11 março 2014

Quando as imagens falam mesmo ...


A primeira fotografia é a mais antiga e data de 1897. Nela se pode ver uma família ucraniana da classe média, bem sucedida na vida, coisa não muito frequente na altura.

 As duas fotografias seguintes retratam a mesma família alguns anos depois, na primeira década do século XX, antes da revolução russa de 1917.



A quarta e última fotografia mostra as mesmas pessoas, nos anos 20. Se é verdade que as fotografias falam por si, esta é um desses casos. Nela podemos ver claramente as alterações provocadas pela revolução soviética e, talvez ainda, os efeitos das medidas tomadas por Lenine e que ficaram conhecidas por “comunismo de guerra”.
A menina pequenina que se pode ver nas fotos é hoje uma centenária senhora e ainda vive em S. Petersburgo.

Estas imagens podiam dar origem a um romance, mas por agora fica apenas o texto informativo.



Polina Tafintsova, 9ºE

12 fevereiro 2014

Descobrimos um S. Valentim genuinamente português


Cansados da celebração de efemérides alheias que nos soam forçadas e estranhas, descobrimos, graças à D. Edviges, esta peça extraordinária que vos apresentamos.
E tem a ver com namorados, como verão…

Na aldeia alentejana de S. Cristóvão, perto de Montemor-o-Novo, realizava-se uma atividade própria dos bailes da aldeia que consistia em tirar umas rifas onde estavam escritos os nomes dos rapazes e raparigas.
Caso um rapaz tirasse o nome de uma rapariga, teria de arranjar maneira de lhe oferecer uma saia ou uma camisa. Caso lhe saísse a ela o nome de um moço, teria de bordar um lenço com o nome dele e que seria utilizado pelo próprio para limpar a lâmina de fazer a barba.


No presente caso, este lenço, com a data de 1891, foi bordado pela D. Júlia Carvalho. Resta acrescentar que viria a casar com o rapaz a quem o lenço foi oferecido, após o correspondente período de namoro.

07 fevereiro 2014

Soldados e cavalheiros


Meu tio avô ,Manuel Nunes, no dia do seu casamento  em Cuimba ,Angola, em 1964, em plena Guerra Colonial.
O meu tio avô casou-se por procuração com a minha tia avó Fátima que estava em Portugal devido à sua filha estar quase a nascer e ele não querer ser pai sem estar casado.

Gonçalo Camacho, 9ºD

03 fevereiro 2014

Por detrás dos cargos... as pessoas...



João Batista Duarte Pinheira, nascido a 24 de Setembro de 1905 no Bombarral, filho de António Joaquim Pinheira e de Mafalda Maria Duarte Pinheira, formou-se em medicina pela universidade de Lisboa.
Foi promovido a inspector superior de saúde do ultramar em 30 de Dezembro de 1960.




 Ao longo da sua carreira, foi um homem em quem os doentes confiavam, e por quem tinham um carinho enorme, mas a esse respeito sei de muito pouco, pois não o cheguei a conhecer.




Quem sabe melhor o seu lado humano é a minha mãe, e por isso lhe pedi um texto a explicar exactamente esse lado do meu bisavô.



“No trato pessoal e familiar, tinha como características marcantes ser um homem de grande humanidade, generosamente sempre atento às necessidades de todos com quem se cruzava. De coração bondoso, olhar terno, mas ao mesmo tempo autoritário, duramente implacável e desarmante na frontalidade com que expressava as suas fortes convicções.
 Com um grande sentido de Justiça, íntegro de carácter, apreciava e valorizava nos outros a sinceridade, a honestidade, a nobreza de carácter, a boa educação, a pontualidade, o esforço e mérito. Entregou-se de corpo e alma à causa pública e  talvez por isso tenha sido um pai um pouco ausente, mas atento e exigente.
 Teve 5 filhos. Como avô de 10 netos, todos o respeitavam pela figura naturalmente patriarcal, mas dava lugar aos afectos. Até ao fim da vida, com mais de 80 anos o víamos sair cedo de casa para ir a congressos de medicina, almoçar ao Chiado ou à Biblioteca Nacional, jogar Bridge com os amigos. Sempre foi um homem muito activo e lúcido, com uma vida muito preenchida e bem vivida.”

  Maria Beatriz Vale, 9ºD

29 janeiro 2014

O abegão e os seus aprendizes


Ao olharmos para esta fotografia, cedida pela D. Edviges, colaboradora deste blogue e nossa consultora privilegiada para assuntos alentejanos, dificilmente imaginaríamos que o ofício de abegão , conforme  aqui  pode ser lido, está na moda e as carroças também.
Regra geral o termo abegão designa no Alentejo o responsável pela lavoura que dirigia os ganhões. Por vezes, fazia trabalho de carpinteiro, consertando as alfaias agrícolas.
Também considerado carpinteiro de obra grossa, dedicava-se aos trabalhos em madeira, de modo a construir e reparar carros puxados por animais ou mesmo outros utensílios agrícolas.
Estes nossos abegões foram fotografados a trabalhar na sua oficina perto de Montemor-o-Novo no final dos anos 40.



