24 abril 2012

Um D.Quixote português



Esta fotografia, cedida pela D. Edviges, tem uma história muito engraçada. Este senhor, seu bisavô, era o homem mais alto da aldeia de S. Cristóvão, Montemor-O-Novo. Terá sido o seu tamanho lendário que fez deslocar-se de Évora propositadamente um fotógrafo. A imagem tem datação imprecisa, situando-se nos primeiros anos do século XX.

22 abril 2012

Quinta da Má Partilha



A qualidade desta fotografia não é a melhor, mas tem uma razão, pois foi tirada no início do século XX. Nesta fotografia está o meu bisavô paterno, com mais ou menos 5 anos. A fotografia mostra a família do meu bisavô, os seus pais e os seus dois irmãos. O pai do meu bisavô era o caseiro da “Quinta da Má Partilha” em Vila Fresca de Azeitão. Os meus antepassados devem ter escolhido as suas melhores roupas para tirar esta foto de família. Quando o meu avô viu esta fotografia reparou logo nos sapatos. Achou piada pois quando era pequeno não se lembra de ter tido sapatos.

Catarina Ricardo,9ºA

15 abril 2012

A família Lemos



Nesta fotografia vemos uma, das muitas famílias numerosas, existentes na década de cinquenta, em Portugal. Esta é a família Lemos, dez irmãos, um único rapaz, com os seus pais e com a sua avó. Todos cresceram e tornaram-se grandes pessoas, entre eles a minha avó. Uns emigraram à procura de melhores condições de vida e os outros permaneceram em Portugal. Todos os que emigraram acabaram por regressar a Portugal ao verem as suas vidas estabilizadas, após um longo período de trabalho em vários países, como Alemanha e França. Infelizmente já não estão todos entre nós, mas tanto os que já partiram como os que ainda cá estão para nos fazer companhia e contar as suas histórias, serão sempre eternamente lembrados por todo o seu esforço e empenho.

Liliana Sousa, 9ºB

03 abril 2012

Um infantário alemão.




Nesta fotografia podemos ver o meu pai que frequentava um infantário na Alemanha, país para onde os meus avos emigraram nos anos 60. Naquela altura a Alemanha ainda estava dividida em duas, a Alemanha Capitalista e a Socialista. A minha família vivia na República Federal Alemã, a parte dita capitalista. Esta foto foi tirada em 1977 e meu pai tinha apenas três anos ( bebé da ponta direita, em baixo )

Luis Pedro, 9ºB

24 março 2012

Aeromodelismo e memórias da Mocidade Portuguesa



Estive à conversa com o meu pai e decidi fazer-lhe estas perguntas, cujo objetivo era saber melhor como funcionava a Mocidade Portuguesa.
 Estes aviões eram iguais aos que fazia no aeromodelismo na MP. Como tinham que ficar lá, voltava de novo a construi-los em casa. Manteve-os até hoje. Assim os fotografei.
Quais os tipos de exercícios que costumavam fazer?
Ginástica e corrida, treinos de tiro, acampamentos, marchas, vários exercícios militares (saudações, continência) e cantávamos o Hino.
Onde os faziam?
No campo de treino, na praia e no liceu.
Que tipo de professores/instrutores tinham?
Os instrutores eram simpáticos, exigiam rigor e disciplina. Alguns eram alunos mais velhos e outros eram professores e também alguns militares.
Quais eram os objetos que vos deveriam acompanhar sempre durante o tempo que se estava na Mocidade?
Uniforme (camisa calções, cinto e bivaque) e nos acampamentos, cantil, bússola e mochila e outro material de campismo.
Costumavam ter algumas atividades?
Sim algumas tais como: tiro ao alvo, aeromodelismo, equitação, ginástica, acampamentos…
Olhando agora à distância pode-se dizer que a intenção da mocidade era sobretudo politica e de propaganda ao regime salazarista?
Sim, era essencialmente essa a intenção da MP, educar os jovens de acordo com os princípios salazaristas fazendo propaganda ao mesmo.
De todas as atividades que realizavam quais eram aquelas que mais tinham a ver com a propaganda do regime?
De todas as atividades, as que mais tinham a ver com a propaganda ao regime eram os desfiles militares, o cantar do hino da mocidade…

Manuel Couto, 9ºE

21 março 2012

"As Mulheres do meu país"




A década de 40 vê uma grande mulher, Maria Lamas, entre 1948 e 1950, editar um livro intitulado “As mulheres do meu país”, publicada em fascículos mensais e independentes vendidos a 15 escudos. Ao conhecimento das condições de vida da mulher portuguesa não será alheio as suas deslocações pelo país como presidente do CNMP (Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas), associação fundada na 1ª República e encerrada pelo regime salazarista em 1948, com o argumento que o Conselho não era necessário, uma vez que o Estado Novo confiava à Obra das Mães pela Educação Nacional (OMEN) o encargo de "educar e orientar" as mulheres.
O livro foi seguramente uma resposta.
Gosto de saber que estas senhoras alentejanas que aparecem nesta fotografia são contemporâneas dos acontecimentos.

