14 julho 2012

Até Setembro...?




O que sobra dessas mãos: um voo marítimo, uma frase. Quando muito uma dúzia de grãos de areia ardendo ainda sobre a pele, ou uma alga seca no bolso que ficará depois esquecida a marcar a página de um livro lido ao longo desse verão.
Provavelmente uma curta e feliz viagem de barco

25 junho 2012

Machimbombo



Machimbombo

Esta fotografia foi tirada em Moçâmedes, Angola, no ano 1946 (muito antes da guerra colonial que começou em 1961), um dia após o casamento dos meus avós paternos.
Nela estão o meu avô Fernando, (sentado, ao centro, com o usual capacete colonial nos joelhos), a minha avó Rosete, (em pé, à esquerda, com uma sobrinha ao colo) e alguns familiares e amigos que vieram assistir ao casamento. Naquela época, nenhuma mulher usava calças e as saias desciam abaixo do joelho. Em Angola, por descontração e também devido ao calor, poucos homens usavam gravatas.
Alguns dos presentes preparavam-se para viajar para Nova Lisboa, junto com os meus avós; os outros vieram despedir-se. A viagem, de 1 000 km, não era longa para os hábitos daquela terra, mas era muito demorada e cansativa, percorrendo caminhos maioritariamente de terra batida, numa época em que havia poucos transportes motorizados, em Angola. Por isso é que, misturados na bagagem, iam uns cestos com comida, para trincarem pelo caminho.
O veículo de transporte público (um pequeno machimbombo *) é de um amigo do meu avô. Nota-se que ia iniciar viagem porque o carro ainda está brilhante, mas passados poucos metros, ele ficará da cor da terra. Durante a viagem, as janelas tinham de ficar abertas, porque de outra forma não se aguentaria o calor, mas isso fazia com que entrasse parte da poeira levantada.

Naquele tempo, tirar uma fotografia era uma tarefa complicada que obrigava a alguns minutos de imobilidade. Para o pessoal autóctone ver tirar uma fotografia era um grande acontecimento, até porque, o fotógrafo, normalmente, se instalava debaixo de um pano preto, para centrar a imagem, o que tornava a situação pitoresca. No entanto, há algo que distrai a criança que está ao colo e o rapaz à janela do carro e que contrasta com a imobilidade a que a fotografia obrigou os adultos.


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* Machimbombo - designação que se dava em Angola e Moçambique aos autocarros de transporte público (Do inglês «machine pump», «bomba mecânica»)

Cláudia Luso Soares, 9º F

22 junho 2012

“Numa família digna, o chefe, que é o pai (…)”

     
No Estado Novo a família modelo era assim constituída: a mãe, ficava em casa a tratar das tarefas domésticas; o pai, ia trabalhar durante o dia para sustentar a família; os filhos iam à escola, onde os rapazes eram educados para mais tarde serem como os pais e as raparigas eram educadas para serem como as mães (domésticas). Por isso, o chefe de família, que era quem a sustentava, era o pai. Este devia ser respeitado com obediência e carinho, assim como o chefe de estado, como uma espécie de pai da nação.
Neste livro da 3º classe de 1958, Américo Tomaz, presidente da República durante a ditadura, ocupa uma página inteira do livro único e obrigatório. Para que não houvesse dúvidas…


Mariana Vinhas, 9º F

10 junho 2012

Alentejo, anos 60. Memórias - 2º parte.




"Da zona do Algarve, mas propriamente de Odeceixe, Rogil, Aljezur, Maria Vinagre, também chegavam mulheres, que permaneciam na Herdade entre Maio e Junho, mas neste caso para trabalharem apenas na apanha do arroz e na monda. Ao contrário do povo do norte, estas trabalhadoras, instalavam-se em grandes casarões, e dividiam o espaço entre elas.
Também tinham por hábito efectuarem as refeições ao lar livre, e por vezes chegavam a ser perto de uma centena de fogueiras a arder, pois cada uma delas confeccionava individualmente os seus alimentos.

