20 junho 2011

Sonhos de menina



Nos anos 50, embora a produção de máquinas fotográficas para amadores permitisse a sua progressiva generalização, em Portugal a sua posse era ainda restrita à classe média e, dentro desta, à burguesia com posses, como então se dizia.
As fotografias eram tiradas com parcimónia, quer pelo preço dos rolos e da sua revelação em casas especializadas, quer pelo espírito de poupança próprio da época.
A fotografia a cores será a grande estrela da década.
Todos nós, “habitantes” do mundo digital que nos permite captar largos milhares de imagens com as nossas máquinas actuais, não nos passa pela cabeça a quanto obrigava a gestão de um rolo de vinte fotografias.
Se folhearmos álbuns familiares – para quem os teve – constataremos que, exceptuando as grandes datas (Natais, aniversários, casamentos, baptizados…) não são abundantes as fotografias do quotidiano.
Desconhecemos o que levou esta menina a deslocar-se ao estúdio fotográfico neste dia. Muitas vezes não era preciso qualquer motivo especial para além do ímpeto repentino de uma avó embevecida…

Um muito obrigado à professora Guilhermina Duarte pela fotografia

03 junho 2011

Fim de tarde


Ao meu coração um peso de ferro
Eu hei de prender na volta do mar.
Ao meu coração um peso de ferro... Lançá-lo ao mar.
Quem vai embarcar, que vai degredado,
As penas do amor não queira levar...
Marujos, erguei o cofre pesado, Lançai-o ao mar.
E hei de mercar um fecho de prata.
O meu coração é o cofre selado.
A sete chaves: tem dentro uma carta...
(...)

Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'