(uma vez mais o nosso obrigado à D.Edviges que nos encoraja com o seu entusiasmo pelas fotografias antigas)



17 março 2012

Uma espécie de casa secreta



Talvez nessa já longínqua tarde da década de 40 o tempo estivesse como está hoje: chove não chove chove não chove…
Estar debaixo de um chapéu de chuva de adultos parece fascinante de qualquer maneira. Uma espécie de casa secreta que anda connosco quando nos movemos… e nos parece tão grande.
(Obrigado à Teresa pela lindíssima fotografia)


14 março 2012

Caderneta escolar, anos 40

                                                                                                                           
                                                                                                                                                       (clicar para ampliar)


A Mocidade Portuguesa (MP) foi criada em 1936 e tinha como objetivos educar os jovens de acordo com os valores do regime: “Deus, Pátria e Família” associados ao gosto pelo militarismo e pela disciplina num verdadeiro culto de veneração da autoridade.
Era obrigatória para os jovens entre os 7 e os 14 anos. Todos os sábados, as crianças que pertenciam à Mocidade tinham que realizar tarefas tais como içar a bandeira, saudação à romana, marchas militares, exercícios físicos, palestra patriótica e cantar o hino da organização.
O uniforme da Mocidade Portuguesa era constituído por uma camisa verde (com distintivo no lado esquerdo), calções ou calças bege e umas botas pretas.
O primeiro comissário nacional foi Francisco José Nobre Guedes, que se inspirou na juventude hitleriana dadas as suas simpatias pelo regime alemão.
Em 1937 nasceu a sua versão feminina que tinha como objetivos formar uma nova mulher, boa católica e portuguesa, futura esposa obediente.
Quer a MP quer a sua versão feminina acabaram depois do 25 de Abril de 1974.

Ana Marta, 9º F


12 março 2012

Sem televisão...



Estamos perante uma fotografia tirada no dia 10 de Agosto de 1963, numa casa em Luanda, terra natal da minha família paterna e país muito quente. Dois triciclos e três crianças, o meu tio (à esquerda), o meu pai (ao centro) e a minha tia mais velha (à direita). «Não existia televisão nem nada de tecnologias avançadas», recorda o meu pai ao olhar sorrindo para este momento. Em segundo plano, podemos observar um antigo rádio. Pousadas em cima da pequena mesa, encontram-se os retratos dos avós paternos do meu pai, meus bisavós.
Eras mesmo pequenino, papá.

Camila Freitas, nº 4 – 9ºA.

Estranhos modos de escrita




As turmas, nunca mistas, extensas e com o uniforme escolar, onde se pretendia que não existissem diferenças entre crianças. Se observarmos com mais pormenor verificamos que as mesas são pequenas, mas que têm uma pequena prateleira inferior onde se colocava o material; mais interessante ainda é o modo de escrita da época, pois no centro da mesa existe um furo com uma espécie de copo onde se colocava a tinta, o que para muitas crianças era uma “dor de cabeça” pois essa mesma tinta esborratava os cadernos e livros com um simples deslize. (foto de 1958)

Ana Ermida, 9ºC
___________
Fico deliciado pela forma como a Ana descreve o tinteiro branco de porcelana:” um furo com uma espécie de copo onde se colocava a tinta”. Verdadeiramente é do século passado…sem qualquer dúvida. Como eu.
:)

08 março 2012

As amadas dos soldados




Era difícil a vida dos soldados, mas também a das suas amadas que muitas vezes não tinham novidades e temiam pelo pior. Deste modo enviavam fotografias suas para os namorados como que dizendo: “Não te esqueças que continuo aqui à tua espera”.

Ana Ermida, 9ºC

Assenta que nem uma luva no dia internacional da Mulher este texto sobre as amadas dos soldados que partiam para a Guerra colonial, não acham?

01 março 2012

Com o Carnaval ainda tão perto...



Nesta imagem encontra-se o meu avô, primeiro à direita, com dois dos seus três irmãos. Esta imagem foi tirada no Carnaval, altura do ano de que ele gostava muito, pois era muito brincalhão. O meu avô era muito cómico, deixando-nos muitas histórias divertidas para recordar.