26 janeiro 2014

Aerograma de 1973

Correspondência entre o meu pai, que se encontrava na Guiné (1973) e a minha mãe que se encontrava em Portugal.
                              Iúri Guerreiro - 9º B

23 janeiro 2014

URSS - Medalhas de Guerra



Estas medalhas, referentes à 1ª e 2ª guerras mundiais, pertencem ao meu avô paterno Ivan Ivanoviche Michenko. Têm passado dentro da família de geração em geração.




A Rússia entra na Grande Guerra porque era aliada da Sérvia e interessava-lhe ter acesso ao Mar Mediterrâneo.
A vitória comunista na revolução russa fez com que esta assinasse um tratado

com a Alemanha (Brest-LitovsK) e saísse da guerra em 1918. 


A URSS participou na 2ª guerra ao lado dos Aliados. (E.U.A., França e Inglaterra)

Antes de entrar na guerra tinha assinado com a Alemanha um pacto de não-agressão, mas em Junho de 1941 a Alemanha invade a URSS.


No princípio, o avanço das tropas nazis foi fácil, com muitas baixas do exército Vermelho, mas a resistência corajosa e o terrível inverno Russo fez com que em Janeiro de 1943 os invasores sofressem uma pesada derrota em Estalinegrado.

O avanço do exército Vermelho, em conjunto com os Aliados, levou à derrota da Alemanha em 1945.


Dmytro Nelepa , 9ºE

16 janeiro 2014

"As serviçais"



Esta fotografia, cedida pela D. Edviges, foi tirada no início dos anos 50 na herdade Vale de Reis, perto de Alcácer do Sal.
Dado o número de atividades de caráter lúdico a que se dedicavam os donos da casa e convidados, era preciso um reforço da criadagem, vendo-se aqui as internas da herdade e as criadas que vinham da cidade (Setúbal). Uma das patroas, no canto inferior direito, decidiu posar com elas.
Familiares e convidados sazonais deliciavam-se com as caçadas, a matança do porco e as “agarras”, uma espécie de tourada em que o divertimento era tentar agarrar o gado.


14 janeiro 2014

Bazuca...uma arma da guerra

Fotografia do meu pai, durante a Guerra Colonial, em 1973, na Guiné.
                                                                                                                                                             


                                                                                                                                          ri Guerreiro - 9º B

13 janeiro 2014

Diploma de Honra - Corpo Expedicionário Português





O meu bisavô materno, João Francisco Santo, participou na 1ª Guerra Mundial (1914-1918). O Pároco da freguesia de Espite, concelho de Leiria, ofereceu a todos os que participaram no CEP, Corpo Expedicionário Português, um Diploma de Honra. Este diploma pertence ao meu avô.

Devemos homenagear todos aqueles que lutaram pela dignidade.
                                                                                  Fátima Ferreira 9º B
 
 



20 dezembro 2013

Com amor e inteligência


Desiludam-se aqueles que pensavam que os anos revolucionários nos trariam apenas manuais do guerrilheiro urbano e quejandos.
Laura Santos, com títulos como “Noiva, Esposa e Mãe” ou “A Mulher na sala e na cozinha” vai continuando a fazer sucesso e a conhecer reedições.
Este “Escola de Noivas”, cuja 8ª edição datará de meados dos anos 70, continuou o seu caminho imperturbável.
Dele vos deixamos hoje a página 102, onde se aborda o amor com que devem ser tratadas as máquinas de lavar roupa.




10 dezembro 2013

Uma promoção a médico naval de 1ª classe


Este documento, passado aos 18 dias de Janeiro de 1895, trata da promoção de um médico naval a médico naval de primeira classe, com a graduação de 1º tenente da armada.
Agradecemos à professora Graça Bastos que o cedeu, e aos seus alunos Fábio Lopes e Tiago Silva do 6ºB que escreveram a pequena nota biográfica sobre o rei que aparece referido no documento:
“Nascido a 21 de Novembro de 1863, D. Carlos I era filho do rei D. Luís I de Portugal e da princesa Maria Pia de Saboia e subiu ao trono em 1889.Foi cognominado O Diplomata, O Martirizado e O Mártir ou O Oceanógrafo.
Após um curto noivado, D. Carlos e D Amélia de Orleães casaram-se a 22 de Maio de 1886, na Igreja de S. Domingos, e tiveram três filhos: D. Manuel, D Luís Filipe e D Maria Ana.
O seu reinado foi caraterizado por constantes crises políticas e consequente insatisfação popular.
D. Carlos foi assassinado a 1 de Fevereiro de 1908 juntamente com o seu filho D. Luís, ao regressarem a Lisboa de uma temporada no Palácio Ducal de Vila Viçosa.”

03 dezembro 2013

Cortejo de oferendas, Vidigueira, 1946


Esta fotografia, que nos foi cedida por uma antiga aluna, retrata o pormenor de um cortejo de oferendas realizado na Vidigueira em 1946. Não foi possível apurar a favor de que instituição se realizou este angariar de fundos tão ao gosto popular...