No mês de Agosto, para o final das mondas e início das ceifas, chegavam mais ranchos de gente, oriundos de Grândola e Santo André. Também estes se instalavam em grandes casarões, mas a sua forma de estar em comunidade era diferente dos restantes. O dormitório era dividido por biombos, e para a confecção dos alimentos recorriam a uma única fogueira em que cada um deles, colocava a cozinhar os alimentos numa panela de barro.  

Toda esta diversidade de culturas trazia uma grande animação á Herdade, e apesar do trabalho duro, aos sábados e domingos à noite, havia sempre baile, no qual todos participavam.
As sementeiras dos viveiros começavam em Março, e em Junho começavam as plantações em grandes canteiros com muros de 100 em 100 metros. As condições de trabalho eram muito difíceis, pois trabalhava-se com água e lama por cima dos joelhos, e na água, para além de conchas, existia uma grande variedade de bichos, desde cobras a saltérios, que por vezes provocam mordeduras dolorosas. Ainda me recordo de uma espécie de liquido, em pequenas garrafas, que utilizávamos para pôr nas pernas, ás vezes já em ferida."

D. Maria Edviges, assistente operacional

05 junho 2012

Vampiros...




Vampiros era o nome que os nativos timorenses atribuíam aos morcegos gigantes que pesavam cerca de 4 a 5 quilos.     1962 Timor

Ana Marques, 9º D

01 junho 2012

Nas festas de Nossa Senhora da Saúde em Vila fresca



A minha família Alface vive em Azeitão pelo menos desde o início do século XIX estando sempre ligada à vida e às tradições desta região. Nesta fotografia, tirada nas festas de Nossa Senhora da Saúde em Vila fresca, no mês de Setembro de 1948, observamos à esquerda o meu avô Manuel Alface, nascido a 1 de Março de 1934. Ao centro o seu pai, José Maria Alface, nascido em 1 de Novembro de 1896. À direita o sobrinho mais velho do meu avô Henrique Alface.

Manuel Ribeiro, 9ºE

26 maio 2012

O bichinho da música




Esta fotografia, de Maio de 1892,existente no museu da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, ilustra a banda da colectividade com o seu segundo fardamento. Nesta fotografia encontra-se o meu tetra avô, Timóteo Rodrigues, que tocava tuba, tal como eu.

Manuel Ribeiro, 9ºE

21 maio 2012

Com Salvador Dali... recordações.


No outro dia estava em casa dos meus avós e encontrei um jornal, já antigo. Perguntei à minha avó porque o guardava, e de seguida mostrou-me a parte de trás do jornal onde estava uma fotografia dos meus bisavós com Salvador Dalí e sua mulher, Gala. Pedi à minha avó, Maria Antónia Moraes, para me escrever um texto, com recordações e momentos divertidos que passou com Dali.

                                                                                             

“Desde que me lembro, Salvador Dali esteve presente na minha memória. Em 1940, tinha eu pouco mais de três anos, quando Dali e Gala, sua mulher, vieram a Lisboa. Sendo ele grande amigo dos meus pais, tinha pedido ao meu pai que o ajudasse no envio dos seus quadros para a sua primeira exposição em Nova Iorque. Esta vinda coincidiu com a Exposição do Mundo Português. Durante os dias que aqui passaram, estiveram em nossa casa e saíam com os meus pais. Foram descobertos por um jornalista, quando jantavam juntos na Exposição, e a fotografia foi publicada no Diário de Notícias.

Salvador, era amigo de infância de minha mãe. Os seus pais, amigos dos meus avós. O pai era o notário de Figueras, na Catalunha, e esta família era muito conhecida e respeitada. A irmã, Ana Maria, cresceu junto com a minha mãe, eram grandes amigas.

Um episódio na vida de Dali, quando era muito novo, em que, ele, Ana Maria e a minha mãe muito se divertiram, foi quando um jornalista de Madrid chegou a Figueras para  lhe fazer a sua primeira entrevista. Salvador chamou-as dizendo: «venham depressa, ajudem-me! Quero virar os quadros ao contrário, e vão ver como dou a entrevista e me divirto imenso!» Assim aconteceu e o jornalista não percebeu a brincadeira!  Até ao fim da vida deles, este episódio foi recordado.
    
