Mostrar mensagens com a etiqueta Notas biográficas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Notas biográficas. Mostrar todas as mensagens

03 fevereiro 2014

Por detrás dos cargos... as pessoas...



João Batista Duarte Pinheira, nascido a 24 de Setembro de 1905 no Bombarral, filho de António Joaquim Pinheira e de Mafalda Maria Duarte Pinheira, formou-se em medicina pela universidade de Lisboa.
Foi promovido a inspector superior de saúde do ultramar em 30 de Dezembro de 1960.




 Ao longo da sua carreira, foi um homem em quem os doentes confiavam, e por quem tinham um carinho enorme, mas a esse respeito sei de muito pouco, pois não o cheguei a conhecer.




Quem sabe melhor o seu lado humano é a minha mãe, e por isso lhe pedi um texto a explicar exactamente esse lado do meu bisavô.



“No trato pessoal e familiar, tinha como características marcantes ser um homem de grande humanidade, generosamente sempre atento às necessidades de todos com quem se cruzava. De coração bondoso, olhar terno, mas ao mesmo tempo autoritário, duramente implacável e desarmante na frontalidade com que expressava as suas fortes convicções.
 Com um grande sentido de Justiça, íntegro de carácter, apreciava e valorizava nos outros a sinceridade, a honestidade, a nobreza de carácter, a boa educação, a pontualidade, o esforço e mérito. Entregou-se de corpo e alma à causa pública e  talvez por isso tenha sido um pai um pouco ausente, mas atento e exigente.
 Teve 5 filhos. Como avô de 10 netos, todos o respeitavam pela figura naturalmente patriarcal, mas dava lugar aos afectos. Até ao fim da vida, com mais de 80 anos o víamos sair cedo de casa para ir a congressos de medicina, almoçar ao Chiado ou à Biblioteca Nacional, jogar Bridge com os amigos. Sempre foi um homem muito activo e lúcido, com uma vida muito preenchida e bem vivida.”

  Maria Beatriz Vale, 9ºD

21 maio 2012

Com Salvador Dali... recordações.


No outro dia estava em casa dos meus avós e encontrei um jornal, já antigo. Perguntei à minha avó porque o guardava, e de seguida mostrou-me a parte de trás do jornal onde estava uma fotografia dos meus bisavós com Salvador Dalí e sua mulher, Gala. Pedi à minha avó, Maria Antónia Moraes, para me escrever um texto, com recordações e momentos divertidos que passou com Dali.

                                                                                             

“Desde que me lembro, Salvador Dali esteve presente na minha memória. Em 1940, tinha eu pouco mais de três anos, quando Dali e Gala, sua mulher, vieram a Lisboa. Sendo ele grande amigo dos meus pais, tinha pedido ao meu pai que o ajudasse no envio dos seus quadros para a sua primeira exposição em Nova Iorque. Esta vinda coincidiu com a Exposição do Mundo Português. Durante os dias que aqui passaram, estiveram em nossa casa e saíam com os meus pais. Foram descobertos por um jornalista, quando jantavam juntos na Exposição, e a fotografia foi publicada no Diário de Notícias.

Salvador, era amigo de infância de minha mãe. Os seus pais, amigos dos meus avós. O pai era o notário de Figueras, na Catalunha, e esta família era muito conhecida e respeitada. A irmã, Ana Maria, cresceu junto com a minha mãe, eram grandes amigas.

Um episódio na vida de Dali, quando era muito novo, em que, ele, Ana Maria e a minha mãe muito se divertiram, foi quando um jornalista de Madrid chegou a Figueras para  lhe fazer a sua primeira entrevista. Salvador chamou-as dizendo: «venham depressa, ajudem-me! Quero virar os quadros ao contrário, e vão ver como dou a entrevista e me divirto imenso!» Assim aconteceu e o jornalista não percebeu a brincadeira!  Até ao fim da vida deles, este episódio foi recordado.
    
