24 abril 2014

Os 40 anos do 25 de Abril nas pequenas grandes coisas - 2


Em 1975 e 1976 tudo se partilhava, emprestava, cedia. Com a música e os discos do José Afonso era também assim. Circulavam de mão em mão, como quase tudo.
Este LP veio ter comigo já não me lembro como… descobri-o há uns meses bem aninhado entre os outros discos de vinil de que nunca me desfiz.

Vamos ao que interessa. Trata-se de um disco da cantora luso-francesa Catherine Ribeiro com os Alpes e data de 1975. É difícil de catalogar Catherine, como pode aperceber-se aqui.



 (clicar na imagem para ampliar)
Este LP tem no seu interior uma interessantíssima dedicatória a José Afonso que partilho. (pode consultar uma nota biográfica clicando aqui.)
Curiosa também a parte da letra da canção Poème Non Épique nº3 onde se faz referência ao Portugal revolucionário e ao Portugal salazarista. Portugal era um tema inspirador e apaixonante.

PS – a referência a Cuba dirá respeito  à participação nesta ilha em 1970  num Festival Internacional de Música Popular



23 abril 2014

Os 40 anos do 25 de Abril nas pequenas grandes coisas


 Comparemos estas recomendações impressas em dois passaportes.
A primeira dos anos 50 e a segunda de Maio de 1974.



Parecem-lhe idênticas para além de mais ou menos carimbos? Observe melhor.
Na primeira, e citamos, “A mulher casada, quando não viajar em companhia do marido, deve ir munida da sua autorização, com letra e assinatura reconhecidas pelo notário.”

Significativo da condição feminina durante o Estado Novo….

Recomendamos que se dê também uma olhadela comparativa às aventuras burocráticas de um funcionário público para sair do país.


Por fim a receção. Seguramente devia ser acolhedor ser recebido pela PIDE ao desembarcar em Portugal vindo do Brasil por mar…

11 abril 2014

Soldados e cavalheiros - a importância da etiqueta nas relações luso-indianas







A Sara descobriu este precioso manual destinado aos soldados que iam cumprir serviço militar no então chamado “Estado Português da Índia”. 
Este jovem soldado envia à noiva uma fotografia tirada em junho de 1959, tendo provavelmente no bolso da farda o tal manual destinado a facilitar o encontro de culturas.
Mas isso o texto da Sara Santágueda explica muito melhor.





 Este guia foi realizado, especialmente, para os soldados que se encontravam de partida para a Índia e para os jovens que no futuro seguiriam os mesmos passos. Contém uma pequena introdução sobre a missão dos soldados portugueses, reforçando sempre a ideia do grande privilégio que é embarcar naquela viagem devido aos inúmeros lugares que iam passar e todos os conhecimentos que de outra maneira não poderiam obter.
 De seguida, dá a conhecer aos leitores informações detalhadas sobre o território, especificamente Gamão, Goa e Dio, o clima, a religião predominante (Hinduísmo), as castas e os idiomas falados. Também podemos ler sobre o sistema monetário e os lugares obrigatórios a visitar.
 Dedica a sua última parte a ensinar sobre o comportamento correto de um soldado: encontrar-se sempre preparado militarmente, transmitir uma boa imagem da sua Pátria e respeito pelos nativos (“Só respeitando, sereis respeitados.”). Acaba com alguns conselhos em relação a envolvimentos com nativas, vícios como a embriaguez e à recetividade em relação à cultura Hindu.

                                                                                                  Sara Santágueda, 9ºD