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23 abril 2014

Os 40 anos do 25 de Abril nas pequenas grandes coisas


 Comparemos estas recomendações impressas em dois passaportes.
A primeira dos anos 50 e a segunda de Maio de 1974.



Parecem-lhe idênticas para além de mais ou menos carimbos? Observe melhor.
Na primeira, e citamos, “A mulher casada, quando não viajar em companhia do marido, deve ir munida da sua autorização, com letra e assinatura reconhecidas pelo notário.”

Significativo da condição feminina durante o Estado Novo….

Recomendamos que se dê também uma olhadela comparativa às aventuras burocráticas de um funcionário público para sair do país.


Por fim a receção. Seguramente devia ser acolhedor ser recebido pela PIDE ao desembarcar em Portugal vindo do Brasil por mar…

20 dezembro 2013

Com amor e inteligência


Desiludam-se aqueles que pensavam que os anos revolucionários nos trariam apenas manuais do guerrilheiro urbano e quejandos.
Laura Santos, com títulos como “Noiva, Esposa e Mãe” ou “A Mulher na sala e na cozinha” vai continuando a fazer sucesso e a conhecer reedições.
Este “Escola de Noivas”, cuja 8ª edição datará de meados dos anos 70, continuou o seu caminho imperturbável.
Dele vos deixamos hoje a página 102, onde se aborda o amor com que devem ser tratadas as máquinas de lavar roupa.




13 novembro 2013

Fadas do lar


Conforme prometido na postagem anterior, aqui vos deixamos a capa do livro do curso Singer de Corte e uma pequena ficha de trabalho encontrada no seu interior.

 
Segundo dados da própria Singer, o entusiasmo das senhoras por estes cursos de Bordados e Corte rondava entre doze mil a treze mil inscrições anuais, repartidos certamente pelas aulas dadas nas lojas e nas Escolas Móveis patrocinadas pela marca (dados dos anos 60).

O livro de Corte cuja capa digitalizamos destinava-se, e citamos parte da apresentação do curso, “(…) àquilo que toda a Senhora boa dona de casa necessita saber para cortar e trabalhar os vestidos por ela própria feitos(…) ampliando a sua aptidão no lar, dando-lhe conhecimentos que beneficiam a economia doméstica e até, se houver habilidade pessoal e espírito de iniciativa, para poderem ganhar a sua vida com essas actividades”. Estamos nos anos 60.

Saliente-se que o reconhecimento pela marca (ou a visão tradicional do papel da mulher?) vai pelo menos de 1927 a 1933: um louvor, datado de 8/10/1927 e publicado no Diário do Governo “pelos serviços prestados à educação popular” e a Comenda de Mérito Industrial atribuída em 11/11/1933 .

21 março 2012

"As Mulheres do meu país"




A década de 40 vê uma grande mulher, Maria Lamas, entre 1948 e 1950, editar um livro intitulado “As mulheres do meu país”, publicada em fascículos mensais e independentes vendidos a 15 escudos. Ao conhecimento das condições de vida da mulher portuguesa não será alheio as suas deslocações pelo país como presidente do CNMP (Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas), associação fundada na 1ª República e encerrada pelo regime salazarista em 1948, com o argumento que o Conselho não era necessário, uma vez que o Estado Novo confiava à Obra das Mães pela Educação Nacional (OMEN) o encargo de "educar e orientar" as mulheres.
O livro foi seguramente uma resposta.
Gosto de saber que estas senhoras alentejanas que aparecem nesta fotografia são contemporâneas dos acontecimentos.