No verão quando íamos passar um mês de férias a Calella de Palafrugell, onde estavam os meus avós paternos, sabíamos que uma tarde era dedicada a visitar Dali, em sua casa de Port- Lligat. Encantavam-me essas visitas! Ele recebia-nos com muita amizade e simplicidade. A tarde passava sem darmos conta. Lanchávamos no jardim. As conversas eram interessantes, parecia que tínhamos entrado noutro mundo.

 Dali, mostráva-nos os  seus últimos quadros, que ainda se encontravam no atelier. Tocou-me  intensamente  a «Última Ceia», que tinha acabado de pintar: a luz, que entrava pela janela, iluminava-o de tal maneira que me parecia  ver uma cena real. Tive o impulso de querer tocar com a minha mão nos mantos dos Apóstolos, e sentir a  sua textura entre os meus dedos. Também nos mostrava as maquetes das peças e jóias que fazia; algumas com movimento: relembro um vaso com borboletas a voar. A sua imaginação era imparável.


Connosco tinha sempre conversas normais, a sua atitude era sempre natural e agradável. Impressionava-me o seu bigode, todo levantado e rígido, graças a um fixador ou goma (nunca percebi como). Nas pontas colocava duas pequenas flores brancas. Numa das tardes, em que  me desenhou uma formiga no meu livro de autógrafos, tirando uma flor do bigode, disse-me: «queres ficar com esta flor como recordação?» Claro que quis! Ainda a guardo dentro do mesmo livro.

Outro episódio curioso: numa viagem a Paris , o meu pai encontrou-o por acaso no mesmo hotel onde se hospedava. Combinaram, tomar no dia seguinte o pequeno almoço juntos. Estavam no meio desta refeiçãoconversando tranquilamente, quando apareceram uns jornalistas para uma entrevista, que já tinham combinado. Dali convidou-os para se sentarem à mesa com ele. Nessa altura, chamou um criado e  pediu uma omelete, e disse ao meu pai: «espera, que já vais ver.» Quando lha trouxeram, transformou-se,  tirou o lenço do bolso superior do casaco, pegou na omelete e colocou-a no lugar do lenço, deixando todos estupefactos, assim começou a entrevista...   A meio desta, virou-se para os jornalistas e disse: «Estão-me a entrevistar, mas esquecem-se que aqui ao meu lado está um dos maiores poetas do nosso país».( referia-se ao meu pai, que nunca na vida tinha escrito um verso!)

Salvador Dali, entre amigos, tinha uma maneira de estar natural, apesar da sua genialidade.
Para mim é inesquecível , foi um privilégio tê-lo conhecido desta forma.”

Teresa Castel-Branco, 9º F


20 maio 2010

Quando vida queria dizer aventura...

Enquanto conversava com os meus avós, vim a descobrir que o meu trisavô, José Alves Cabral Sacadura, foi um dos heróis de Chaimite que ajudou a derrotar o Gungunhana.
Interessei-me tanto pela sua (minha também) história, que procurei mais fotografias e informação.
Vim assim a apurar que nasceu em Celorico da Beira em 1862. Como era o 2º filho (era a época do Morgadio, em que só o filho mais velho herdava as propriedades da família) foi destinado ao exército.
Formou-se na escola de Artilharia de Vendas Novas.
Foi um dos fundadores da cidade da Beira em Moçambique.
Fez parte da missão contra o Gungunhana, como 1º Tenente, sob o comando do Major Caldas Xavier, e mais tarde de Mouzinho de Albuquerque.




Após a vitória, foi armado Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, por feitos na campanha de Moçambique em 1895, tendo recebido do Rei D. Carlos a faixa que ele mesmo usava (a minha trisavó contava que o Rei tirou a sua faixa do pescoço para pôr no do Trisavô!).
Recebeu também as medalhas Militares da Rainha D. Amélia e outras por bons serviços à Coroa.
A carabina por ele usada na campanha de África está exposta no Museu do Exército





Após a implantação da República (como é de calcular, era monárquico), passou à reserva (reformou-se), mas durante a 1ª Guerra Mundial, foi chamado para comandar o Quartel de Brancanes em Setúbal.
Espero não ter maçado o leitor, mas é que os pormenores me despertaram tanto a vontade de saber mais…

Francisco Cunha Rêgo ,9ºE