25 abril 2011

Uma missão heróica e vital



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Com exageros, sem exageros, com disparates e sem disparates, o meu muito obrigado a todos os que tornaram possível o 25 de Abril de 1974.
Tinha exactamente 15 anos e andava no equivalente ao 9º ano actual. O meu pai, perplexo perante as notícias que iam chegando, encarregou-me de uma missão que na altura me pareceu heróica e vital – ir comprar o primeiro jornal que encontrasse…

06 abril 2011

Retrato de família, com homem ausente


Este retrato apela para um idílico olhar sobre o universo feminino. Duas mulheres e uma criança gozam de um final de tarde ameno no jardim de sua casa. A simetria dos corpos e o enquadramento das heras, o ar descansado das personagens revelam-nos o cuidado com que o fotografo se aprimorou na representação. Podemos imaginar que aquele que dispara a máquina, não aparecendo por isso na fotografia é justamente o elemento masculino da família. Mas, se o não for, remete-nos para uma realidade bem comum durante o século XX, a da ausência de homens em determinados contextos familiares. O número de casos em que, no decurso desse século, as mulheres foram obrigadas a seguir as suas vidas sem o apoio masculino, foi enorme. Com frequência, estas teriam de sustentar, sozinhas, os filhos e demais dependentes. Estas situações poderiam decorrer da morte dos maridos nas guerras (1ª e 2ª guerra mundial, nomeadamente) ou de situações de divórcio ou de mães solteiras. Nestes casos, as mulheres lançadas no mercado de trabalho, até aí só masculino, fizeram avançar as mentalidades, na medida em que o seu próprio estatuto punha em causa as determinações morais e religiosas de que o seu lugar deveria ser em casa.

04 abril 2011

Embarque para Londres, anos 60


Às vezes imagino o impacto que causaria numa pessoa “normal” uma viagem a Londres nos anos 60…
Portugal vivia fechado na sua gaiola salazarista, já mergulhado na guerra colonial que o encerraria ainda mais sobre si próprio, entre os seus lutos e a frieza estrangeira.
Voltar…talvez tudo parecesse de repente mais pequeno, sujo e cinzento. Um nó no estômago, uma crescente tristeza.