28 novembro 2008

Azeitão, Quinta das Torres 1950



Penetraremos no palmar
A água será clara e o leite doce
O calor será leve o linho branco e fresco
O silêncio estará nu – o canto
Da flauta será nítido no liso
Da penumbra

Lavaremos nossas mãos de desencontro e poeira

Sophia de Mello Breyner, O Nome Das Coisas

Ford, 1969

P or lapso, dois destes carros são dos anos 70. Em vez de apagarmos tudo, também pode tentar descobrir quais são...


Ford, 1969



26 novembro 2008

Festivais da Canção, A esperança adiada


Durante os anos 60 e 70, o “Festival da Canção” (para selecção caseira) e depois o da Eurovisão (o combate a sério), despertavam paixões e faziam parar a família inteira para assistir, uma vez por ano, à esperança sempre defraudada de ganhar o certame. O momento alto do serão era sempre a votação espanhola…

Será que ela estava a par da rivalidade entre a Simone de Oliveira e a Madalena Iglésias? E teria opinião sobre isso?
Portugal nos anos 60 não era tão estimulante como às vezes se acredita…

Escola Primária, Setúbal 1937

Da proibição do ensino religioso nas escolas oficiais (uma das medidas da laicização do Estado na 1ª República) à obrigatoriedade do crucifixo nas salas de aula pelo Estado Novo (Deus, a par da Pátria e da Família, é um dos pilares da Educação Nacional), podemos dar graças por as paredes das actuais salas estarem na maior parte das vezes decoradas com trabalhos dos alunos…

25 novembro 2008

Passada a instável euforia da 1ª República...







Passada a instável euforia da 1ª República, nos anos 30, aparentemente, a vida volta à normalidade e decorre tranquila...

Os valores da estabilidade ganham terreno.



Anos 30, militar


O aprumo marcial do jovem soldado revela provavelmente o orgulho que sente na Ditadura Militar imposta em 28 de Maio de 1926, expressão que hoje nos arrepia mas que em muitos sectores da sociedade portuguesa queria dizer apenas um pouco de ordem e sossego nos desmandos que caracterizaram os últimos anos da 1ª República – queda sucessiva de governos (45 em 16 anos de regime), greves, inflação, acções terroristas…
O que ele ainda não sabe ou nunca descobrirá é que quando se troca a liberdade pelo sossego se faz um mau negócio. O Estado Novo dar-lhe-á um tempo infinito para aprender.
Também pode acontecer que o seu ar se deva ao que ele acha que fica melhor na fotografia acabada de tirar para oferecer à noiva…


23 novembro 2008

22 novembro 2008

Aerograma

Militares portugueses escrevendo à família, Moçambique, 1967
Os aerogramas militares, correspondência de modelo padronizado com o objectivo de isentar de franquia postal as missivas de carácter familiar entre a metrópole e as “Províncias Ultramarinas” (para militares, familiares e Madrinhas de Guerra – cerca de 24.000 em 1965), foi uma das ideias mais faladas do Movimento Nacional Feminino, criado em Abril de 1961 com o objectivo principal de “ (…) sem carácter político (…) congregar todas as mulheres portuguesas interessadas em prestar auxílio moral e material aos que lutam pela integridade do território Pátrio.”

Timor Caçada aos veados 1961


Criado timorense 1963

Presenças ténues, pairando, adivinhadamente suspensas. Vazios desconhecidos, imensos. Vozes brancas. A memória?

21 novembro 2008

Aerogramas de Timor 1963







Timor, Caça em 1962



Ao contrário das outras colónias portuguesas, até à Revolução de 1974 não se verificaram em Timor quaisquer desejos independentistas nem actos hostis quanto à presença portuguesa.
As próprias fotos de militares portugueses (normalmente tiradas pelos próprios) sugerem mesmo, se comparadas com as de Angola ou Moçambique e Guiné, uma certa bonomia.
Não se sugere que os militares ali passassem férias ambicionadas. Apenas que a vertigem da distância e da saudade poderiam ser amenizadas por inócuas caçadas com os habitantes locais.
Num dos aerogramas que pudemos ler(de 1963) e que não tem correspondência com a fotografia a não ser a proximidade da data, há insistentes referências ao desejo de partir, à espera insuportável…


20 novembro 2008

Comerciante, Anos 50


Escola do Magistério Primário de Évora,1950

Espantados com a diminuta presença de cavalheiros nesta foto de grupo dos professores finalistas da Escola do Magistério Primário de Évora de 1950, empreendemos a dura tarefa de os contar. De facto, encontram-se presentes 15 futuros professores primários.
Os números falam por si – em 1950, existiam cerca de 14.700 professores deste ramo do ensino, sendo 82% constituído por mulheres.
Uma curiosidade que revela o espírito do tempo, diz-nos que as professoras tinham de pedir autorização superior para casar. Pelos vistos não seria isso que as ia desmotivar….