01 dezembro 2013

A estimular heróis pelo menos desde 1640


O vinho do Porto "estimulou os heróis de 1640" , de acordo com o pequeno livrinho publicitário já aqui anteriormente referenciado.

27 novembro 2013

Roupas domingueiras


Nesta fotografia vemos duas jovens senhoras em plena pose, junto ao cenário montado pelo fotógrafo “à la minute”.
Nos seus trajos domingueiros elas não quiseram deixar de registar a sua ida à feira de Alcácer-do-sal, no Alentejo.
Deste dia provavelmente soalheiro – não se tiram fotografias em cenários montados ao ar livre quando chove… - sobrarão promessas, corações derretidos e compras. Afinal de contas sempre é uma feira.
Esta foto, que data dos anos 40, foi-nos cedida pela D. Edviges, assistente operacional na nossa escola de Azeitão. Com muitos risos e informações às torrentes. Bem haja!




24 novembro 2013

Uma família feliz



Esta fotografia foi tirada em Angola no ano de 1967. No centro encontra-se o meu avo paterno, Alberto, e nos seus braços, a minha tia Lisdália (mais conhecida por Dália)  com apenas alguns meses. Do lado esquerdo está o meu tio Carlos Alberto (Beto), à direita a minha tia Lucília (Cila) e no meio deles o meu tio José (Zé).

Hugo Almeida

19 novembro 2013

Ну, погоди - Um "Tom e Jerry" soviético



Esta fotografia é de 1979, tirada em Mariupol, na Ucrânia,  uma das cidades que faz fronteira com o mar de Azov.
Nela estão presentes a minha mãe e a minha avó com a personagem de um desenho animado muito visto naquela altura e ainda hoje muito conhecido em muitos dos países da ex-União Soviética.
Este desenho animado que tem o nome em português de “Espera aí”, fala sobre um lobo que persegue um coelho para o comer, mas ao longo dos episódios o lobo mete-se sempre em vários sarilhos e o coelho, que é muito esperto, acaba sempre por escapar.
Este desenho animado parece-me fascinante, pois sempre que eu o via dava-me a sensação de que tinha viajado no tempo até àqueles anos.
Podem dar uma espreitadela aqui...https://www.youtube.com/watch?

Polina Tafintsova, 9ºE


13 novembro 2013

Fadas do lar


Conforme prometido na postagem anterior, aqui vos deixamos a capa do livro do curso Singer de Corte e uma pequena ficha de trabalho encontrada no seu interior.

 
Segundo dados da própria Singer, o entusiasmo das senhoras por estes cursos de Bordados e Corte rondava entre doze mil a treze mil inscrições anuais, repartidos certamente pelas aulas dadas nas lojas e nas Escolas Móveis patrocinadas pela marca (dados dos anos 60).

O livro de Corte cuja capa digitalizamos destinava-se, e citamos parte da apresentação do curso, “(…) àquilo que toda a Senhora boa dona de casa necessita saber para cortar e trabalhar os vestidos por ela própria feitos(…) ampliando a sua aptidão no lar, dando-lhe conhecimentos que beneficiam a economia doméstica e até, se houver habilidade pessoal e espírito de iniciativa, para poderem ganhar a sua vida com essas actividades”. Estamos nos anos 60.

Saliente-se que o reconhecimento pela marca (ou a visão tradicional do papel da mulher?) vai pelo menos de 1927 a 1933: um louvor, datado de 8/10/1927 e publicado no Diário do Governo “pelos serviços prestados à educação popular” e a Comenda de Mérito Industrial atribuída em 11/11/1933 .

09 novembro 2013

Um passeio pela baixa de Setúbal



Esta fotografia, segundo informação prestada pela bebé que vai ao colo da mãe e é hoje assistente operacional na nossa escola de Azeitão *, foi tirada por um fotógrafo “à la minute” na rua Dr. Paula Borba na década de 50.
Saliente-se a existência do passeio e a adivinhada circulação de carros na conhecida artéria da baixa da cidade, a loja Singer e, na parede, ainda o enorme termómetro de consulta obrigatória para qualquer setubalense.
Prometemos na próxima postagem falar um pouco dos cursos de costura patrocinados por esta marca.
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*- claro que sim….vê-se logo que só se pode tratar da D. Dina a quem muito agradecemos a cedência da fotografia.

06 novembro 2013

Grande Hotel do Buçaco


Esta fotografia foi tirada no dia 11 de maio de 1938, em frente ao Grande Hotel do Buçaco.
Antigamente, nas peregrinações até Fátima, era costume passar perto do hotel para tirar uma fotografia.
Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1996.
Foi também neste local que em 1810 as tropas anglo- lusas, lideradas pelo duque de Wellington, derrotaram o exército napoleónico na Guerra Peninsular.

Vanessa Ribeiro, 9ºE


ps – a título de curiosidade e cedida por um antigo aluno, colocamos também aqui uma fotografia do mesmo local nos anos 40.