º F



(clicar na imagem para ampliar)

24 janeiro 2017

O meu trisavô Manoel na Grande Guerra




                                                                                             Duarte Formas 9ºC

11 janeiro 2017

Coisas simples e fantásticas... 🎲



Este pequeno objeto, um brinquedo adquirido nas feiras nos anos 60 e que ainda conservo, consiste numa pequena base circular com duas balizas em metal e uma bola. Fazia as delícias da pequenada, dando origem a épicas brigas pela sua posse durante as viagens de carro. 

🎲