31 maio 2010

A Guerra ao longe - Portugal,anos 40


Numa tarde, de regresso a casa e a propósito de algumas fotografias, tive uma conversa com o meu avô acerca das dificuldades que vivera na sua infância por causa da II Guerra Mundial. São algumas das suas recordações desse tempo que transcrevo aqui.
“A vida nessa altura era muito difícil por vários motivos. Falta de empregos, de alimentação… a distribuição dos alimentos era controlada pelo Estado e só se podia ir às mercearias, certas lojas e padarias comprar aquilo que era indicado nas senhas que nos eram distribuídas, de acordo com o número de pessoas da família. Tudo isto deu origem ao mercado negro, que vendia por fora as coisas que nós precisávamos. Mas para isso era preciso dinheiro e muitas das pessoas não tinham, só os mais ricos


Salazar vendia os alimentos que nos eram necessários aos países que estavam em guerra, jogava dos dois lados.
Portugal era um centro de espionagem, no Estoril, Sintra, Cascais, Lisboa. Lembro-me também das minas de volfrâmio, que era um minério indispensável para fazer armas e Portugal ganhou muito com a exportação desses materiais.
Lembro-me também de quanto era difícil arranjar petróleo para os candeeiros, e como os meus pais se viam aflitos para o conseguir comprar. Para fazer comer tinham de usar serradura que se vendia em muitos sítios e punha-se no fogão para fazer lume.”

Mafalda Rydin, 9ºB

26 maio 2010

Orquestra Bohémia – 1955



Orquestra Bohémia – 1955.
A Sociedade Filarmónica Providência de Vila Fresca de Azeitão, passou a ser patrocinada pela empresa os “Belos”, a partir de 1950. Em 1953, para ingressar na banda, vindo da Timbre Seixalense, apareceu um senhor chamado Mário Fabrício, que passou a ser professor de música. A certa altura, este pensou em organizar uma orquestra ligeira, à qual deu o nome de Bohémia, cujas estantes foram concebidas na oficina dos Belos. Esta orquestra realizou vários espectáculos em Azeitão, Setúbal, Santana e, com maior sucesso, no Salão dos Bombeiros Voluntários de Benavente. A fotografia em cima apresentada foi tirada na Sala da Sociedade Providência de Vila Fresca, num dos tantos concertos realizados. A orquestra foi extinta em 1960, devido a uma operação ao coração a que o maestro foi submetido, sem que ninguém o substituísse.
Da esquerda para a direita: Mário Fabrício – Trombone; João Cândido da Silva(o meu avô materno) – 1º Trompete; David Carvalho – 2º Trompete; Estrela Peralta – Acordeão; Agostinho Caineta – Saxofone Alto; José Manuel Cordeiro – Saxofone Barítono; Viriato Campos – Saxofone Tenor. E em cima, Frederico Carvalho – Baterista; e José Pedro Pombo – Vocalista.

Inês Malta, 9ºF

20 maio 2010

Quando vida queria dizer aventura...

Enquanto conversava com os meus avós, vim a descobrir que o meu trisavô, José Alves Cabral Sacadura, foi um dos heróis de Chaimite que ajudou a derrotar o Gungunhana.
Interessei-me tanto pela sua (minha também) história, que procurei mais fotografias e informação.
Vim assim a apurar que nasceu em Celorico da Beira em 1862. Como era o 2º filho (era a época do Morgadio, em que só o filho mais velho herdava as propriedades da família) foi destinado ao exército.
Formou-se na escola de Artilharia de Vendas Novas.
Foi um dos fundadores da cidade da Beira em Moçambique.
Fez parte da missão contra o Gungunhana, como 1º Tenente, sob o comando do Major Caldas Xavier, e mais tarde de Mouzinho de Albuquerque.




Após a vitória, foi armado Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, por feitos na campanha de Moçambique em 1895, tendo recebido do Rei D. Carlos a faixa que ele mesmo usava (a minha trisavó contava que o Rei tirou a sua faixa do pescoço para pôr no do Trisavô!).
Recebeu também as medalhas Militares da Rainha D. Amélia e outras por bons serviços à Coroa.
A carabina por ele usada na campanha de África está exposta no Museu do Exército





Após a implantação da República (como é de calcular, era monárquico), passou à reserva (reformou-se), mas durante a 1ª Guerra Mundial, foi chamado para comandar o Quartel de Brancanes em Setúbal.
Espero não ter maçado o leitor, mas é que os pormenores me despertaram tanto a vontade de saber mais…

Francisco Cunha Rêgo ,9ºE

11 maio 2010

Questões interiores



Esta menina terá hoje à volta de cinquenta e poucos anos. Talvez seja uma das muitas pessoas que hoje no Terreiro do Paço assistiu à Missa celebrada por Bento XVI …

09 maio 2010

Benfica,1960



Aos nossos visitantes Benfiquistas deixamos uma pequena lembrança. Uma capa de uma carteira de sócio do ano de 1960.

05 maio 2010

Um casulo de luz, essa tarde.




Um casulo de luz, essa tarde. Como à beira de um rio no meio de tanta gente. Uma felicidade que abafa os sons para deixar na memória apenas os risos e estranhamente aquela toalha de linho que nunca chegou a aparecer. Como se a luz da tarde incidisse apenas em nós, como nos sonhos.

03 maio 2010

Telefones em 1950





Talvez um simples número consiga falar por si – em 1950 existiam em Portugal ( Continente e Ilhas) 152.973 assinantes de telefone.
Hoje, com telemóveis, emails, facebooks e outros, pode parecer estranho como se conseguia. Mas conseguia-se. E ia-se telefonar a casa do familiar que o tinha, ao vizinho… ao único sítio da aldeia onde havia… e todo esse cerimonial era pretexto de uma conversa, uma visita, saber as “últimas”, coscuvilhar um bocado, se fosse caso disso… Marcar o número … esperar…o silêncio que se fazia…
jmv