No verão quando íamos passar um mês de férias a Calella de Palafrugell, onde estavam os meus avós paternos, sabíamos que uma tarde era dedicada a visitar Dali, em sua casa de Port- Lligat. Encantavam-me essas visitas! Ele recebia-nos com muita amizade e simplicidade. A tarde passava sem darmos conta. Lanchávamos no jardim. As conversas eram interessantes, parecia que tínhamos entrado noutro mundo.

 Dali, mostráva-nos os  seus últimos quadros, que ainda se encontravam no atelier. Tocou-me  intensamente  a «Última Ceia», que tinha acabado de pintar: a luz, que entrava pela janela, iluminava-o de tal maneira que me parecia  ver uma cena real. Tive o impulso de querer tocar com a minha mão nos mantos dos Apóstolos, e sentir a  sua textura entre os meus dedos. Também nos mostrava as maquetes das peças e jóias que fazia; algumas com movimento: relembro um vaso com borboletas a voar. A sua imaginação era imparável.


Connosco tinha sempre conversas normais, a sua atitude era sempre natural e agradável. Impressionava-me o seu bigode, todo levantado e rígido, graças a um fixador ou goma (nunca percebi como). Nas pontas colocava duas pequenas flores brancas. Numa das tardes, em que  me desenhou uma formiga no meu livro de autógrafos, tirando uma flor do bigode, disse-me: «queres ficar com esta flor como recordação?» Claro que quis! Ainda a guardo dentro do mesmo livro.

Outro episódio curioso: numa viagem a Paris , o meu pai encontrou-o por acaso no mesmo hotel onde se hospedava. Combinaram, tomar no dia seguinte o pequeno almoço juntos. Estavam no meio desta refeiçãoconversando tranquilamente, quando apareceram uns jornalistas para uma entrevista, que já tinham combinado. Dali convidou-os para se sentarem à mesa com ele. Nessa altura, chamou um criado e  pediu uma omelete, e disse ao meu pai: «espera, que já vais ver.» Quando lha trouxeram, transformou-se,  tirou o lenço do bolso superior do casaco, pegou na omelete e colocou-a no lugar do lenço, deixando todos estupefactos, assim começou a entrevista...   A meio desta, virou-se para os jornalistas e disse: «Estão-me a entrevistar, mas esquecem-se que aqui ao meu lado está um dos maiores poetas do nosso país».( referia-se ao meu pai, que nunca na vida tinha escrito um verso!)

Salvador Dali, entre amigos, tinha uma maneira de estar natural, apesar da sua genialidade.
Para mim é inesquecível , foi um privilégio tê-lo conhecido desta forma.”

Teresa Castel-Branco, 9º F


13 maio 2012

Fotografias de guerra.


Durante a guerra colonial muitas foram as mulheres, namoradas e até amigas que se correspondiam com os soldados que encontravam longe e saudosos da pátria e da família. Esta fotografia é uma das muitas enviadas a esses soldados, a originalidade está na montagem feita, onde se vê a jovem, pensativa e um pouco acima  o alvo de todos esses pensamentos.

Cristiana Silva, 9º B


10 maio 2012

Alentejo, anos 50. Memórias - 1º parte.



Naquela altura (anos 50), apenas a minha mãe e o meu padrasto, já sabiam ler, logo quando alguém queria escrever uma carta, ou ler alguma notícia, deslocavam-se até à nossa casa. Para além disso éramos os únicos com telefonia, e por vezes a casa enchia-se de gente ávida por ouvir a rádio. Recordo-me do episódio, ocorrido nos anos 60, em que o Henrique Galvão, roubou o barco “Santa Maria”, e da enchente de gente que chegou para ouvir a notícia.
(…)
Perto da Herdade da Terça, junto à estrada de acesso a Alcácer do Sal, existiam duas tabernas e uma mercearia, local onde nos íamos abastecer de todos os bens necessários. Este local era conhecido por “Estalagem de Alberges”, e era ai onde se realizavam as festas, bailes, e até mesmo circos, frequentados por todos os habitantes dos montes vizinhos.
(…)
A Herdade era também povoada, no período de Inverno, por gente vinda do norte do país, para efectuarem trabalhos de cava das lamas. Estes trabalhadores chegavam em Outubro, e partiam para as suas terras em Junho. A maioria chegava sozinho, apenas quem trazia a família, era o homem que os chefiava, denominado de “moiral”. Tinham hábitos diferentes dos nossos, e tomavam as refeições ao ar livre, através da utilização de grande caldeira de cobre, suspensa por um ferro, onde por baixo da mesma era efectuado lume, para a cozedura dos alimentos. Também faziam o seu próprio pão de milho, pois não gostavam do nosso que era elaborado à base de trigo.

