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30 janeiro 2017

Um "eminente sábio" ... na arte de bem propagandear...




O Estado Novo foi um regime autoritário e repressivo cujo funcionamento dependia de órgãos como a polícia política, a censura e a propaganda.
Com a criação do secretariado de propaganda nacional, procurava-se a divulgação de grandes eventos e de grandes obras públicas, para enaltecer o papel do Estado e do chefe.
Este livro escolar contém propaganda a Salazar com o objetivo de passar aos alunos a imagem de Salazar como “Salvador da Pátria”.
Nos dias de hoje é impensável e difícil de imaginar os manuais de História fazerem propaganda política de forma tão descarada.

Maria Leonor Alves, 9º F



(clicar na imagem para ampliar)

12 dezembro 2014

Descubra as diferenças


Há uns tempos, o professor Luís Rendas achou imensa graça a uma fotografia da escola primária de Aldeia de Irmãos, datada de 1977, e encontrada pela Inês Carvalho do 9ºC.
Disse-me que tinha uma quase igual, que a iria procurar e ma enviava. Na altura pensei que exagerava um pouco…. E não é que aqui está ela, igualzinha? Tirada no mesmo dia e na mesma sala.
Um agradecimento ao  Luís  pela estima que desde sempre manifestou por este projeto.


05 dezembro 2014

Descubra as diferenças .5



A escola primária do Bairro Salgado, em Setúbal.
Numa fotografia de Américo Ribeiro nos anos 20 e na atualidade.
Pura e simplesmente engolida . Uma pena enorme para as várias gerações que por lá passaram.
O recreio não era muito grande, mas repare-se a tranquilidade com que se brincava na rua...

03 outubro 2014

Memórias da primária

Estas fotos são dos meus pais na escola em 1975. A minha mãe na escola primária de Sesimbra e o meu pai na escola primária de Aldeia de irmãos.

Destas fotos ambos relembram os quadros de ardósia, o giz.

O pior que o meu pai recorda é a régua de madeira, na altura ainda usada.

A minha mãe recorda a constante mudança de professora devido à instabilidade da escola após a revolução dos cravos
Inês Carvalho, 9º C

20 junho 2014

Ensino Primário, 1937


Em 1937, este livro único, aprovado oficialmente, assumia sem complexos a mistura entre história e propaganda - (...) de harmonia com os princípios de orientação educativa do Estado Novo". Sem mais.

27 maio 2013

Uma turma na década de 50


Nesta fotografia está a minha avó materna (segundo lugar a contar da direita, na segunda fila a contar de baixo) com a sua turma da primeira classe, em 1955.Nesta altura não havia turmas mistas, daí a turma da minha avó ser apenas de raparigas.Na terceira e quarta classes, faziam-se exames orais e escritos e já se estudavam disciplinas como história, geografia e ciências.
 Adriana Belchior, 9ºB

 

 

22 junho 2012

“Numa família digna, o chefe, que é o pai (…)”

     
No Estado Novo a família modelo era assim constituída: a mãe, ficava em casa a tratar das tarefas domésticas; o pai, ia trabalhar durante o dia para sustentar a família; os filhos iam à escola, onde os rapazes eram educados para mais tarde serem como os pais e as raparigas eram educadas para serem como as mães (domésticas). Por isso, o chefe de família, que era quem a sustentava, era o pai. Este devia ser respeitado com obediência e carinho, assim como o chefe de estado, como uma espécie de pai da nação.
Neste livro da 3º classe de 1958, Américo Tomaz, presidente da República durante a ditadura, ocupa uma página inteira do livro único e obrigatório. Para que não houvesse dúvidas…