19 novembro 2008

Debulha do trigo,1930


Trabalhadores rurais, Quinta do Conde,1951

“A mulher casada, como o homem casado, é uma coluna da família, base indispensável de uma obra de reconstrução moral (…). Nos países ou nos lugares onde a mulher casada concorre com o trabalho do homem (…), a instituição da família pela qual nos batemos como pedra fundamental de uma sociedade bem organizada, ameaça ruína…Deixemos portanto o homem a lutar com a vida no exterior, na rua…e a mulher a defendê-la, a trazê-la nos seus braços, no interior da casa(…)” Salazar.
Estaremos portanto na presença de duas anarquistas, de duas intelectuais revolucionárias?

Escola Primária do Bairro Salgado, Setúbal


18 novembro 2008

Foto de crianças, Anos 60


Dentro de pouco tempo não será difícil ouvi-los disputar os livros, acusarem-se mutuamente das páginas vincadas ou sujas – aos olhos dos miúdos crescidos na década de sessenta, o livro é um objecto mágico para o qual é preciso juntar muitas vezes dinheiro.
A coisa só acalmará quando o rapaz se entregar de alma e coração à sua preciosa colecção de cromos. Aí a menina desinteressar-se-á e acabarão parte dos problemas.

16 novembro 2008

Bloco de Notas, 1975

O PREC (Processo Revolucionário em Curso), enquadra-se entre o 11 de Março e o 25 de Novembro de 1975, período que ia levando o país à beira da guerra civil. É claro que os entusiasmos de um e do outro lado, cujo pico terá sido atingido no assim conhecido “Verão Quente”, começaram antes destas datas e prolongaram-se aqui e ali para além delas.
Este extraordinário bloco de notas reflecte o ambiente vivido e, embora tenha sido editado sem siglas partidárias, tudo leva a crer que seja da autoria do PRP/BR, Partido Revolucionário do Proletariado/Brigadas Revolucionárias.O exemplar que nos chegou às mãos não possui qualquer anotação mais esclarecedora.

15 novembro 2008

Foto de Jovem, anos 60


Num país onde o Rock era olhado com desconfiança dado o seu potencial de desvios da juventude e, ainda por cima, estrangeiro, aos jovens portugueses restava sentirem-se ingleses enquanto o “gira- discos” os catapultasse para essa misteriosa “terra prometida” onde só os Beatles os entendiam …
Os Sheiks, cujo primeiro nome foi Windsores, começaram por tocar em festas e espectáculos organizados por escolas e universidades, levando a rapaziada à loucura sob os olhares desconfiados dos pais e das autoridades…
Recentemente, No dia 29 de Março de 2008 os Sheiks apresentaram um espectáculo no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz.
Será que o rapaz da fotografia esteve lá?

14 novembro 2008

Segredos

Ao professor Joaquim da Fonseca, o cchistoria deseja do fundo do coração melhoras rápidas!
(são nestes tempos atarantados que mais se sente a tua falta...)

Bombeiro, anos 60


Inauguração do quartel de bombeiros da Trafaria em 6 de Fevereiro de 1966, com a presença dos bombeiros de Ferreira do Alentejo.

13 novembro 2008

Aventureiros, 1942

Estima-se que entre 1955 e 1960, se tenham fixado em Angola e Moçambique com ajuda e estímulos oficiais cerca de 55 mil portugueses.
Sob este aspecto, alguns dos elementos deste grupo são pioneiros – a foto é de 1942.
Observando a pobreza dos assentos e do próprio cenário – o pano escuro que não é propriamente um cortinado esconde uma paisagem que o chão de terra deixa antever -, não é difícil imaginar que as razões desta vinda não tenham sido o turismo.
Conheço poucas fotografias onde a dignidade humana seja tão evidente. Os inesperados sapatos imaculadamente brancos calçados para a ocasião acentuam esta impressão.
A extraordinária beleza e serenidade do rosto da mulher sentada à esquerda, misturado com uma óbvia convivência rácica seguramente rara, deixam prever que os pés descalços da criança à sua frente saborearão por largos anos a liberdade da terra quente de África…

12 novembro 2008

Retratos de Cavalheiros




Numa discussão sempre árida acerca de datação de fotografias, contextualizações históricas e acordos ortográficos a propósito das “molduras”, salvou-nos Walter Benjamin que a propósito da observação de retratos antigos, afirma: “ Durante a longa duração da pose eles instalavam-se no interior da imagem”
Independentemente de serem dos finais do século XIX ou princípios do XX, nada de mais verdadeiro para estas fotografias.