      D. Maria Edviges, assistente operacional

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A foto retrata as costureiras da aldeia de S. Cristóvão, Montemor-O-Novo, nos anos 50.
A menina é a autora destas memórias.

02 maio 2012

Inauguração da sede do Sporting Clube Timorense






Na imagem de cima pode ver-se uma fotografia da sede do Sporting Club Timorense. Embora este tenha sido fundado em 1959, por militares portugueses, só em 1962 seria inaugurada a sua sede.
Na foto em baixo podem observar-se ginastas nativas timorenses a realizarem alguns exercícios por altura dessa inauguração.

Ana Marques 9ºD

30 abril 2012

Sporting Clube Timorense vs Benfica Clube Timorense





Jogo de futebol entre militares e civis, que jogavam ocasionalmente. Este jogo pôs frente a frente o Sporting clube Timorense e Benfica Clube Timorense e teve lugar em Timor em 1963.

Ana Marques, 9º D

26 abril 2012

Abril bem guardado e em boas mãos


                                                                                            (clicar nas imagens para ampliar)



Abril foi também os desenhos nas paredes desta escola, fotografada em 1980.
Neste artigo escrito no jornal “O Setubalense” datado de 1993, pode a dada altura ler-se o seguinte:
“Na escola velha apenas restam desenhos deles, ainda visíveis na pedra da escadaria da entrada. Nada os pode apagar. Quando um dia o edifício for demolido, as histórias continuarão dentro deles, vivas e gravadas na memória, como no primeiro dia em que as viveram. Nada as poderá destruir.”
A escola a que se refere a imagem e o artigo é a escola primária do Bairro Salgado em Setúbal, entretanto demolida.


25 abril 2012

Um grande susto




Esta fotografia é, das que foram tiradas nos dias imediatos à Revolução, das que mais equívocos tem alimentado - encontra-se com alguma facilidade em jornais e um pouco por toda a parte na net  sempre que se pretende ilustrar a prisão de um agente da polícia política na sequência da revolução de abril de 1974.
Acontece que o indivíduo que aparece na fotografia com as armas apontadas suspeitando-se ser da PIDE afinal não era. É de Setúbal e tratou-se de um engano e de um enorme susto (para ele, claro).Nem toda a gente sabe que esta foto não corresponde à verdade. Assim fica dito, para “memória futura”, como agora se usa.



24 abril 2012

Um D.Quixote português



Esta fotografia, cedida pela D. Edviges, tem uma história muito engraçada. Este senhor, seu bisavô, era o homem mais alto da aldeia de S. Cristóvão, Montemor-O-Novo. Terá sido o seu tamanho lendário que fez deslocar-se de Évora propositadamente um fotógrafo. A imagem tem datação imprecisa, situando-se nos primeiros anos do século XX.

22 abril 2012

Quinta da Má Partilha



A qualidade desta fotografia não é a melhor, mas tem uma razão, pois foi tirada no início do século XX. Nesta fotografia está o meu bisavô paterno, com mais ou menos 5 anos. A fotografia mostra a família do meu bisavô, os seus pais e os seus dois irmãos. O pai do meu bisavô era o caseiro da “Quinta da Má Partilha” em Vila Fresca de Azeitão. Os meus antepassados devem ter escolhido as suas melhores roupas para tirar esta foto de família. Quando o meu avô viu esta fotografia reparou logo nos sapatos. Achou piada pois quando era pequeno não se lembra de ter tido sapatos.

