30 outubro 2008

As batas já tiveram melhores dias...


Ainda se nota alguma formalidade na foto de grupo, mas a pose começa a permitir algumas originalidades e as batas já tiveram melhores dias...

29 outubro 2008

Feira Popular Festas dos Centenários(1147-1947)

Com pompa e circunstância, comemora-se a capitulação de Lisboa com a sua conquista aos "Mouros" por D. Afonso Henriques e pelos Cruzados.
A Feira Popular associa-se às comemorações, que incluem um Te Deum na Sé a 5 de Junho de 1947 e a realização de um grande cortejo histórico na capital a 6 de Julho.

28 outubro 2008

Mocidade Portuguesa


1944 Acampamento nacional da MP Alfeite

Em 1936 foi criada a Mocidade Portuguesa, organização juvenil que se tornou obrigatória para todos os jovens dos 11 aos 14 anos, com o objectivo de desenvolver a devoção à Pátria, o respeito pela ordem, o culto do chefe e o espírito militar.
Ao observar esta fotografia, ocorre que estes aspectos mais sérios entrariam sem que os rapazes dessem por isso…Da mesma forma que aprendiam as primeiras letras pronunciando naturalmente Salazar, Salvador…
Os miúdos sempre gostaram de fardas e de brincar às guerras. O Regime sabia isto perfeitamente. Desengane-se quem queira ver dor e sofrimento nesta aprendizagem.
A 10 de Agosto de 1944, o Chefe de Estado visita no Alfeite o acampamento da MP, sendo recebido pelo Professor Marcello Caetano, Comissário Nacional da Organização.
É provável que essa foto de grupo tenha saído um pouco diferente.

27 outubro 2008

Censura








O aspecto mais “bucólico” da Censura é o seu lado beato, ou seja, para além da compreensível supervisão em assuntos políticos e militares, estendeu o seu manto de vigilância às questões de conduta, decoro, escândalos amorosos, ao sabor do estabelecido e do não muito cosmopolita intelecto dos censores.
Em 1974, o jornal República exibirá com uma justificada pontinha de vingança uma faixa inferior afirmando “ESTE JORNAL NÃO FOI VISADO POR QUALQUER COMISSÃO DE CENSURA”.

Correspondente jornalístico,1955

Sobre que escreverá um correspondente do Diário de Lisboa na província em 1955?
Pode ter redigido uma nota sobre a pesarosa reacção da população do Pinhal Novo em resultado da expressiva derrota da Selecção Portuguesa frente à Suécia por 6-2 no dia 20 de Dezembro de 1955.
Seguramente já não lhe foi possível fazer qualquer referência aos cem indianos que atacaram um posto fiscal no distrito de Goa, ocorrido a 26 do mesmo mês.

26 outubro 2008

Anos 40, foto de rapariga

Esta é a mesma rapariga da foto de estúdio em baixo. Cerca de quinze anos depois, ela conclui o Magistério Primário e exercerá toda a vida numa terra da província…
Os olhos. Eles continuam a sonhar. Será essa a sua fuga.

Anos 30 Foto de Família em Estúdio

Estas mãos que alternadamente punem e afagam e que teatralmente posam para a fotografia – as convenções de época são para ser cumpridas – seriam a única coisa que prenderia o meu olhar a este retrato não fosse a presença absolutamente fantástica da rapariga.
Os dois irmãos parecem ausentes. Nada no seu olhar me elucida acerca dos seus pensamentos.
O fotógrafo fez uma má escolha, ou demorou demasiado, o que também é possível. O mais velho poderá mesmo ter apanhado um puxão de orelhas. Ambos têm cara disso.
A ter acontecido, pese embora a aparente severidade do pai, foi a mãe a encarregar-se da tarefa. As traquinices de miúdos antes da pose, num estudo fotográfico, eram coisas de mulheres, são elas que se irritam com o facto de os laços ou as golas saírem dos seus sítios.
Teria sido pelo contrário o pai se o sucedido de desse nos momentos já de pose que antecedem a fotografia. Os homens parecem ser mais sensíveis às formaturas. O seu rosto um pouco tenso dever-se-á mais ao facto de não gostar de tirar fotografias, ou ficar tanto tempo imóvel no mesmo sítio. São as suas mãos que o dizem. Os próprios pés parecem preparar-se já para andar, se os virmos isoladamente.
O que me atrai neste frágil corpo de rapariga é o olhar, ou melhor, o rosto por oposição ao corpo rígido. A mão esquerda da mãe prende-a. As do pai estão ausentes dessa tarefa pelos motivos já vistos.
Há neste rosto mais do que uma simples contrariedade, o que para uma criança seria de qualquer forma muito. Nada neste corpo se move para fugir ao que a contraria. Na cara, tudo. Ou antes, tudo nesta cara à excepção dos olhos. Eles sonham já. Será essa a sua fuga.
O NÃO que o nariz e os lábios dizem, com uns olhos assim, talvez não dure muito. Não me admiraria nada que toda uma vida se encarregasse disso.


As famílias da classe média (ela é professora primária, ele pertence aos quadros médios dos Caminhos de Ferro Portugueses) deslocam-se ao estúdio fotográfico para o retrato. As mais abastadas mandam vir o fotógrafo a casa, ou têm elas próprias um familiar “excêntrico” com gosto e posses para a máquina… Das menos afortunadas não sobram na grande maioria das vezes grandes registos.)

Mãe com criança, 1932

Esta fotografia fascina-me pelo casulo de luz que a envolve. Portugal, no início dos anos 30 não era propriamente um país sem problemas…
Para esta mãe, nesse momento, nada mais existe.


“Em tudo o que fazia deixava sempre um fio solto, despercebido, por vezes soterrado pelas coisas, mas sempre, em qualquer parte, um fio vindo do lado de dentro, o único caminho possível, talvez, para regressar.
Um fio solto como um objecto antigo, uma folha seca, no meio de todos os outros um livro com uma página dobrada.
Há certas coisas que só as mulheres vêem, e sabem. Aprenderam-nas tecendo o tempo, sem pressa, durante todo este tempo em que foram encerradas.
Foi através dos seus fios que a maior parte dos heróis antigos conseguiu regressar a casa.”

24 outubro 2008

Projecto memória com história














O Projecto “Memória com História” pretende sensibilizar a comunidade educativa para a importância histórica das fotografias existentes nos álbuns de família, perdidas tantas vezes nas velhas gavetas dos sótãos e da memória…
É precisamente a importância histórica dessas velhas fotografias esquecidas que se pretende preservar através da sua digitalização, de modo a virem a constituir um acervo fotográfico que cubra o maior número possível de aspectos da história do século XX.
Estimulando a curiosidade pela pesquisa a partir do que está mais próximo e, talvez por isso, tantas vezes invisível, temos a tentação de aceder à imodéstia, a ser verdade o que diz José Mattoso quando afirma que “recordar o passado colectivo é uma forma de lutar contra a morte”.
É nossa intenção que este arquivo sempre em construção venha a ser útil aos nossos estudantes e a todos aqueles que aí venham a encontrar apoio para trabalhos na área das Ciências Sociais e Humanas.
Preservar a memória através da valorização dos testemunhos do passado, contribuindo para incentivar a sensação de pertença e a construção de uma identidade inclusiva, factor indiscutível de cidadania, é igualmente o nosso propósito.

Escola E,B 2-3 Azeitão
Conselho curricular de História
2008

Casal de noivos 1927