Mariana Vinhas, 9º F

12 março 2012

Estranhos modos de escrita




As turmas, nunca mistas, extensas e com o uniforme escolar, onde se pretendia que não existissem diferenças entre crianças. Se observarmos com mais pormenor verificamos que as mesas são pequenas, mas que têm uma pequena prateleira inferior onde se colocava o material; mais interessante ainda é o modo de escrita da época, pois no centro da mesa existe um furo com uma espécie de copo onde se colocava a tinta, o que para muitas crianças era uma “dor de cabeça” pois essa mesma tinta esborratava os cadernos e livros com um simples deslize. (foto de 1958)

Ana Ermida, 9ºC
___________
Fico deliciado pela forma como a Ana descreve o tinteiro branco de porcelana:” um furo com uma espécie de copo onde se colocava a tinta”. Verdadeiramente é do século passado…sem qualquer dúvida. Como eu.
:)

25 janeiro 2012

Os alunos "da polícia"



“Em Setúbal, em 1954, tive uma outra experiência muito linda. Chegada à escola, esperava que me destinassem uma turma quando o Diretor da escola nos entregou uma caixinha com papelinhos «para escolher com quem haviam de ficar os alunos da polícia».
Pensei que eram filhos de polícias mas logo percebi que eram meninos que andavam pela rua e a quem os polícias perguntavam que escola frequentavam. Se eles respondiam que não andavam na escola, a polícia ia falar com os pais e ameaçava que lhes retiravam o abono de família.
A turma que recebi tinha tantos alunos que nem sequer fui obrigada a apresentar serviço.
Os alunos, carentes de afeto e de possibilidades monetárias, recebiam de forma admirável toda a ternura que lhes era dada.
Havia muita fome e as escolas não tinham cantinas. Muitos alunos roubavam.
Um dia apareceu-me um aluno com um peixe grande para me oferecer, pelo que lhe perguntei se o pai era pescador, ao que me respondeu: - Não, professora. Eu roubei-o a um homem rico lá da lota para lhe dar a si.
Foi muito difícil convencê-lo a levar o peixe e que não devia fazer isso.
Os alunos eram obrigados a usar batas mas não havia dinheiro para os pais as comprarem, e isto não era só na classe chamada da polícia. Era geral.
Tempos bem difíceis, esses, mas valeu a pena os trinta e seis anos que vivi a ensinar e a amar as crianças.”
Antonieta 

ps-esta imagem, de finais dos anos 50, não está  diretamente relacionada com o texto.

23 janeiro 2012

Memórias dispersas




A professora Antonieta, com os seus 83 anos, é a minha consultora preferida para assuntos do ensino primário durante o Estado Novo e os anos 70 a 80 já em democracia.
Das muitas conversas, tem sobrado imensa informação solta de que tomo notas e que julgo uma pena perder-se. Algumas dessas notas transcrevo-as aqui, sob a forma de memórias dispersas que a própria reviu. Optou-se por manter o tom coloquial.
“No ano de 1952 exerci pela primeira vez a minha profissão de professora. Foi numa escola da Moita com uma 4ª classe.
As meninas frequentavam a escola da parte da tarde. De manhã eram os rapazes.
Os alunos podiam frequentar a escola primária até aos 14 anos, havendo por isso alunas com 11,12 e mais anos.
A ligação professora- aluna era na maioria dos casos muito complicada. Não havia à-vontade suficiente para a aluna se entregar. Sempre uma distância enorme.
Existia um silêncio obrigatório considerado o ideal para o ensino funcionar bem. Havia professores que recusavam a existência de tal distância, e os que a conseguiam ultrapassar com muito amor deixaram uma recordação maravilhosa nos seus alunos para toda a vida.”
(…)



“Ensinavam-se todos os aparelhos do corpo humano menos o reprodutor.
Certa vez, uma das alunas mais velhas faltou à escola durante uns dias. Quando regressou eu quis saber a razão das suas faltas mas ela só dizia que a mãe estivera doente. Á hora do recreio uma aluna veio-me dizer que ela faltara à escola porque tinha ajudado a mãe a ter um bebé e estava a mentir.
A verdade soube-a depois. O pai trabalhava de noite, or irmãos eram pequenos, estavam a dormir e a mãe pediu-lhe ajuda.
Falámos então na aula com todo o cuidado e simplicidade sobre o que ela tinha dito. Só uma aluna tinha visto nascer um bezerrinho.
No dia da vinda do padre à escola, ele perguntou-me o que tinha acontecido porque a mãe de uma aluna tinha dito que a professora tinha falado de coisas feias em vez de dar aulas.
Foi difícil mas valeu a pena. O próprio padre concordou comigo.”
 (...)
continua


14 setembro 2011

E um pouco de esperança...


