15 fevereiro 2012

"Colecção Gigante", 1947




O Manuel Couto, do 9ºE, trouxe-nos este lindíssimo livro da autoria de Leyguarda Ferreira com ilustrações de amorim, com a indicação no seu interior de ter sido oferecido no Natal de 1947. Com os seus 32 cm de altura por 15 de largura, faz honra ao título desta coleção da editora Romano Torres, de seu nome “colecção Gigante”. Imagina-se o entusiasmo da pequenada.

                                                           Outras publicações da autora

08 fevereiro 2012

Fotografia com duas cadeiras e pano de fundo




À sua maneira, esta é uma fotografia de estúdio, cerimoniosa como todas as fotografias de estúdio.
Olhando atentamente para o chão, verificamos que ela foi tirada ao ar livre (como o eram no século XIX todas as que eram feitas fora do ateliê por causa da luz) , bastando duas cadeiras e um pano colocado atrás para que o cenário se construísse.
Data de finais do século XIX, desconhecendo nós o motivo que justificou a ida do fotógrafo para registar toda esta pompa e circunstância. A senhora que aparece atrás ao centro é a progenitora desta considerável prole, tendo enviuvado não há muito tempo. Coube-lhe gerir com mão firme os pertences da família, coisa digna de memória no Alentejo dessa altura, mais concretamente em S. Cristóvão, Montemor- O- Novo.
(fotografia gentilmente cedida pela D.Edviges)

31 janeiro 2012

Tudo começou com esta fotografia...




Tudo começou com esta fotografia… Num  nono ano, a propósito dos anos 30, da ânsia de estabilidade após a agitação da Primeira República, levei para uma aula esta fotografia. O objetivo era, a partir dela – conheço-a bem e aos que lá estão, uma vez que são os meus avós paternos o meu pai e os meus tios – abordar os anos 30 em Portugal vistos pelos olhos da classe média conservadora. Os alunos, quando lhes disse quem eram, começaram com um entusiasmo inusitado e contagiante a fazerem-me perguntas sobre os personagens que assim, aos poucos, iam ganhando densidade humana, tomando vida a partir da realidade/ficção que sobre eles tecíamos.
(ler o texto original clicando aqui)
Lançado o desafio de procurarem eles próprios fotografias de família... elas foram surgindo, surgindo…E se fizéssemos um arquivo? E um blogue? Podíamos fazer um blogue?!!??
Pois podíamos e a prova está aqui. Ao fim de três anos e quase meio ainda dura. Com a perseverança de alguns dos professores do grupo de História da escola E B 2-3 de Azeitão e sobretudo dos alunos de 9º destes últimos três anos que têm sido incansáveis a desencantar coisas antigas.

29 janeiro 2012

Blogs do ano 2011


 
                                                                                              Resultados finais



Como muitos dos que nos visitam terão reparado, andámos recentemente metidos nas andanças de um concurso de blogues organizado por esse espaço de liberdade de opinião que é o  aventar.  Embora continuemos a desconhecer o “culpado” da inscrição, desde já o nosso muito obrigado ao blogue organizador cuja iniciativa nos permitiu encontrar outros espaços e dar a conhecer o que andamos a fazer. Ficámos em 2º lugar na ronda final.
O vencedor  da categoria História foi o blogue historia7da professora Anabela Magalhães,  cujo trabalho acompanhamos com apreço. Os nossos sinceros parabéns.
A todos os que gastam um bocadinho do seu tempo a gostar de nós e sobretudo aos nossos queridos alunos, do fundo do coração, o meu muito obrigado.

25 janeiro 2012

Os alunos "da polícia"



“Em Setúbal, em 1954, tive uma outra experiência muito linda. Chegada à escola, esperava que me destinassem uma turma quando o Diretor da escola nos entregou uma caixinha com papelinhos «para escolher com quem haviam de ficar os alunos da polícia».
Pensei que eram filhos de polícias mas logo percebi que eram meninos que andavam pela rua e a quem os polícias perguntavam que escola frequentavam. Se eles respondiam que não andavam na escola, a polícia ia falar com os pais e ameaçava que lhes retiravam o abono de família.
A turma que recebi tinha tantos alunos que nem sequer fui obrigada a apresentar serviço.
Os alunos, carentes de afeto e de possibilidades monetárias, recebiam de forma admirável toda a ternura que lhes era dada.
Havia muita fome e as escolas não tinham cantinas. Muitos alunos roubavam.
Um dia apareceu-me um aluno com um peixe grande para me oferecer, pelo que lhe perguntei se o pai era pescador, ao que me respondeu: - Não, professora. Eu roubei-o a um homem rico lá da lota para lhe dar a si.
Foi muito difícil convencê-lo a levar o peixe e que não devia fazer isso.
Os alunos eram obrigados a usar batas mas não havia dinheiro para os pais as comprarem, e isto não era só na classe chamada da polícia. Era geral.
Tempos bem difíceis, esses, mas valeu a pena os trinta e seis anos que vivi a ensinar e a amar as crianças.”
Antonieta 

