15 abril 2013

Mistura de culturas


Esta fotografia retrata a minha avó paterna com onze anos de idade, em 1961. 
Foi tirada em Macau, no Jardim de Camões, onde nasceu em 1950. É a mais nova de 6 irmãos, todos nascidos em Macau, que na altura, era uma colónia portuguesa. 
A minha avó aos dezassete anos veio para portugal com os meus bisavós e  um irmão. Os outros emigraram para os Estados Unidos onde vivem actualmente.
Gostava de conhecer melhor a cultura asiática e a terra da minha família pois acho uma cultura interessante e eu também me sinto '' um pouco asiática''.
Beatriz Oliveira, 9º A

12 abril 2013

O problema do olhar apaixonado




O problema do olhar apaixonado é que se abre, permite dessas zonas normalmente fechadas a visão de uma nitidez demasiada. Essa nitidez, mais cruel que apaziguadora, incendeia, ou provoca vertigens, o que é quase o mesmo tendo em conta os resultados.

Toda a intimidade acima de uma certa escala se torna ameaçadora, e é isso que o olhar apaixonado é, antes de mais. Ele suga-a, quer dizer, cega-a, e poucas comparações para o amor me têm parecido tão acertadas.
Este excesso de visão, ou de alma, devolver-lhe-á no fim – ele é uma espécie de espelho – o seu próprio olhar.
É já um olhar devolvido o deste rosto pintado por Alfred Stevens. Trata-se mais de um roubo do que de uma devolução, já que esta nunca é total.

O que ela espera já não são os olhos amados mas o corpo desse ser que, sentado à escrivaninha, se perde com as suas contas ou escreve uma carta. Ela afagou-lhe longamente o rosto à chegada. Tudo me diz que talvez evite olhá-lo demasiado. Com o tempo talvez se distraia cada vez mais.
É mesmo provável que ao fim de alguns anos ele tente certas liberdades com as criadas.

(um pedido de desculpas aos leitores habituais deste blogue por este devaneio inspirado nesta pintura do século XIX)

03 abril 2013

Recordações


Os anos passam, mas as memórias resistem ao tempo. Esta fotografia faz parte do baú das recordações da minha avó. Ela lembra-se como se fosse ontem o dia em que a tirou. Pois está associada ao partir de um irmão para a Guerra Colonial na Índia. Naquele tempo as tecnologias eram bem diferentes das de hoje, por isso aquela fotografia foi tirada para que o seu irmão a pudesse levar como recordação e memória dos seus irmãos mais novos, como também do seu cão que agora ficava ao cuidado dos mais pequenos. Como tal, foi chamado um fotógrafo para tirar a fotografia, no entanto nem tudo correu como esperado. Pois a vinda de um fotógrafo a uma aldeia remota por entre as planícies do Alentejo, era motivo de curiosidade para os restantes habitantes da aldeia. Aquele que era para ser um momento pessoal e emotivo depressa se tornou numa notícia, a qual toda a população quis testemunhar o acontecimento. O resultado foi esta fotografia, na qual a minha avó revela bem no seu rosto a sua frustração e indignação por a sua fotografia se ter tornado um acontecimento público.  Até o cão ficou melhor!
Rodrigo Santo, 9ºE