24 março 2012

Aeromodelismo e memórias da Mocidade Portuguesa



Estive à conversa com o meu pai e decidi fazer-lhe estas perguntas, cujo objetivo era saber melhor como funcionava a Mocidade Portuguesa.
 Estes aviões eram iguais aos que fazia no aeromodelismo na MP. Como tinham que ficar lá, voltava de novo a construi-los em casa. Manteve-os até hoje. Assim os fotografei.
Quais os tipos de exercícios que costumavam fazer?
Ginástica e corrida, treinos de tiro, acampamentos, marchas, vários exercícios militares (saudações, continência) e cantávamos o Hino.
Onde os faziam?
No campo de treino, na praia e no liceu.
Que tipo de professores/instrutores tinham?
Os instrutores eram simpáticos, exigiam rigor e disciplina. Alguns eram alunos mais velhos e outros eram professores e também alguns militares.
Quais eram os objetos que vos deveriam acompanhar sempre durante o tempo que se estava na Mocidade?
Uniforme (camisa calções, cinto e bivaque) e nos acampamentos, cantil, bússola e mochila e outro material de campismo.
Costumavam ter algumas atividades?
Sim algumas tais como: tiro ao alvo, aeromodelismo, equitação, ginástica, acampamentos…
Olhando agora à distância pode-se dizer que a intenção da mocidade era sobretudo politica e de propaganda ao regime salazarista?
Sim, era essencialmente essa a intenção da MP, educar os jovens de acordo com os princípios salazaristas fazendo propaganda ao mesmo.
De todas as atividades que realizavam quais eram aquelas que mais tinham a ver com a propaganda do regime?
De todas as atividades, as que mais tinham a ver com a propaganda ao regime eram os desfiles militares, o cantar do hino da mocidade…

Manuel Couto, 9ºE

21 março 2012

"As Mulheres do meu país"




A década de 40 vê uma grande mulher, Maria Lamas, entre 1948 e 1950, editar um livro intitulado “As mulheres do meu país”, publicada em fascículos mensais e independentes vendidos a 15 escudos. Ao conhecimento das condições de vida da mulher portuguesa não será alheio as suas deslocações pelo país como presidente do CNMP (Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas), associação fundada na 1ª República e encerrada pelo regime salazarista em 1948, com o argumento que o Conselho não era necessário, uma vez que o Estado Novo confiava à Obra das Mães pela Educação Nacional (OMEN) o encargo de "educar e orientar" as mulheres.
O livro foi seguramente uma resposta.
Gosto de saber que estas senhoras alentejanas que aparecem nesta fotografia são contemporâneas dos acontecimentos.

(uma vez mais o nosso obrigado à D.Edviges que nos encoraja com o seu entusiasmo pelas fotografias antigas)



17 março 2012

Uma espécie de casa secreta



Talvez nessa já longínqua tarde da década de 40 o tempo estivesse como está hoje: chove não chove chove não chove…
Estar debaixo de um chapéu de chuva de adultos parece fascinante de qualquer maneira. Uma espécie de casa secreta que anda connosco quando nos movemos… e nos parece tão grande.
(Obrigado à Teresa pela lindíssima fotografia)


14 março 2012

Caderneta escolar, anos 40

                                                                                                                           
                                                                                                                                                       (clicar para ampliar)


A Mocidade Portuguesa (MP) foi criada em 1936 e tinha como objetivos educar os jovens de acordo com os valores do regime: “Deus, Pátria e Família” associados ao gosto pelo militarismo e pela disciplina num verdadeiro culto de veneração da autoridade.
Era obrigatória para os jovens entre os 7 e os 14 anos. Todos os sábados, as crianças que pertenciam à Mocidade tinham que realizar tarefas tais como içar a bandeira, saudação à romana, marchas militares, exercícios físicos, palestra patriótica e cantar o hino da organização.
O uniforme da Mocidade Portuguesa era constituído por uma camisa verde (com distintivo no lado esquerdo), calções ou calças bege e umas botas pretas.
O primeiro comissário nacional foi Francisco José Nobre Guedes, que se inspirou na juventude hitleriana dadas as suas simpatias pelo regime alemão.
Em 1937 nasceu a sua versão feminina que tinha como objetivos formar uma nova mulher, boa católica e portuguesa, futura esposa obediente.
Quer a MP quer a sua versão feminina acabaram depois do 25 de Abril de 1974.

Ana Marta, 9º F


12 março 2012

Sem televisão...



Estamos perante uma fotografia tirada no dia 10 de Agosto de 1963, numa casa em Luanda, terra natal da minha família paterna e país muito quente. Dois triciclos e três crianças, o meu tio (à esquerda), o meu pai (ao centro) e a minha tia mais velha (à direita). «Não existia televisão nem nada de tecnologias avançadas», recorda o meu pai ao olhar sorrindo para este momento. Em segundo plano, podemos observar um antigo rádio. Pousadas em cima da pequena mesa, encontram-se os retratos dos avós paternos do meu pai, meus bisavós.
Eras mesmo pequenino, papá.

Camila Freitas, nº 4 – 9ºA.

Estranhos modos de escrita




As turmas, nunca mistas, extensas e com o uniforme escolar, onde se pretendia que não existissem diferenças entre crianças. Se observarmos com mais pormenor verificamos que as mesas são pequenas, mas que têm uma pequena prateleira inferior onde se colocava o material; mais interessante ainda é o modo de escrita da época, pois no centro da mesa existe um furo com uma espécie de copo onde se colocava a tinta, o que para muitas crianças era uma “dor de cabeça” pois essa mesma tinta esborratava os cadernos e livros com um simples deslize. (foto de 1958)

Ana Ermida, 9ºC
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Fico deliciado pela forma como a Ana descreve o tinteiro branco de porcelana:” um furo com uma espécie de copo onde se colocava a tinta”. Verdadeiramente é do século passado…sem qualquer dúvida. Como eu.
:)

08 março 2012

As amadas dos soldados




Era difícil a vida dos soldados, mas também a das suas amadas que muitas vezes não tinham novidades e temiam pelo pior. Deste modo enviavam fotografias suas para os namorados como que dizendo: “Não te esqueças que continuo aqui à tua espera”.

Ana Ermida, 9ºC

Assenta que nem uma luva no dia internacional da Mulher este texto sobre as amadas dos soldados que partiam para a Guerra colonial, não acham?

01 março 2012

Com o Carnaval ainda tão perto...



Nesta imagem encontra-se o meu avô, primeiro à direita, com dois dos seus três irmãos. Esta imagem foi tirada no Carnaval, altura do ano de que ele gostava muito, pois era muito brincalhão. O meu avô era muito cómico, deixando-nos muitas histórias divertidas para recordar.

Rodrigo Martins, 9ºA