Catarina Ricardo,9ºA

15 abril 2012

A família Lemos



Nesta fotografia vemos uma, das muitas famílias numerosas, existentes na década de cinquenta, em Portugal. Esta é a família Lemos, dez irmãos, um único rapaz, com os seus pais e com a sua avó. Todos cresceram e tornaram-se grandes pessoas, entre eles a minha avó. Uns emigraram à procura de melhores condições de vida e os outros permaneceram em Portugal. Todos os que emigraram acabaram por regressar a Portugal ao verem as suas vidas estabilizadas, após um longo período de trabalho em vários países, como Alemanha e França. Infelizmente já não estão todos entre nós, mas tanto os que já partiram como os que ainda cá estão para nos fazer companhia e contar as suas histórias, serão sempre eternamente lembrados por todo o seu esforço e empenho.

Liliana Sousa, 9ºB

03 abril 2012

Um infantário alemão.




Nesta fotografia podemos ver o meu pai que frequentava um infantário na Alemanha, país para onde os meus avos emigraram nos anos 60. Naquela altura a Alemanha ainda estava dividida em duas, a Alemanha Capitalista e a Socialista. A minha família vivia na República Federal Alemã, a parte dita capitalista. Esta foto foi tirada em 1977 e meu pai tinha apenas três anos ( bebé da ponta direita, em baixo )

Luis Pedro, 9ºB

24 março 2012

Aeromodelismo e memórias da Mocidade Portuguesa



Estive à conversa com o meu pai e decidi fazer-lhe estas perguntas, cujo objetivo era saber melhor como funcionava a Mocidade Portuguesa.
 Estes aviões eram iguais aos que fazia no aeromodelismo na MP. Como tinham que ficar lá, voltava de novo a construi-los em casa. Manteve-os até hoje. Assim os fotografei.
Quais os tipos de exercícios que costumavam fazer?
Ginástica e corrida, treinos de tiro, acampamentos, marchas, vários exercícios militares (saudações, continência) e cantávamos o Hino.
Onde os faziam?
No campo de treino, na praia e no liceu.
Que tipo de professores/instrutores tinham?
Os instrutores eram simpáticos, exigiam rigor e disciplina. Alguns eram alunos mais velhos e outros eram professores e também alguns militares.
Quais eram os objetos que vos deveriam acompanhar sempre durante o tempo que se estava na Mocidade?
Uniforme (camisa calções, cinto e bivaque) e nos acampamentos, cantil, bússola e mochila e outro material de campismo.
Costumavam ter algumas atividades?
Sim algumas tais como: tiro ao alvo, aeromodelismo, equitação, ginástica, acampamentos…
Olhando agora à distância pode-se dizer que a intenção da mocidade era sobretudo politica e de propaganda ao regime salazarista?
Sim, era essencialmente essa a intenção da MP, educar os jovens de acordo com os princípios salazaristas fazendo propaganda ao mesmo.
De todas as atividades que realizavam quais eram aquelas que mais tinham a ver com a propaganda do regime?
De todas as atividades, as que mais tinham a ver com a propaganda ao regime eram os desfiles militares, o cantar do hino da mocidade…

Manuel Couto, 9ºE

21 março 2012

"As Mulheres do meu país"




A década de 40 vê uma grande mulher, Maria Lamas, entre 1948 e 1950, editar um livro intitulado “As mulheres do meu país”, publicada em fascículos mensais e independentes vendidos a 15 escudos. Ao conhecimento das condições de vida da mulher portuguesa não será alheio as suas deslocações pelo país como presidente do CNMP (Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas), associação fundada na 1ª República e encerrada pelo regime salazarista em 1948, com o argumento que o Conselho não era necessário, uma vez que o Estado Novo confiava à Obra das Mães pela Educação Nacional (OMEN) o encargo de "educar e orientar" as mulheres.
O livro foi seguramente uma resposta.
Gosto de saber que estas senhoras alentejanas que aparecem nesta fotografia são contemporâneas dos acontecimentos.

