14 setembro 2011
E um pouco de esperança...
Escolho esta fotografia descontraída e com o seu quê de esperançoso, datada de 1952, para vos desejar a todos um bom regresso. Se o ano escolar que agora se inicia puder ficar marcado nas vossas vidas por inesquecíveis acontecimentos positivos, tanto melhor.
10 julho 2011
Um longo e feliz Verão
A todos os que nos visitam com genuína amizade e apreço, os desejos de um longo e feliz Verão.
Deixamo-vos com a contra capa do Suplemento ilustrado do “Corriere della Sera” e um passatempo no interior do mesmo datado de Julho de 1929.
20 junho 2011
Sonhos de menina
Nos anos 50, embora a produção de máquinas fotográficas para amadores permitisse a sua progressiva generalização, em Portugal a sua posse era ainda restrita à classe média e, dentro desta, à burguesia com posses, como então se dizia.
As fotografias eram tiradas com parcimónia, quer pelo preço dos rolos e da sua revelação em casas especializadas, quer pelo espírito de poupança próprio da época.
A fotografia a cores será a grande estrela da década.
Todos nós, “habitantes” do mundo digital que nos permite captar largos milhares de imagens com as nossas máquinas actuais, não nos passa pela cabeça a quanto obrigava a gestão de um rolo de vinte fotografias.
Se folhearmos álbuns familiares – para quem os teve – constataremos que, exceptuando as grandes datas (Natais, aniversários, casamentos, baptizados…) não são abundantes as fotografias do quotidiano.
Desconhecemos o que levou esta menina a deslocar-se ao estúdio fotográfico neste dia. Muitas vezes não era preciso qualquer motivo especial para além do ímpeto repentino de uma avó embevecida…
03 junho 2011
Fim de tarde
Ao meu coração um peso de ferro
Eu hei de prender na volta do mar.
Ao meu coração um peso de ferro... Lançá-lo ao mar.
Quem vai embarcar, que vai degredado,
As penas do amor não queira levar...
Marujos, erguei o cofre pesado, Lançai-o ao mar.
E hei de mercar um fecho de prata.
O meu coração é o cofre selado.
A sete chaves: tem dentro uma carta...
(...)
Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'
06 maio 2011
Uma viagem inesquecível
25 abril 2011
Uma missão heróica e vital
clicar nas imagens para ampliar
Com exageros, sem exageros, com disparates e sem disparates, o meu muito obrigado a todos os que tornaram possível o 25 de Abril de 1974.
Tinha exactamente 15 anos e andava no equivalente ao 9º ano actual. O meu pai, perplexo perante as notícias que iam chegando, encarregou-me de uma missão que na altura me pareceu heróica e vital – ir comprar o primeiro jornal que encontrasse…
06 abril 2011
Retrato de família, com homem ausente
Este retrato apela para um idílico olhar sobre o universo feminino. Duas mulheres e uma criança gozam de um final de tarde ameno no jardim de sua casa. A simetria dos corpos e o enquadramento das heras, o ar descansado das personagens revelam-nos o cuidado com que o fotografo se aprimorou na representação. Podemos imaginar que aquele que dispara a máquina, não aparecendo por isso na fotografia é justamente o elemento masculino da família. Mas, se o não for, remete-nos para uma realidade bem comum durante o século XX, a da ausência de homens em determinados contextos familiares. O número de casos em que, no decurso desse século, as mulheres foram obrigadas a seguir as suas vidas sem o apoio masculino, foi enorme. Com frequência, estas teriam de sustentar, sozinhas, os filhos e demais dependentes. Estas situações poderiam decorrer da morte dos maridos nas guerras (1ª e 2ª guerra mundial, nomeadamente) ou de situações de divórcio ou de mães solteiras. Nestes casos, as mulheres lançadas no mercado de trabalho, até aí só masculino, fizeram avançar as mentalidades, na medida em que o seu próprio estatuto punha em causa as determinações morais e religiosas de que o seu lugar deveria ser em casa.
04 abril 2011
Embarque para Londres, anos 60
Às vezes imagino o impacto que causaria numa pessoa “normal” uma viagem a Londres nos anos 60…
Portugal vivia fechado na sua gaiola salazarista, já mergulhado na guerra colonial que o encerraria ainda mais sobre si próprio, entre os seus lutos e a frieza estrangeira.
Voltar…talvez tudo parecesse de repente mais pequeno, sujo e cinzento. Um nó no estômago, uma crescente tristeza.
31 março 2011
25 março 2011
Talvez um riso de crianças...quem sabe?!?
Agora que está na ordem do dia a frieza dos números, ficam aqui alguns para reflexão.
Taxa de natalidade em Portugal:
1960 ________________24,1% *
1980 ________________16,1%
2001 ________________10,9%
(…)
*esta fotografia data de1966
22 março 2011
A nudez infantil como momento de passagem

