25 junho 2012

Machimbombo



Machimbombo

Esta fotografia foi tirada em Moçâmedes, Angola, no ano 1946 (muito antes da guerra colonial que começou em 1961), um dia após o casamento dos meus avós paternos.
Nela estão o meu avô Fernando, (sentado, ao centro, com o usual capacete colonial nos joelhos), a minha avó Rosete, (em pé, à esquerda, com uma sobrinha ao colo) e alguns familiares e amigos que vieram assistir ao casamento. Naquela época, nenhuma mulher usava calças e as saias desciam abaixo do joelho. Em Angola, por descontração e também devido ao calor, poucos homens usavam gravatas.
Alguns dos presentes preparavam-se para viajar para Nova Lisboa, junto com os meus avós; os outros vieram despedir-se. A viagem, de 1 000 km, não era longa para os hábitos daquela terra, mas era muito demorada e cansativa, percorrendo caminhos maioritariamente de terra batida, numa época em que havia poucos transportes motorizados, em Angola. Por isso é que, misturados na bagagem, iam uns cestos com comida, para trincarem pelo caminho.
O veículo de transporte público (um pequeno machimbombo *) é de um amigo do meu avô. Nota-se que ia iniciar viagem porque o carro ainda está brilhante, mas passados poucos metros, ele ficará da cor da terra. Durante a viagem, as janelas tinham de ficar abertas, porque de outra forma não se aguentaria o calor, mas isso fazia com que entrasse parte da poeira levantada.

Naquele tempo, tirar uma fotografia era uma tarefa complicada que obrigava a alguns minutos de imobilidade. Para o pessoal autóctone ver tirar uma fotografia era um grande acontecimento, até porque, o fotógrafo, normalmente, se instalava debaixo de um pano preto, para centrar a imagem, o que tornava a situação pitoresca. No entanto, há algo que distrai a criança que está ao colo e o rapaz à janela do carro e que contrasta com a imobilidade a que a fotografia obrigou os adultos.


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* Machimbombo - designação que se dava em Angola e Moçambique aos autocarros de transporte público (Do inglês «machine pump», «bomba mecânica»)

Cláudia Luso Soares, 9º F

22 junho 2012

“Numa família digna, o chefe, que é o pai (…)”

     
No Estado Novo a família modelo era assim constituída: a mãe, ficava em casa a tratar das tarefas domésticas; o pai, ia trabalhar durante o dia para sustentar a família; os filhos iam à escola, onde os rapazes eram educados para mais tarde serem como os pais e as raparigas eram educadas para serem como as mães (domésticas). Por isso, o chefe de família, que era quem a sustentava, era o pai. Este devia ser respeitado com obediência e carinho, assim como o chefe de estado, como uma espécie de pai da nação.
Neste livro da 3º classe de 1958, Américo Tomaz, presidente da República durante a ditadura, ocupa uma página inteira do livro único e obrigatório. Para que não houvesse dúvidas…


Mariana Vinhas, 9º F

10 junho 2012

Alentejo, anos 60. Memórias - 2º parte.




"Da zona do Algarve, mas propriamente de Odeceixe, Rogil, Aljezur, Maria Vinagre, também chegavam mulheres, que permaneciam na Herdade entre Maio e Junho, mas neste caso para trabalharem apenas na apanha do arroz e na monda. Ao contrário do povo do norte, estas trabalhadoras, instalavam-se em grandes casarões, e dividiam o espaço entre elas.
Também tinham por hábito efectuarem as refeições ao lar livre, e por vezes chegavam a ser perto de uma centena de fogueiras a arder, pois cada uma delas confeccionava individualmente os seus alimentos.

No mês de Agosto, para o final das mondas e início das ceifas, chegavam mais ranchos de gente, oriundos de Grândola e Santo André. Também estes se instalavam em grandes casarões, mas a sua forma de estar em comunidade era diferente dos restantes. O dormitório era dividido por biombos, e para a confecção dos alimentos recorriam a uma única fogueira em que cada um deles, colocava a cozinhar os alimentos numa panela de barro.  

Toda esta diversidade de culturas trazia uma grande animação á Herdade, e apesar do trabalho duro, aos sábados e domingos à noite, havia sempre baile, no qual todos participavam.
As sementeiras dos viveiros começavam em Março, e em Junho começavam as plantações em grandes canteiros com muros de 100 em 100 metros. As condições de trabalho eram muito difíceis, pois trabalhava-se com água e lama por cima dos joelhos, e na água, para além de conchas, existia uma grande variedade de bichos, desde cobras a saltérios, que por vezes provocam mordeduras dolorosas. Ainda me recordo de uma espécie de liquido, em pequenas garrafas, que utilizávamos para pôr nas pernas, ás vezes já em ferida."

D. Maria Edviges, assistente operacional

05 junho 2012

Vampiros...




Vampiros era o nome que os nativos timorenses atribuíam aos morcegos gigantes que pesavam cerca de 4 a 5 quilos.     1962 Timor

Ana Marques, 9º D

01 junho 2012

Nas festas de Nossa Senhora da Saúde em Vila fresca



A minha família Alface vive em Azeitão pelo menos desde o início do século XIX estando sempre ligada à vida e às tradições desta região. Nesta fotografia, tirada nas festas de Nossa Senhora da Saúde em Vila fresca, no mês de Setembro de 1948, observamos à esquerda o meu avô Manuel Alface, nascido a 1 de Março de 1934. Ao centro o seu pai, José Maria Alface, nascido em 1 de Novembro de 1896. À direita o sobrinho mais velho do meu avô Henrique Alface.

Manuel Ribeiro, 9ºE