(uma vez mais o nosso obrigado à D.Edviges que nos encoraja com o seu entusiasmo pelas fotografias antigas)



17 março 2012

Uma espécie de casa secreta



Talvez nessa já longínqua tarde da década de 40 o tempo estivesse como está hoje: chove não chove chove não chove…
Estar debaixo de um chapéu de chuva de adultos parece fascinante de qualquer maneira. Uma espécie de casa secreta que anda connosco quando nos movemos… e nos parece tão grande.
(Obrigado à Teresa pela lindíssima fotografia)


14 março 2012

Caderneta escolar, anos 40

                                                                                                                           
                                                                                                                                                       (clicar para ampliar)


A Mocidade Portuguesa (MP) foi criada em 1936 e tinha como objetivos educar os jovens de acordo com os valores do regime: “Deus, Pátria e Família” associados ao gosto pelo militarismo e pela disciplina num verdadeiro culto de veneração da autoridade.
Era obrigatória para os jovens entre os 7 e os 14 anos. Todos os sábados, as crianças que pertenciam à Mocidade tinham que realizar tarefas tais como içar a bandeira, saudação à romana, marchas militares, exercícios físicos, palestra patriótica e cantar o hino da organização.
O uniforme da Mocidade Portuguesa era constituído por uma camisa verde (com distintivo no lado esquerdo), calções ou calças bege e umas botas pretas.
O primeiro comissário nacional foi Francisco José Nobre Guedes, que se inspirou na juventude hitleriana dadas as suas simpatias pelo regime alemão.
Em 1937 nasceu a sua versão feminina que tinha como objetivos formar uma nova mulher, boa católica e portuguesa, futura esposa obediente.
Quer a MP quer a sua versão feminina acabaram depois do 25 de Abril de 1974.

Ana Marta, 9º F


12 março 2012

Sem televisão...



Estamos perante uma fotografia tirada no dia 10 de Agosto de 1963, numa casa em Luanda, terra natal da minha família paterna e país muito quente. Dois triciclos e três crianças, o meu tio (à esquerda), o meu pai (ao centro) e a minha tia mais velha (à direita). «Não existia televisão nem nada de tecnologias avançadas», recorda o meu pai ao olhar sorrindo para este momento. Em segundo plano, podemos observar um antigo rádio. Pousadas em cima da pequena mesa, encontram-se os retratos dos avós paternos do meu pai, meus bisavós.
Eras mesmo pequenino, papá.

Camila Freitas, nº 4 – 9ºA.

Estranhos modos de escrita




As turmas, nunca mistas, extensas e com o uniforme escolar, onde se pretendia que não existissem diferenças entre crianças. Se observarmos com mais pormenor verificamos que as mesas são pequenas, mas que têm uma pequena prateleira inferior onde se colocava o material; mais interessante ainda é o modo de escrita da época, pois no centro da mesa existe um furo com uma espécie de copo onde se colocava a tinta, o que para muitas crianças era uma “dor de cabeça” pois essa mesma tinta esborratava os cadernos e livros com um simples deslize. (foto de 1958)

Ana Ermida, 9ºC
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Fico deliciado pela forma como a Ana descreve o tinteiro branco de porcelana:” um furo com uma espécie de copo onde se colocava a tinta”. Verdadeiramente é do século passado…sem qualquer dúvida. Como eu.
:)

08 março 2012

As amadas dos soldados




Era difícil a vida dos soldados, mas também a das suas amadas que muitas vezes não tinham novidades e temiam pelo pior. Deste modo enviavam fotografias suas para os namorados como que dizendo: “Não te esqueças que continuo aqui à tua espera”.

Ana Ermida, 9ºC

Assenta que nem uma luva no dia internacional da Mulher este texto sobre as amadas dos soldados que partiam para a Guerra colonial, não acham?

01 março 2012

Com o Carnaval ainda tão perto...



Nesta imagem encontra-se o meu avô, primeiro à direita, com dois dos seus três irmãos. Esta imagem foi tirada no Carnaval, altura do ano de que ele gostava muito, pois era muito brincalhão. O meu avô era muito cómico, deixando-nos muitas histórias divertidas para recordar.

Rodrigo Martins, 9ºA