Mostrar mensagens com a etiqueta Exposição Mundo Português. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Exposição Mundo Português. Mostrar todas as mensagens

21 maio 2012

Com Salvador Dali... recordações.


No outro dia estava em casa dos meus avós e encontrei um jornal, já antigo. Perguntei à minha avó porque o guardava, e de seguida mostrou-me a parte de trás do jornal onde estava uma fotografia dos meus bisavós com Salvador Dalí e sua mulher, Gala. Pedi à minha avó, Maria Antónia Moraes, para me escrever um texto, com recordações e momentos divertidos que passou com Dali.

                                                                                             

“Desde que me lembro, Salvador Dali esteve presente na minha memória. Em 1940, tinha eu pouco mais de três anos, quando Dali e Gala, sua mulher, vieram a Lisboa. Sendo ele grande amigo dos meus pais, tinha pedido ao meu pai que o ajudasse no envio dos seus quadros para a sua primeira exposição em Nova Iorque. Esta vinda coincidiu com a Exposição do Mundo Português. Durante os dias que aqui passaram, estiveram em nossa casa e saíam com os meus pais. Foram descobertos por um jornalista, quando jantavam juntos na Exposição, e a fotografia foi publicada no Diário de Notícias.

Salvador, era amigo de infância de minha mãe. Os seus pais, amigos dos meus avós. O pai era o notário de Figueras, na Catalunha, e esta família era muito conhecida e respeitada. A irmã, Ana Maria, cresceu junto com a minha mãe, eram grandes amigas.

Um episódio na vida de Dali, quando era muito novo, em que, ele, Ana Maria e a minha mãe muito se divertiram, foi quando um jornalista de Madrid chegou a Figueras para  lhe fazer a sua primeira entrevista. Salvador chamou-as dizendo: «venham depressa, ajudem-me! Quero virar os quadros ao contrário, e vão ver como dou a entrevista e me divirto imenso!» Assim aconteceu e o jornalista não percebeu a brincadeira!  Até ao fim da vida deles, este episódio foi recordado.
    
No verão quando íamos passar um mês de férias a Calella de Palafrugell, onde estavam os meus avós paternos, sabíamos que uma tarde era dedicada a visitar Dali, em sua casa de Port- Lligat. Encantavam-me essas visitas! Ele recebia-nos com muita amizade e simplicidade. A tarde passava sem darmos conta. Lanchávamos no jardim. As conversas eram interessantes, parecia que tínhamos entrado noutro mundo.

 Dali, mostráva-nos os  seus últimos quadros, que ainda se encontravam no atelier. Tocou-me  intensamente  a «Última Ceia», que tinha acabado de pintar: a luz, que entrava pela janela, iluminava-o de tal maneira que me parecia  ver uma cena real. Tive o impulso de querer tocar com a minha mão nos mantos dos Apóstolos, e sentir a  sua textura entre os meus dedos. Também nos mostrava as maquetes das peças e jóias que fazia; algumas com movimento: relembro um vaso com borboletas a voar. A sua imaginação era imparável.


Connosco tinha sempre conversas normais, a sua atitude era sempre natural e agradável. Impressionava-me o seu bigode, todo levantado e rígido, graças a um fixador ou goma (nunca percebi como). Nas pontas colocava duas pequenas flores brancas. Numa das tardes, em que  me desenhou uma formiga no meu livro de autógrafos, tirando uma flor do bigode, disse-me: «queres ficar com esta flor como recordação?» Claro que quis! Ainda a guardo dentro do mesmo livro.

Outro episódio curioso: numa viagem a Paris , o meu pai encontrou-o por acaso no mesmo hotel onde se hospedava. Combinaram, tomar no dia seguinte o pequeno almoço juntos. Estavam no meio desta refeiçãoconversando tranquilamente, quando apareceram uns jornalistas para uma entrevista, que já tinham combinado. Dali convidou-os para se sentarem à mesa com ele. Nessa altura, chamou um criado e  pediu uma omelete, e disse ao meu pai: «espera, que já vais ver.» Quando lha trouxeram, transformou-se,  tirou o lenço do bolso superior do casaco, pegou na omelete e colocou-a no lugar do lenço, deixando todos estupefactos, assim começou a entrevista...   A meio desta, virou-se para os jornalistas e disse: «Estão-me a entrevistar, mas esquecem-se que aqui ao meu lado está um dos maiores poetas do nosso país».( referia-se ao meu pai, que nunca na vida tinha escrito um verso!)

Salvador Dali, entre amigos, tinha uma maneira de estar natural, apesar da sua genialidade.
Para mim é inesquecível , foi um privilégio tê-lo conhecido desta forma.”

Teresa Castel-Branco, 9º F


24 março 2010

Exposição do Mundo Português








“No ano de 1940, no dia 23 de Junho, o Presidente do Concelho Oliveira Salazar, anuncia a inauguração de uma exposição com o objectivo de comemorar duplamente a Fundação e a Restauração (1140-1640-1940). A exposição estava dividida em três secções: uma parte que mostrava as colónias portuguesas, uma parte sobre a história portuguesa e uma outra sobre Etnografia. Para esta exposição, fora convidado o Brasil, que possuía um pavilhão próprio. A exposição procurava mostrar momentos da história portuguesa, desde a fundação da nacionalidade até à grandeza das colónias. Esta exposição contribuiu também para a restauração da parte ocidental de Lisboa (Belém).
Como se pode observar numa das fotografias, os africanos foram trazidos deste continente para serem expostos aos portugueses tal como viviam na sua terra natal… Imagine-se o frio que não teriam, semi-nus, em pleno Setembro… de 1940, quando esta foto foi tirada”
Francisco Cunha Rêgo, 9ºE