ps-esta imagem, de finais dos anos 50, não está  diretamente relacionada com o texto.

23 janeiro 2012

Memórias dispersas




A professora Antonieta, com os seus 83 anos, é a minha consultora preferida para assuntos do ensino primário durante o Estado Novo e os anos 70 a 80 já em democracia.
Das muitas conversas, tem sobrado imensa informação solta de que tomo notas e que julgo uma pena perder-se. Algumas dessas notas transcrevo-as aqui, sob a forma de memórias dispersas que a própria reviu. Optou-se por manter o tom coloquial.
“No ano de 1952 exerci pela primeira vez a minha profissão de professora. Foi numa escola da Moita com uma 4ª classe.
As meninas frequentavam a escola da parte da tarde. De manhã eram os rapazes.
Os alunos podiam frequentar a escola primária até aos 14 anos, havendo por isso alunas com 11,12 e mais anos.
A ligação professora- aluna era na maioria dos casos muito complicada. Não havia à-vontade suficiente para a aluna se entregar. Sempre uma distância enorme.
Existia um silêncio obrigatório considerado o ideal para o ensino funcionar bem. Havia professores que recusavam a existência de tal distância, e os que a conseguiam ultrapassar com muito amor deixaram uma recordação maravilhosa nos seus alunos para toda a vida.”
(…)



“Ensinavam-se todos os aparelhos do corpo humano menos o reprodutor.
Certa vez, uma das alunas mais velhas faltou à escola durante uns dias. Quando regressou eu quis saber a razão das suas faltas mas ela só dizia que a mãe estivera doente. Á hora do recreio uma aluna veio-me dizer que ela faltara à escola porque tinha ajudado a mãe a ter um bebé e estava a mentir.
A verdade soube-a depois. O pai trabalhava de noite, or irmãos eram pequenos, estavam a dormir e a mãe pediu-lhe ajuda.
Falámos então na aula com todo o cuidado e simplicidade sobre o que ela tinha dito. Só uma aluna tinha visto nascer um bezerrinho.
No dia da vinda do padre à escola, ele perguntou-me o que tinha acontecido porque a mãe de uma aluna tinha dito que a professora tinha falado de coisas feias em vez de dar aulas.
Foi difícil mas valeu a pena. O próprio padre concordou comigo.”
 (...)
continua


16 janeiro 2012

O Bairro do Fim do Mundo

                                                                                                 fotografia de Ricardo Macedo


Esta fotografia foi tirada pelo engenheiro Ricardo Macedo no Bairro do Fim do Mundo, no início da década de 80.
O excerto que se segue é de uma notícia do jornal Público de 10/6/2009:
«A Câmara Municipal de Cascais demoliu ontem as últimas barracas do Bairro do Fim do Mundo, na freguesia do Estoril, onde chegaram a morar mais de 600 pessoas. A demolição, que gerou o protesto de alguns moradores, vai permitir a renaturalização deste espaço da Reserva Ecológica Nacional.
Em comunicado, a autarquia sublinhou ter criado "as condições necessárias para erradicar este foco de pobreza e degradação", que surgiu no fim da década de 1970 e teve "uma franca expansão" na década seguinte. Segundo um recenseamento realizado em 1993, o Bairro do Fim do Mundo tinha na altura 141 barracas, nas quais moravam 619 pessoas de 278 agregados familiares.(…)»

08 janeiro 2012

Um gorro de fazer desmaiar de inveja qualquer estilista



Eis uma fotografia dos anos 40, onde aparece com quatro meses e um gorro de fazer desmaiar de inveja qualquer estilista a nossa mais recente colaboradora – a D.Edviges, assistente operacional na nossa escola.
A razão da originalidade da peça deve-se ao facto de ter sido tricotado com todo o tempo do mundo e amor, como só as mãos das mães sabem fazer. A fotografia é da Foto Tivoli de Montemor-O-Novo.