Escolho esta fotografia descontraída e com o seu quê de esperançoso, datada de 1952, para vos desejar a todos um bom regresso. Se o ano escolar que agora se inicia puder ficar marcado nas vossas vidas por inesquecíveis acontecimentos positivos, tanto melhor.

29 maio 2009

Deus Pátria Autoridade

Esta fotografia, tirada numa escola Primária do Pinhal Novo em 1960, documenta uma exposição alusiva à comemoração dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique.
Se retirarmos de cena os trabalhos dos alunos e imaginarmos a sala repleta de cadeiras com tampo inclinado, fica-nos uma sala de aula típica do Estado Novo.
O crucifixo, ao centro, e as fotografias de Salazar e do Presidente da República, Américo de Deus Tomás, completam a tríade omnipresente. Deus, Pátria, Autoridade no seu melhor.

01 dezembro 2008

Meninos e Meninas 1950


Meninos e Meninas Anos 50



Aparentemente, no Ensino Primário durante o Estado Novo, meninas e meninos aprendem o mesmo.
Na realidade, os papeis que se espera que venham a desempenhar são diferentes. A elas espera-as idilicamente um marido, os filhos, o lar… e as tarefas daí decorrentes. As mais abonadas terão criadas vindas geralmente da província, mas a todas compete zelar obedientemente pela harmonia familiar. Eles é o que se sabe.
Esta oitava edição de 1958 do livro (único) da 1ª Classe, encarrega-se logo de o explicar nas folhas interiores da capa e contra-capa.
O resto é feito na sala de aula, lá fora, em quase todo o lado…

26 novembro 2008

Escola Primária, Setúbal 1937

Da proibição do ensino religioso nas escolas oficiais (uma das medidas da laicização do Estado na 1ª República) à obrigatoriedade do crucifixo nas salas de aula pelo Estado Novo (Deus, a par da Pátria e da Família, é um dos pilares da Educação Nacional), podemos dar graças por as paredes das actuais salas estarem na maior parte das vezes decoradas com trabalhos dos alunos…

20 novembro 2008

Escola do Magistério Primário de Évora,1950

Espantados com a diminuta presença de cavalheiros nesta foto de grupo dos professores finalistas da Escola do Magistério Primário de Évora de 1950, empreendemos a dura tarefa de os contar. De facto, encontram-se presentes 15 futuros professores primários.
Os números falam por si – em 1950, existiam cerca de 14.700 professores deste ramo do ensino, sendo 82% constituído por mulheres.
Uma curiosidade que revela o espírito do tempo, diz-nos que as professoras tinham de pedir autorização superior para casar. Pelos vistos não seria isso que as ia desmotivar….

07 novembro 2008

O Relógio do Pai



Entre o primeiro dia de escola e a 4ª classe, existe um nevoeiro denso que raramente consegue ultrapassar. Existem rostos, um persistente cheiro a giz e a madeira de soalho, pouco mais…
Do que verdadeiramente se lembra é do relógio do pai, prometido a seu tempo como era uso e costume, caso se fizesse um homenzinho e passasse na 4ª classe. Nesse tempo “chegava-se” a homenzinho mais cedo…
Mesmo do dia do exame, de que há memória um atravessar sem som de uma sala gigantesca em direcção a um enorme quadro preto e muitas cólicas, do que se lembra é do relógio. A primeira vez que o usou. E o orgulho dos avós.