31 janeiro 2009

Militares portugueses em 1947


Portugal escapa à II Guerra Mundial como escapa a tudo e provavelmente a si próprio. O país sente os efeitos colaterais, as privações, os maiores ou menores incómodos indirectos do conflito.
A distracção em relação à vitória das democracias sobre os regimes totalitários é um preço que paga por um pouco mais de ração para o gado ou o estado intacto dos lustres nas festas que continuam …
Estes militares, que não terão tido outras dificuldades que as decorrentes da sua recruta, pousam para a eternidade com uma bonomia liceal, quer dizer, esta podia ser uma fotografia para um álbum de fim de curso.
Não consigo imaginar uma fotografia semelhante tirada por soldados americanos ou ingleses em 1947.
Não falo no cãozinho no canto inferior esquerdo de propósito. Nesta fotografia só ele me interessa. Mas isso já com R. Barthes e o seu “punctum” ficou esclarecido.

25 janeiro 2009

A invasão da fantasia





Os anos 70, antes ou depois da Revolução, assistem a uma verdadeira invasão de motivos de fantasia e florais. As gravatas, as paredes, os vestidos, os cortinados… nada escapa.
Nalguns casos parecem fazer parte de uma conspiração psicadélica global. Noutros, como parece ser a situação, é tão só o gosto da época, a que é preciso somar os cadeirões de plástico branco, o papel de parede com motivos,etc
É também a altura da proliferação dos conjuntos que ensaiavam em garagens e onde os quartos terão desempenhado um papel não menos importante.
Hoje chamam-se “bandas”, e cai em desgraça quem proferir a antiga designação…

20 janeiro 2009

A "Lambreta"

Como o tempo continua deprimente, não há nada como mais uma fotografia tirada com bom tempo, em Peniche, em Julho de 1960.
Os anos 60, por cá, são uma pálida imagem do que se passava por essa Europa. O regime tratava de refrear os ânimos e manter à distância as más influências…
À primeira vista, estas jovens são independentes e vieram sozinhas. Na realidade, elas estão sobretudo a posar para a fotografia e talvez nem licença de conduzir tenham…Olhada à “lupa” a fotografia, vê-se que o suporte da “lambreta”, que a sombra esconde, está pousado.Mas estão felizes. Nessa manhã de Julho elas estão felizes e nada mais interessa

19 janeiro 2009

A miúda do soldado Rocha

Desconhece-se o que se passou de importante entre este jovem militar e a sua namorada no dia 20 de Março de 1933.
A ternura da dedicatória fala por si. Qualquer outro comentário parece-nos desnecessário.

16 janeiro 2009

Saudades da praia

Praia,1934
Praia, 1948

Cruz Quebrada,1959


Fonte da Telha, 1964

Como o tempo está frio e chuvoso, decidimo-nos por colocar fotografias de praias para os nossos visitantes desanuviarem o espírito... e matarem as saudades...


15 janeiro 2009

As "jotas"



Nos anos 70 e 80, com a restituição da democracia em Abril de 1974, raros eram os partidos políticos que não tinham organizações de juventude próprias.
Activas sobretudo nas escolas e universidades, as“jotas”, como eram conhecidas, despertaram paixões e arrebatadas lutas pela conquista das Associações de estudantes, entre outras.
À sua maneira, canalizavam a energia para o lado dos ideais e da participação cívica na vida política.
(fotos cedidas por alunos da profª Dora Jacinto)

06 janeiro 2009

O quadro

Fazer com que as fotografias falem nem sempre é fácil.
Esta fotografia, que nos fornece algumas informações sobre o vestuário, o papel de parede, os penteados do início dos anos 70, não lhe apetece dizer mais nada.
Ou o olhar hoje não sabe perguntar, o que também é provável.
E eis que de repente reparo no quadro na parede. Com moldura ou sem ela, com mais dourados ou menos dourados, esta estampa que representa a Última Ceia aparece-me colada à memória que tenho de algumas dezenas de salas de casas dessa mesma época.
Ela torna-se o elemento que me interessa nesta fotografia porque se torna no meio de transporte para chegar até elas. O que é uma forma de egoísmo como outra qualquer.

04 janeiro 2009

Queda do muro de Berlim

Berlim, Dezembro de 1990
No final da 2ª Guerra, as relações entre os antigos e circunstanciais aliados E.U.A. e U.R.S.S. tornam-se tensas, dando origem à “Guerra-fria”.
Berlim, palco privilegiado desses acontecimentos, vê erguer-se em 1961 um muro – a materialização da “cortina de ferro” de que falava Churchill – que divide a cidade entre a zona ocidental (onde permaneceram simbolicamente as forças americanas, britânicas e francesas) e a zona oriental, de influência soviética, onde em 1949 foi criada a R.D.A.
Em 1989, as mudanças políticas ocorridas na Europa Oriental levam à queda do muro e à reunificação da Alemanha, voltando Berlim a ser a capital e um símbolo dos novos tempos.

É curioso como nos sentimos atraídos pelas coisas que desaparecem, como gostamos de nos fazer fotografar nesse exacto sítio. Todos nós, cada um à sua maneira.
Eis pois também um pedaço do muro (e respectiva certificação) que me foi oferecido e tenho guardado “religiosamente”. Hoje ocorreu-me que para além do interesse histórico ele é também um bocado de uma coisa que desapareceu. Por isso o guardo tão bem.