Este é um exemplo de um tipo de documento fotográfico que foi perdendo o sentido social a partir de meados do século XX. Fotografias como esta representaram um momento crucial na vida de cada criança, pois era a primeira vez que era representada, com o intuito de abrir-lhe um espaço no álbum de família. O cenário era, tal como nesta se apresenta, o de um estúdio fotográfico. Para a maior parte das crianças, era a mãe que, tal como levaria a baptizar para a introduzir na comunidade religiosa, a levaria também ao fotógrafo profissional para a dar a conhecer ao mundo. Disporia o bebé sobre uma bancada presente na sala para este fim, ora voltado para cima se fosse menino, ora voltado para baixo se fosse menina. Em ambos os casos, porém, o sexo devia ser ocultado. A frequência do ritual era grande, sendo comum a quase todas as crianças, pelo menos entre a classe média. Tendo em conta, então, que este seria um momento único na vida do cidadão, pois em nenhum outro momento da sua vida posaria despido, questiono-me qual seria o significado histórico e social destas imagens? Embora o cuidado com que se produziam estas representações nos levem a crer num efeito meramente estético, pedirei auxílio a Walter Benjamin para transferir, da sua pesquisa e reflexão em Enfance, Èloge de la poupée et autre essais, algumas ideias que me parecem adequadas e plausíveis na compreensão deste fenómeno. Benjamin considera que, no século XIX, momento em que estas fotografias começavam a circular, a infância era tida entre duas perspectivas. A de Rousseau, segundo a qual a infância não era ainda consciente e as crianças viviam num limbo de inocência. Assim, perante tal ideia, as crianças poderiam posar nuas como “Deus as havia mandado ao mundo”, porque de nada de culpável, pecaminoso e sexuado seriam portadoras. A outra perspectiva integrava-se no sentido hegeliano da humanidade, no qual esta teria de percorrer um caminho evolutivo ao longo da vida para, através da educação e da cultura, atingir o progresso, marca da sociedade moderna. Então, a criança, ora vista como ser assexuado e inocente ora tida como o humano incompleto, apresentar-se-ia à sociedade, pela primeira vez, nua.
17 março 2011
Viver dos rendimentos
Órfão de alunos de 9º ano, estou a viver da herança do ano anterior, a viver dos rendimentos, portanto.
Socorro-me de uns apontamentos que tirava quando projectávamos as fotografias já digitalizadas e, livremente, ainda sem rumo definido sobre elas falávamos.
Numa dessas vezes, o Bernardo, que não tinha propriamente problemas financeiros, saiu-se com um genuíno “professor, o homem parece mascarado”. Mascarado? Devo ter vociferado antes de disparar “sabe por acaso como é que se vivia em Portugal nos anos 40?”
Hoje, tendo em conta a crise económica e financeira que o país atravessa, fico a matutar se quem tem andado mascarado não teremos sido nós todos nestas últimas décadas…?!?
13 março 2011
Laboratório da Polícia Forense
05 março 2011
Miúdo mascarado,Seixal,1950
1950…Seixal…época carnavalesca…de que é que um miúdo se havia de mascarar?
Um bom carnaval para todos e um abraço.
28 fevereiro 2011
"...sob a direcção da classe operária"
Sorrio ao olhar para esta minha fotografia tirada na escadaria da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa nos idos 1980 ou 81 – sou o estudante lá atrás com um cabelo que parece um cocker.
Encontrei uma igual num blogue criado especialmente por ocasião de um jantar comemorativo dos 25 anos dos finalistas do curso de História de 1982 - http://passado-passado.blogspot.com/
Seis ou sete anos depois da revolução de 1974 ainda se podia ler numa das paredes: “Estudantes ao lado do Povo sob a direcção da classe operária”.
As coisas mudaram um pouco, não?
23 fevereiro 2011
Algures a sul, na memória.
Esta fotografia podia ser de uma parte antiga e popular de uma cidade portuguesa qualquer, um beco com casas e vizinhos algures a sul.
O que a torna curiosa é ter sido tirada em Luanda em 1951. Como se esta arquitectura improvisada fosse buscar inspiração à memória, ou à saudade, o que neste caso é quase a mesma coisa.
17 fevereiro 2011
Timor, 1961
Sem guerra à espreita, como acontecia noutras latitudes do "Ultramar português", os militares que tiraram esta fotografia em Timor em 1961, aproveitam para afogar a saudade e a distância neste bar cujo mobiliário e seu design é, a par da decoração de interiores - neste caso de exteriores - , um hino à sobrevivência de uma certa portugalidade que vai desaparecendo...
13 fevereiro 2011
Festas da Alta Burguesia

Nesta fotografia podemos observar os convidados de uma festa, vestidos de acordo com a moda dos finais do século XIX, início do século XX, realizada no palacete de campo da minha trisavó, situado numa zona rural perto da Guarda. Este tipo de festas palacianas era muito comum para os membros da alta e média burguesias, constituindo um dos principais divertimentos da época.
Daniel Vaz 9ª E
07 fevereiro 2011
Uma refeição atribulada...