31 dezembro 2011

Um ano de 2012 cheio daquilo que verdadeiramente importa...


Este é um daqueles sinais de trânsito que nos faz parar ou voltar para trás porque não o queremos perder. Julgo que foi em Lagos que o fotografei e nunca lhe consegui descobrir a data exata. (1)
Nem isso é muito importante porque o que queria mesmo é desejar a todos os que por aqui passam um bom ano de 2012, cheio daquilo que verdadeiramente importa. E é disso que ele trata, afinal.


(1) Arrisco anos 60, mas é apenas um palpite...se alguém souber...

16 dezembro 2011

Um feliz Natal

                                                                                      Foto de Ricardo Macedo


Desde que ma enviaram (gentileza da professora Sónia Abreu) que olho para esta família preparando-se para tirar uma fotografia à “la minute” na praia de Mira nos anos 60 com uma ternura imensa.
Numa altura de provações e sacrifícios, de aflição para muitos, queria que  fosse a última que ponho em 2011, sem grandes comentários. Se olharem bem para ela percebem porquê.
É preciso reaprender tanta coisa….
Desejo-vos a todos um simples e feliz Natal.

12 dezembro 2011

Carrinho de bebés


Um coche? Um protótipo? Não. Mais um incrível carrinho – desta vez para gémeos – dos anos 60. Mais um orgulho para a nossa coleção de carrinhos de bebé.

Fotografia cedida pela Ana Figueiredo, do 9ºF

07 dezembro 2011

Um passado mais ou menos próximo...

                                                                                                     clicar na imagem para ampliar

“(…) enriquecido num futuro mais ou menos próximo pelas transmissões a cores vindas de todo o mundo(…)” lê-se neste exemplar da Crónica Feminina de abril de 1969. Esse futuro mais ou menos próximo para o arranque das emissões regulares a cores da RTP estaria a onze anos de distância…

Revista gentilmente cedida pela D.Edviges, assistente operacional.

30 novembro 2011

Festa das cerejas


Esta fotografia, cedida pela professora Guilhermina Duarte ( de novo muito obrigado e um beijinho), foi tirada na Venda do Pinheiro por altura da “Festa das cerejas”, corria o ano de 1959.
Atente-se no facto de se tratar da então assim chamada fotografia “à la minute”.
Se ficou intrigado com a designação é só começar a pesquisar e vai ver que encontra um mundo delicioso e inesperado.

22 novembro 2011

Memórias do Corpo Expedicionário Português



Portugal participou no primeiro conflito mundial ao lado dos Aliados. Portugal entrou com os seguintes objetivos:
-manutenção das colónias
- afirmar-se perante a Europa
- procurar no final da guerra poder receber mais apoio dos países vencedores.
É claro que na situação que o país atravessava, esta decisão não foi tomada com grande aceitação por parte da população em geral. À medida que o número de mortes vai aumentando no Corpo Expedicionário Português e o seu fim era previsível, a guerra tornava-se cada vez mais impopular.
O custo de vida da população aumentava, o abastecimento de bens escasseava e o desemprego continuava a aumentar. Estes fatores fizeram com que começassem a surgir violentas reações sociais que eram aproveitadas pelos monárquicos.
No final da Guerra o grupo de aliados onde Portugal estava foi declarado vencedor o que veio trazer algum prestígio ao nosso país.

Francisco Alfaiate,9ºE

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09 novembro 2011

Uma tarde inesquecível


“A fotografia é dos anos 50. Um dia, a minha avó e quatro amigas, decidiram ir ao Jardim Zoológico... Vestidas como se estivessem num baile! Os dezoito e dezanove anos trazem consigo o sabor da aventura e de experimentar coisas novas... Talvez até, um pouco de loucura.”

Esta fotografia e a nota que a acompanha foram enviadas pela minha querida antiga aluna Teresa d'Orey, uma das primeiras sonhadoras deste blogue. E com a promessa de mais. Que bom.

03 novembro 2011

Descubra as diferenças .3





Descobre as diferenças entre as imagens, uma dos anos 50 e a outra atual, encontrada na net, ambas da praia de Dona Paula em Goa, na Índia.
Se repararem, a floresta tornou-se numa zona turística.
Segundo a lenda, esta praia chama-se Dona Paula em memória da filha de um vice-rei português. A jovem mulher terá saltado de um penhasco após enfrentar as acusações da sua família por causa do seu caso de amor com um pobre pescador.
Os habitantes locais dizem que em noites de luar se pode ver Dona Paula aparecendo do mar usando apenas um colar de pérolas.