(uma vez mais o nosso obrigado à D.Edviges que nos encoraja com o seu entusiasmo pelas fotografias antigas)



06 abril 2011

Retrato de família, com homem ausente


Este retrato apela para um idílico olhar sobre o universo feminino. Duas mulheres e uma criança gozam de um final de tarde ameno no jardim de sua casa. A simetria dos corpos e o enquadramento das heras, o ar descansado das personagens revelam-nos o cuidado com que o fotografo se aprimorou na representação. Podemos imaginar que aquele que dispara a máquina, não aparecendo por isso na fotografia é justamente o elemento masculino da família. Mas, se o não for, remete-nos para uma realidade bem comum durante o século XX, a da ausência de homens em determinados contextos familiares. O número de casos em que, no decurso desse século, as mulheres foram obrigadas a seguir as suas vidas sem o apoio masculino, foi enorme. Com frequência, estas teriam de sustentar, sozinhas, os filhos e demais dependentes. Estas situações poderiam decorrer da morte dos maridos nas guerras (1ª e 2ª guerra mundial, nomeadamente) ou de situações de divórcio ou de mães solteiras. Nestes casos, as mulheres lançadas no mercado de trabalho, até aí só masculino, fizeram avançar as mentalidades, na medida em que o seu próprio estatuto punha em causa as determinações morais e religiosas de que o seu lugar deveria ser em casa.

06 dezembro 2008

O Perfeito Cavalheiro




O Perfeito Cavalheiro – Guia prático para todas as emergências da vida - , editado em 1949 mas sobretudo lido e relido nos anos 50, tem temas que vão das regras de etiqueta em todas as situações da vida ao habilidoso em sociedade, colecção de citações e tratamento do cabelo.
A mulher é aqui sempre tratada como um ser frágil a necessitar constantemente da protecção masculina sem a qual, naturalmente, ficaria perdida. O cavalheiro deve afastá-la dos males do mundo nos quais se inclui, naturalmente, a vida fora da sua asa…protectora.
“Num café é sempre estranhável a presença de uma rapariga”, escreve-se a páginas tantas.
Para terminar este apontamento, houve a necessidade de ir a um café que fica aberto até mais tarde. As meninas de hoje não lhes passam pela cabeça como os tempos mudaram…

01 dezembro 2008

Meninos e Meninas Anos 50



Aparentemente, no Ensino Primário durante o Estado Novo, meninas e meninos aprendem o mesmo.
Na realidade, os papeis que se espera que venham a desempenhar são diferentes. A elas espera-as idilicamente um marido, os filhos, o lar… e as tarefas daí decorrentes. As mais abonadas terão criadas vindas geralmente da província, mas a todas compete zelar obedientemente pela harmonia familiar. Eles é o que se sabe.
Esta oitava edição de 1958 do livro (único) da 1ª Classe, encarrega-se logo de o explicar nas folhas interiores da capa e contra-capa.
O resto é feito na sala de aula, lá fora, em quase todo o lado…

20 novembro 2008

Escola do Magistério Primário de Évora,1950

Espantados com a diminuta presença de cavalheiros nesta foto de grupo dos professores finalistas da Escola do Magistério Primário de Évora de 1950, empreendemos a dura tarefa de os contar. De facto, encontram-se presentes 15 futuros professores primários.
Os números falam por si – em 1950, existiam cerca de 14.700 professores deste ramo do ensino, sendo 82% constituído por mulheres.
Uma curiosidade que revela o espírito do tempo, diz-nos que as professoras tinham de pedir autorização superior para casar. Pelos vistos não seria isso que as ia desmotivar….

19 novembro 2008

Trabalhadores rurais, Quinta do Conde,1951

“A mulher casada, como o homem casado, é uma coluna da família, base indispensável de uma obra de reconstrução moral (…). Nos países ou nos lugares onde a mulher casada concorre com o trabalho do homem (…), a instituição da família pela qual nos batemos como pedra fundamental de uma sociedade bem organizada, ameaça ruína…Deixemos portanto o homem a lutar com a vida no exterior, na rua…e a mulher a defendê-la, a trazê-la nos seus braços, no interior da casa(…)” Salazar.
Estaremos portanto na presença de duas anarquistas, de duas intelectuais revolucionárias?