Virgílio Guardião da Silva.
Enquanto estava a cumprir o Serviço Militar, houve um dia, à hora do almoço, que o batalhão estava todo sentado à mesa, então o meu bisavô reparou que no prato dele estava um rato que ele tapou com a massa, não comendo o resto da sua refeição. Esperou que todos comessem e saíssem, depois foi falar com os superiores, informando do que se tinha passado. Ficaram todos muito agradecidos pelo meu bisavô não ter provocado um levantamento de rancho, pois era isso que iria acontecer se ele tivesse falado do que viu ao resto do batalhão. O meu bisavô recebeu um mês de licença e passou a comer com os superiores a melhor comida, como recompensa pela sua boa acção.
Alexandre Serôdio 9ºE
31 janeiro 2011
Passeios inesquecíveis
Um autocarro alugado por um grupo excursionista em 1950 e um outro da Transportadora Setubalense da mesma década. Passeatas para mais tarde recordar…
25 janeiro 2011
Festa de homenagem aos pescadores de Sesimbra em 1942
"No Salão da Vila Amália (...) realizaram-se, nos dias 11, 12 e 13 do corrente mês, grandiosas e interessantíssimas festas de homenagem aos pescadores de Sesimbra, organizadas e elevadas a efeito por um grupo de gentis senhoras da nossa sociedade, com a cooperação da Casa dos Pescadores desta vila e a colaboração da banda da Sociedade Musical Sesimbrense (...)
No domingo, pelas 16 horas, com o vasto salão profusamente ornamentado e repleto de assistência, a banda deu início à cerimónia, com uma das suas marchas.
Em seguida, foi-nos dado a apreciar o admirável quadro (Presépio), representado por crianças (...)
Terminada a sessão solene, a banda executou algumas peças do seu belo reportório, seguindo-se uma sessão cinematográfica.
Pelo écran, passaram as interessantes películas: 'Pesca do Bacalhau' e 'A Garota da Rádio', com Shirley Temple.
Quando se estava quase no fim da festa, surge na sala o comandante Henrique Tenreiro, a quem a assistência dispensa uma carinhosa ovação (...)
Na segunda e terça-feira, as festas prosseguiram com o mesmo cerimonial, tendo usado da palavra os reverendos padres Jaoquim Lopes Seixal e José de Freitas, respectivamente, priores de S. Tiago e Castelo".
"O Cezimbrense", n.º 809, 18.1.1942
Fonte: http://expresso.sesimbra.pt/node/3938
17 janeiro 2011
Inocência

Nesta fotografia podemos observar duas crianças, a Ana e o Jorge, que actualmente são a minha mãe e o meu tio. Têm a diferença de idade de apenas um ano e naquela altura a minha mãe tinha cerca de 7 anos e o meu tio 6 anos. Viviam no campo e passavam os dias a divertirem-se e pregar partidas, fazendo com que os vizinhos depois fossem reclamar com os meus avós. “Nós só estávamos a brincar!” diziam com ar inocente.
O seu vestuário demonstra as simples e despreocupadas crianças que eram. Além disso, o vestuário não foi propriamente escolhido para uma ocasião em especial, logo há uma grande probabilidade de ter sido uma fotografia espontânea. A minha mãe diz-me muitas vezes que adorava aqueles tempos em que não haviam preocupações e podemos confirmar isso com o sorriso enorme presente na cara de ambos.
Sofia Jamal 9º E
06 janeiro 2011
29 dezembro 2010
Vencer 2011
21 dezembro 2010
Um Natal feliz
13 dezembro 2010
Olhares sobre a Guerra


Estas duas fotos retratam José Teixeira, com 20 anos, um de muitos que ingressaram na viagem para a guerra colonial em Angola, mais precisamente em São Salvador do Congo.
A primeira imagem mostra, José Teixeira, num cenário de guerra. Na segunda imagem, bem diferente, vêmo-lo num momento de repouso a almoçar com um habitante angolano.
Trabalho realizado por
André, Diogo e Zé
08 dezembro 2010
Um passeio a Mafra em 1929
Um enigmático passeio a Mafra protagonizado pelos cavalheiros da fotografia no dia 13/10/1929.
Há qualquer coisa no seu ar aventureiro que me leva a suspeitar que se tenham metido ao caminho para experimentarem a grande novidade de 1929 – os primeiros autocarros da empresa de viação Mafrense a fazerem a carreira entre Mafra e Lisboa…
29 novembro 2010
Primeira Comunhão em S. Miguel

"Esta é uma fotografia do meu avô materno, quando fez a primeira comunhão, por volta de 1934.
Fez a sua primeira comunhão numa capela na Ilha de S. Miguel, nos Açores.
Na altura, os pais queriam muitas vezes que os seus filhos fossem baptizados e que fizessem a sua primeira comunhão, era quase como uma obrigação. Os açorianos eram muito religiosos, tal como os meus avós, também os dois açorianos. As crianças quando faziam a primeira comunhão, no caso das raparigas, usavam geralmente um véu, vestidos sempre brancos, e sapatos também, á excepção de uma ou outra criança. No caso dos rapazes, usavam um fato, e uma gravata. Também levavam consigo um terço e a vela de baptismo."
Inês Branco
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