Rodrigo Martins, 9ºA

15 fevereiro 2012

"Colecção Gigante", 1947




O Manuel Couto, do 9ºE, trouxe-nos este lindíssimo livro da autoria de Leyguarda Ferreira com ilustrações de amorim, com a indicação no seu interior de ter sido oferecido no Natal de 1947. Com os seus 32 cm de altura por 15 de largura, faz honra ao título desta coleção da editora Romano Torres, de seu nome “colecção Gigante”. Imagina-se o entusiasmo da pequenada.

                                                           Outras publicações da autora

08 fevereiro 2012

Fotografia com duas cadeiras e pano de fundo




À sua maneira, esta é uma fotografia de estúdio, cerimoniosa como todas as fotografias de estúdio.
Olhando atentamente para o chão, verificamos que ela foi tirada ao ar livre (como o eram no século XIX todas as que eram feitas fora do ateliê por causa da luz) , bastando duas cadeiras e um pano colocado atrás para que o cenário se construísse.
Data de finais do século XIX, desconhecendo nós o motivo que justificou a ida do fotógrafo para registar toda esta pompa e circunstância. A senhora que aparece atrás ao centro é a progenitora desta considerável prole, tendo enviuvado não há muito tempo. Coube-lhe gerir com mão firme os pertences da família, coisa digna de memória no Alentejo dessa altura, mais concretamente em S. Cristóvão, Montemor- O- Novo.
(fotografia gentilmente cedida pela D.Edviges)

31 janeiro 2012

Tudo começou com esta fotografia...




Tudo começou com esta fotografia… Num  nono ano, a propósito dos anos 30, da ânsia de estabilidade após a agitação da Primeira República, levei para uma aula esta fotografia. O objetivo era, a partir dela – conheço-a bem e aos que lá estão, uma vez que são os meus avós paternos o meu pai e os meus tios – abordar os anos 30 em Portugal vistos pelos olhos da classe média conservadora. Os alunos, quando lhes disse quem eram, começaram com um entusiasmo inusitado e contagiante a fazerem-me perguntas sobre os personagens que assim, aos poucos, iam ganhando densidade humana, tomando vida a partir da realidade/ficção que sobre eles tecíamos.
(ler o texto original clicando aqui)
Lançado o desafio de procurarem eles próprios fotografias de família... elas foram surgindo, surgindo…E se fizéssemos um arquivo? E um blogue? Podíamos fazer um blogue?!!??
Pois podíamos e a prova está aqui. Ao fim de três anos e quase meio ainda dura. Com a perseverança de alguns dos professores do grupo de História da escola E B 2-3 de Azeitão e sobretudo dos alunos de 9º destes últimos três anos que têm sido incansáveis a desencantar coisas antigas.

29 janeiro 2012

Blogs do ano 2011


 
                                                                                              Resultados finais



Como muitos dos que nos visitam terão reparado, andámos recentemente metidos nas andanças de um concurso de blogues organizado por esse espaço de liberdade de opinião que é o  aventar.  Embora continuemos a desconhecer o “culpado” da inscrição, desde já o nosso muito obrigado ao blogue organizador cuja iniciativa nos permitiu encontrar outros espaços e dar a conhecer o que andamos a fazer. Ficámos em 2º lugar na ronda final.
O vencedor  da categoria História foi o blogue historia7da professora Anabela Magalhães,  cujo trabalho acompanhamos com apreço. Os nossos sinceros parabéns.
A todos os que gastam um bocadinho do seu tempo a gostar de nós e sobretudo aos nossos queridos alunos, do fundo do coração, o meu muito obrigado.

25 janeiro 2012

Os alunos "da polícia"



“Em Setúbal, em 1954, tive uma outra experiência muito linda. Chegada à escola, esperava que me destinassem uma turma quando o Diretor da escola nos entregou uma caixinha com papelinhos «para escolher com quem haviam de ficar os alunos da polícia».
Pensei que eram filhos de polícias mas logo percebi que eram meninos que andavam pela rua e a quem os polícias perguntavam que escola frequentavam. Se eles respondiam que não andavam na escola, a polícia ia falar com os pais e ameaçava que lhes retiravam o abono de família.
A turma que recebi tinha tantos alunos que nem sequer fui obrigada a apresentar serviço.
Os alunos, carentes de afeto e de possibilidades monetárias, recebiam de forma admirável toda a ternura que lhes era dada.
Havia muita fome e as escolas não tinham cantinas. Muitos alunos roubavam.
Um dia apareceu-me um aluno com um peixe grande para me oferecer, pelo que lhe perguntei se o pai era pescador, ao que me respondeu: - Não, professora. Eu roubei-o a um homem rico lá da lota para lhe dar a si.
Foi muito difícil convencê-lo a levar o peixe e que não devia fazer isso.
Os alunos eram obrigados a usar batas mas não havia dinheiro para os pais as comprarem, e isto não era só na classe chamada da polícia. Era geral.
Tempos bem difíceis, esses, mas valeu a pena os trinta e seis anos que vivi a ensinar e a amar as crianças.”
Antonieta 

