31 janeiro 2012

Tudo começou com esta fotografia...




Tudo começou com esta fotografia… Num  nono ano, a propósito dos anos 30, da ânsia de estabilidade após a agitação da Primeira República, levei para uma aula esta fotografia. O objetivo era, a partir dela – conheço-a bem e aos que lá estão, uma vez que são os meus avós paternos o meu pai e os meus tios – abordar os anos 30 em Portugal vistos pelos olhos da classe média conservadora. Os alunos, quando lhes disse quem eram, começaram com um entusiasmo inusitado e contagiante a fazerem-me perguntas sobre os personagens que assim, aos poucos, iam ganhando densidade humana, tomando vida a partir da realidade/ficção que sobre eles tecíamos.
(ler o texto original clicando aqui)
Lançado o desafio de procurarem eles próprios fotografias de família... elas foram surgindo, surgindo…E se fizéssemos um arquivo? E um blogue? Podíamos fazer um blogue?!!??
Pois podíamos e a prova está aqui. Ao fim de três anos e quase meio ainda dura. Com a perseverança de alguns dos professores do grupo de História da escola E B 2-3 de Azeitão e sobretudo dos alunos de 9º destes últimos três anos que têm sido incansáveis a desencantar coisas antigas.

29 janeiro 2012

Blogs do ano 2011


 
                                                                                              Resultados finais



Como muitos dos que nos visitam terão reparado, andámos recentemente metidos nas andanças de um concurso de blogues organizado por esse espaço de liberdade de opinião que é o  aventar.  Embora continuemos a desconhecer o “culpado” da inscrição, desde já o nosso muito obrigado ao blogue organizador cuja iniciativa nos permitiu encontrar outros espaços e dar a conhecer o que andamos a fazer. Ficámos em 2º lugar na ronda final.
O vencedor  da categoria História foi o blogue historia7da professora Anabela Magalhães,  cujo trabalho acompanhamos com apreço. Os nossos sinceros parabéns.
A todos os que gastam um bocadinho do seu tempo a gostar de nós e sobretudo aos nossos queridos alunos, do fundo do coração, o meu muito obrigado.

25 janeiro 2012

Os alunos "da polícia"



“Em Setúbal, em 1954, tive uma outra experiência muito linda. Chegada à escola, esperava que me destinassem uma turma quando o Diretor da escola nos entregou uma caixinha com papelinhos «para escolher com quem haviam de ficar os alunos da polícia».
Pensei que eram filhos de polícias mas logo percebi que eram meninos que andavam pela rua e a quem os polícias perguntavam que escola frequentavam. Se eles respondiam que não andavam na escola, a polícia ia falar com os pais e ameaçava que lhes retiravam o abono de família.
A turma que recebi tinha tantos alunos que nem sequer fui obrigada a apresentar serviço.
Os alunos, carentes de afeto e de possibilidades monetárias, recebiam de forma admirável toda a ternura que lhes era dada.
Havia muita fome e as escolas não tinham cantinas. Muitos alunos roubavam.
Um dia apareceu-me um aluno com um peixe grande para me oferecer, pelo que lhe perguntei se o pai era pescador, ao que me respondeu: - Não, professora. Eu roubei-o a um homem rico lá da lota para lhe dar a si.
Foi muito difícil convencê-lo a levar o peixe e que não devia fazer isso.
Os alunos eram obrigados a usar batas mas não havia dinheiro para os pais as comprarem, e isto não era só na classe chamada da polícia. Era geral.
Tempos bem difíceis, esses, mas valeu a pena os trinta e seis anos que vivi a ensinar e a amar as crianças.”
Antonieta 

ps-esta imagem, de finais dos anos 50, não está  diretamente relacionada com o texto.

23 janeiro 2012

Memórias dispersas




A professora Antonieta, com os seus 83 anos, é a minha consultora preferida para assuntos do ensino primário durante o Estado Novo e os anos 70 a 80 já em democracia.
Das muitas conversas, tem sobrado imensa informação solta de que tomo notas e que julgo uma pena perder-se. Algumas dessas notas transcrevo-as aqui, sob a forma de memórias dispersas que a própria reviu. Optou-se por manter o tom coloquial.
“No ano de 1952 exerci pela primeira vez a minha profissão de professora. Foi numa escola da Moita com uma 4ª classe.
As meninas frequentavam a escola da parte da tarde. De manhã eram os rapazes.
Os alunos podiam frequentar a escola primária até aos 14 anos, havendo por isso alunas com 11,12 e mais anos.
A ligação professora- aluna era na maioria dos casos muito complicada. Não havia à-vontade suficiente para a aluna se entregar. Sempre uma distância enorme.
Existia um silêncio obrigatório considerado o ideal para o ensino funcionar bem. Havia professores que recusavam a existência de tal distância, e os que a conseguiam ultrapassar com muito amor deixaram uma recordação maravilhosa nos seus alunos para toda a vida.”
(…)



“Ensinavam-se todos os aparelhos do corpo humano menos o reprodutor.
Certa vez, uma das alunas mais velhas faltou à escola durante uns dias. Quando regressou eu quis saber a razão das suas faltas mas ela só dizia que a mãe estivera doente. Á hora do recreio uma aluna veio-me dizer que ela faltara à escola porque tinha ajudado a mãe a ter um bebé e estava a mentir.
A verdade soube-a depois. O pai trabalhava de noite, or irmãos eram pequenos, estavam a dormir e a mãe pediu-lhe ajuda.
Falámos então na aula com todo o cuidado e simplicidade sobre o que ela tinha dito. Só uma aluna tinha visto nascer um bezerrinho.
No dia da vinda do padre à escola, ele perguntou-me o que tinha acontecido porque a mãe de uma aluna tinha dito que a professora tinha falado de coisas feias em vez de dar aulas.
Foi difícil mas valeu a pena. O próprio padre concordou comigo.”
 (...)
continua


16 janeiro 2012

O Bairro do Fim do Mundo

                                                                                                 fotografia de Ricardo Macedo


Esta fotografia foi tirada pelo engenheiro Ricardo Macedo no Bairro do Fim do Mundo, no início da década de 80.
O excerto que se segue é de uma notícia do jornal Público de 10/6/2009:
«A Câmara Municipal de Cascais demoliu ontem as últimas barracas do Bairro do Fim do Mundo, na freguesia do Estoril, onde chegaram a morar mais de 600 pessoas. A demolição, que gerou o protesto de alguns moradores, vai permitir a renaturalização deste espaço da Reserva Ecológica Nacional.
Em comunicado, a autarquia sublinhou ter criado "as condições necessárias para erradicar este foco de pobreza e degradação", que surgiu no fim da década de 1970 e teve "uma franca expansão" na década seguinte. Segundo um recenseamento realizado em 1993, o Bairro do Fim do Mundo tinha na altura 141 barracas, nas quais moravam 619 pessoas de 278 agregados familiares.(…)»

08 janeiro 2012

Um gorro de fazer desmaiar de inveja qualquer estilista



Eis uma fotografia dos anos 40, onde aparece com quatro meses e um gorro de fazer desmaiar de inveja qualquer estilista a nossa mais recente colaboradora – a D.Edviges, assistente operacional na nossa escola.
A razão da originalidade da peça deve-se ao facto de ter sido tricotado com todo o tempo do mundo e amor, como só as mãos das mães sabem fazer. A fotografia é da Foto Tivoli de Montemor-O-Novo.