Carolina Gomes, 9ºD

24 outubro 2011

Praia da Areia Branca, Timor, 1962


Ao olharmos para esta fotografia de repente, achamos que ela pode ter sido tirada em qualquer praia…com um toquezinho exótico, é certo.
Em Timor não chegou a haver guerra com os colonizadores portugueses. Por isso, entre intervalos de vigilância, os militares tinham comportamentos inesperados se comparados com os que cumpriam serviço militar noutras colónias portuguesas…aproveitando por exemplo para ir descontraidamente à praia…neste caso na praia da Areia Branca, em Timor, onde esta fotografia foi tirada em 1962.

Ana Marques, 9ºD

18 outubro 2011

Solteiros contra casados


E o que farão estas senhoras e estas meninas quase senhoras neste ainda frio dia vinte de maio de 1951?
Estão a assistir a uma coisa que na época tinha um lugar reservado nos coraçõezinhos das mais novas – um jogo de futebol entre solteiros e casados…o que explica a atenção delas e a ausência dos ditos na fotografia.
Desconhecemos o resultado do desafio. Sabemos apenas que um dia antes a seleção nacional tinha perdido por 5 a 2 contra a Inglaterra, o que obviamente pouco tem a ver com o assunto, embora possa ter dado ganas de vingança e desejo de brilhar aos jovens candidatos a maridos.

10 outubro 2011

Para mais tarde recordar... Díli,1962


Era no refeitório que os militares se encontravam para comer, matar saudades, falar e, pelos vistos, também tirar fotografias para mais tarde recordar… esta passagem por Díli em 1962

Ana Marques, 9ºD

04 outubro 2011

Timor, 1962




Tropas nativas, tropas de segunda linha. A estas tropas fotografadas em Díli, Timor, em 1962, deram os nossos militares instrução. Uma instrução bem dada mas de certeza diferente da de hoje em dia. Em Timor, talvez a quase ausência de intenções independentistas permitisse uma relação diferente com a população colonizada.


Ana Marques, 9ºD

14 setembro 2011

E um pouco de esperança...


Escolho esta fotografia descontraída e com o seu quê de esperançoso, datada de 1952, para vos desejar a todos um bom regresso. Se o ano escolar que agora se inicia puder ficar marcado nas vossas vidas por inesquecíveis acontecimentos positivos, tanto melhor.

10 julho 2011

Um longo e feliz Verão




A todos os que nos visitam com genuína amizade e apreço, os desejos de um longo e feliz Verão.
Deixamo-vos com a contra capa do Suplemento ilustrado do “Corriere della Sera” e um passatempo no interior do mesmo datado de Julho de 1929.

20 junho 2011

Sonhos de menina



Nos anos 50, embora a produção de máquinas fotográficas para amadores permitisse a sua progressiva generalização, em Portugal a sua posse era ainda restrita à classe média e, dentro desta, à burguesia com posses, como então se dizia.
As fotografias eram tiradas com parcimónia, quer pelo preço dos rolos e da sua revelação em casas especializadas, quer pelo espírito de poupança próprio da época.
A fotografia a cores será a grande estrela da década.
Todos nós, “habitantes” do mundo digital que nos permite captar largos milhares de imagens com as nossas máquinas actuais, não nos passa pela cabeça a quanto obrigava a gestão de um rolo de vinte fotografias.
Se folhearmos álbuns familiares – para quem os teve – constataremos que, exceptuando as grandes datas (Natais, aniversários, casamentos, baptizados…) não são abundantes as fotografias do quotidiano.
Desconhecemos o que levou esta menina a deslocar-se ao estúdio fotográfico neste dia. Muitas vezes não era preciso qualquer motivo especial para além do ímpeto repentino de uma avó embevecida…

Um muito obrigado à professora Guilhermina Duarte pela fotografia

03 junho 2011

Fim de tarde


Ao meu coração um peso de ferro
Eu hei de prender na volta do mar.
Ao meu coração um peso de ferro... Lançá-lo ao mar.
Quem vai embarcar, que vai degredado,
As penas do amor não queira levar...
Marujos, erguei o cofre pesado, Lançai-o ao mar.
E hei de mercar um fecho de prata.
O meu coração é o cofre selado.
A sete chaves: tem dentro uma carta...
(...)

Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'