ps-esta imagem, de finais dos anos 50, não está  diretamente relacionada com o texto.

23 janeiro 2012

Memórias dispersas




A professora Antonieta, com os seus 83 anos, é a minha consultora preferida para assuntos do ensino primário durante o Estado Novo e os anos 70 a 80 já em democracia.
Das muitas conversas, tem sobrado imensa informação solta de que tomo notas e que julgo uma pena perder-se. Algumas dessas notas transcrevo-as aqui, sob a forma de memórias dispersas que a própria reviu. Optou-se por manter o tom coloquial.
“No ano de 1952 exerci pela primeira vez a minha profissão de professora. Foi numa escola da Moita com uma 4ª classe.
As meninas frequentavam a escola da parte da tarde. De manhã eram os rapazes.
Os alunos podiam frequentar a escola primária até aos 14 anos, havendo por isso alunas com 11,12 e mais anos.
A ligação professora- aluna era na maioria dos casos muito complicada. Não havia à-vontade suficiente para a aluna se entregar. Sempre uma distância enorme.
Existia um silêncio obrigatório considerado o ideal para o ensino funcionar bem. Havia professores que recusavam a existência de tal distância, e os que a conseguiam ultrapassar com muito amor deixaram uma recordação maravilhosa nos seus alunos para toda a vida.”
(…)



“Ensinavam-se todos os aparelhos do corpo humano menos o reprodutor.
Certa vez, uma das alunas mais velhas faltou à escola durante uns dias. Quando regressou eu quis saber a razão das suas faltas mas ela só dizia que a mãe estivera doente. Á hora do recreio uma aluna veio-me dizer que ela faltara à escola porque tinha ajudado a mãe a ter um bebé e estava a mentir.
A verdade soube-a depois. O pai trabalhava de noite, or irmãos eram pequenos, estavam a dormir e a mãe pediu-lhe ajuda.
Falámos então na aula com todo o cuidado e simplicidade sobre o que ela tinha dito. Só uma aluna tinha visto nascer um bezerrinho.
No dia da vinda do padre à escola, ele perguntou-me o que tinha acontecido porque a mãe de uma aluna tinha dito que a professora tinha falado de coisas feias em vez de dar aulas.
Foi difícil mas valeu a pena. O próprio padre concordou comigo.”
 (...)
continua


16 janeiro 2012

O Bairro do Fim do Mundo

                                                                                                 fotografia de Ricardo Macedo


Esta fotografia foi tirada pelo engenheiro Ricardo Macedo no Bairro do Fim do Mundo, no início da década de 80.
O excerto que se segue é de uma notícia do jornal Público de 10/6/2009:
«A Câmara Municipal de Cascais demoliu ontem as últimas barracas do Bairro do Fim do Mundo, na freguesia do Estoril, onde chegaram a morar mais de 600 pessoas. A demolição, que gerou o protesto de alguns moradores, vai permitir a renaturalização deste espaço da Reserva Ecológica Nacional.
Em comunicado, a autarquia sublinhou ter criado "as condições necessárias para erradicar este foco de pobreza e degradação", que surgiu no fim da década de 1970 e teve "uma franca expansão" na década seguinte. Segundo um recenseamento realizado em 1993, o Bairro do Fim do Mundo tinha na altura 141 barracas, nas quais moravam 619 pessoas de 278 agregados familiares.(…)»

08 janeiro 2012

Um gorro de fazer desmaiar de inveja qualquer estilista



Eis uma fotografia dos anos 40, onde aparece com quatro meses e um gorro de fazer desmaiar de inveja qualquer estilista a nossa mais recente colaboradora – a D.Edviges, assistente operacional na nossa escola.
A razão da originalidade da peça deve-se ao facto de ter sido tricotado com todo o tempo do mundo e amor, como só as mãos das mães sabem fazer. A fotografia é da Foto Tivoli de Montemor-O-Novo.